Uma motorista de aplicativo ficou presa de cabeça para baixo após o carro que dirigia capotar duas vezes em uma ladeira de Belo Horizonte, durante a chuva desse domingo (1º). Ana Queiroz, de 36 anos, contou ao BHAZ que perdeu o controle do Ford Ka enquanto tentava subir a rua Manoel Ferreira Leal, no bairro Aparecida, região Noroeste da capital.
Ana havia acabado de deixar um passageiro e estava a cerca de 400 metros do local onde buscaria outro cliente quando começou a subir a ladeira. Ela trabalha como motorista de aplicativo há dois meses e passava pelo bairro pela primeira vez.
Segundo a motorista, o carro perdeu aderência próximo ao topo da subida. Ela tentou controlar o veículo, mas ele começou a descer de ré e ganhou velocidade.
“Eu tentei fazer controle de embreagem, não dava. O carro começou a voltar. Na hora, pensei em colocar no neutro, puxar o freio de mão e ficar apertando o freio. Só que o carro começou a desgovernar”, relatou.
Motorista ficou presa de cabeça para baixo
Ana usava cinto de segurança e ficou pendurada de cabeça para baixo após o capotamento. O impacto provocou vários cortes pelo corpo, causados pelos estilhaços de vidro, além de lesões no ombro, braço e joelho.
“Eu fiquei pendurada, comecei a sentir muita falta de ar. Um moço veio com uma vassourinha, foi varrendo os cacos de vidro para eu conseguir colocar os braços e segurar o peso da minha cabeça. A moça ficou me ajudando a segurar a cabeça”, lembrou.
Moradores ajudaram a estabilizar o veículo e auxiliaram Ana até a chegada do Corpo de Bombeiros, cerca de dez minutos depois, segundo a motorista. Para retirá-la do carro, os militares precisaram levá-la até a varanda de uma vizinha, onde conseguiram colocá-la em uma prancha. Em seguida, ela recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Ana foi encaminhada ao Hospital Odilon Behrens, onde passou por exames de imagem. Não foram identificadas fraturas na coluna, e ela recebeu alta ainda na noite de domingo. A motorista está usando tipoia e deve ficar afastada do trabalho durante a recuperação. O carro teve perda total.
Mãe de um adolescente de 14 anos, Ana contou que o filho e o noivo chegaram ao local do acidente e ficaram muito assustados. “É uma sensação de que nasci de novo. Achei que fosse morrer”, afirmou.
Assista ao vídeo:
Morador cobra mudanças na rua
O corretor de imóveis Ney Gomes, de 60 anos, contou ao BHAZ que acidentes são recorrentes na rua Manoel Ferreira Leal. Segundo ele, a inclinação da via dificulta a subida de veículos, principalmente os de menor potência.
“É uma subida muito íngreme e, até quando não está chovendo, tem carro de menor potência que não consegue subir”, disse.
Ney defende que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) transforme a rua em mão única no sentido de descida. Para ele, a medida seria mais eficaz do que intervenções no asfalto, como as ranhuras existentes em outras vias da cidade.
Procurada pelo BHAZ, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi) informou que a Diretoria de Manutenção e Infraestrutura Viária fará uma avaliação técnica no local para verificar as condições do asfalto e a aderência do pavimento.
Já a BHTrans afirmou que as ruas Manoel Ferreira Leal e Cláudio Antônio são íngremes e possuem sinalização que proíbe o tráfego de veículos pesados. O órgão orientou que motoristas redobrem a atenção em dias chuvosos, mantenham pneus e freios em boas condições e respeitem as normas de trânsito e os limites de velocidade.
A BHTrans também informou que agentes farão uma vistoria para avaliar a viabilidade de mudanças na circulação da região. Segundo o órgão, moradores podem apresentar sugestões de alterações no trânsito pelo Portal de Serviços da PBH ou nas reuniões das Comissões Regionais de Transportes e Trânsito (CRTT).








