Um ano após a morte de Lô Borges, fãs se reuniram nesta segunda-feira (2) na tradicional esquina entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, em BH, para celebrar o legado do cantor e compositor mineiro. A homenagem também contou com a participação de familiares e amigos de Lô, além de músicos ligados ao Clube da Esquina.
Os fãs aproveitaram para destacar a importância de Lô para a música e a cultura mineira. “Estou aqui nesta esquina bonita, celebrando essa memória afetiva, porque quem é de Minas Gerais, é Lô Borges. Ele tem feito muita falta pra gente”, disse uma admiradora do cantor. “A gente está falando do cara que criou o oitavo álbum mais apreciado da música mundial, então a data de hoje precisa ser celebrada”, relembrou outro.
Veja o vídeo:
Uma esquina que virou ponto de encontro
O cruzamento de Santa Tereza se transformou no principal ponto de memória de Lô desde o dia seguinte à sua morte. No dia seguinte à morte do músico, uma pequena multidão ocupou a esquina para a “Cantoria a Lô Borges”, uma homenagem que nasceu de um grupo de WhatsApp criado às pressas por artistas e fãs. Teve tenda, projeção da imagem do cantor, flores, velas e um repertório inteiro de clássicos cantado em coro. Toninho Horta e Marilton Borges estavam lá.
De lá para cá, o local voltou a receber tributos. Em 10 de janeiro deste ano, quando Lô completaria 74 anos, uma jam session com músicos que tocaram com ele, como Gabriel Guedes, Tadeu Franco, Tiago Araújo e o irmão Nico Borges, ocupou o mesmo cruzamento, numa edição especial do projeto “Na esquina do Clube”.
O encontro de agora também acontece poucos dias depois de a esquina amanhecer pichada com tinta vermelha. O memorial do Clube da Esquina foi vandalizado na sexta-feira (23/10), a três dias do aniversário de 84 anos de Milton Nascimento, e a Polícia Militar foi acionada.
Onde tudo começou
Foi justamente ali que a história do Clube da Esquina começou. Nos anos 1960, o adolescente Salomão Borges Filho, o Lô, se encontrava com os amigos do bairro no cruzamento para tocar violão e conversar sobre Beatles e bossa nova. A família Borges morava na Rua Divinópolis, numa casa que ainda está de pé e segue pertencendo à família. Por ela passaram nomes como Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Flávio Venturini e Beto Guedes.
O ponto de encontro inspirou o irmão Márcio Borges a escrever os versos de “Clube da Esquina”, parceria com Milton, e acabou batizando o disco lançado pelos dois em 1972, considerado um dos álbuns mais importantes da música brasileira. No mesmo ano, Lô lançou seu primeiro álbum solo, o famoso “disco do tênis”.
Sexto dos 11 filhos do jornalista Salomão Borges e da professora Maria Fragoso Borges, a Dona Maricota, Lô nasceu em Belo Horizonte em 10 de janeiro de 1952 e passou boa parte da vida em Santa Tereza. Autor de clássicos como “O Trem Azul”, “Para Lennon e McCartney”, “Paisagem da Janela” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, seguiu produtivo até o fim: lançou um disco de inéditas por ano entre 2019 e 2024 e, em agosto de 2025, chegou às plataformas “Céu de Giz”, parceria com Zeca Baleiro, seu último trabalho.












