Músicos, fãs e moradores se reuniram neste sábado (24) para limpar o Memorial do Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte. A mobilização foi organizada pelo Coletivo Alvorada após o espaço ser vandalizado com tinta vermelha na madrugada de sexta-feira (23).
A ação ocorreu no cruzamento das ruas Paraisópolis e Divinópolis, endereço que se tornou um marco da música brasileira. Além da limpeza, a programação incluiu uma ocupação artística e musical para demonstrar apoio ao movimento e repudiar o ataque.
Entre os artistas que participaram da mobilização estão Yé Borges, irmão de Lô Borges, Fernanda Takai, Renegado, José Roberto Borges, Titane, Pedro Morais, Rubinho do Vale, Tatta Spalla, Bianca Luar, Celso Adolfo, Thiago Araújo, Flávio Boca, Paulinho Santos, do Uakti, e Léo Dias.
Em publicação nas redes sociais, o Coletivo Alvorada afirmou que a mobilização reuniu artistas, amigos e moradores ligados à história do Clube da Esquina. “A indignação nos levou até lá. E, juntos, fizemos o que sabemos fazer: cantamos, nos abraçamos e cuidamos da nossa esquina”, escreveu o grupo.
Memorial foi vandalizado com tinta vermelha
O memorial, localizado no bairro Santa Tereza, amanheceu com tinta vermelha espalhada sobre as placas instaladas no local. O material deixou as estruturas com um aspecto semelhante ao de sangue. Luvas e um recipiente de tinta utilizados na ação foram encontrados nas proximidades.
Imagens de câmeras de segurança registraram um homem descartando os materiais antes de entrar em um carro e deixar o local. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que investiga o caso para identificar e responsabilizar o autor.
Segundo relato de uma moradora da região mencionado por Yé Borges, o suspeito teria gritado “fora Lula” após jogar a tinta no memorial. O músico associou o episódio à polarização política no país e defendeu o respeito às diferenças ideológicas.
Local é símbolo da música brasileira
A esquina de Santa Tereza ficou conhecida pelos encontros de Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes na década de 1960. O endereço se tornou uma referência para admiradores do movimento musical, que projetou a música mineira nacional e internacionalmente.
O espaço passou por uma revitalização concluída em setembro de 2024, com melhorias como a instalação de um banco de concreto, uma placa bilíngue, iluminação direcionada e uma espécie de calçada da fama com nomes de artistas ligados à história do local.










