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Família de motociclista morto em enxurrada em BH cobra prefeitura e aplicativos: ‘Foi um assassinato’

04/11/2026 às 13h57
Durante o velório de João Lucas, de 23 anos, familiares do motociclista questionaram o funcionamento de plataformas de entrega e as condições da rua onde a vítima morreu presa em um bueiro, após ser arrastado por uma enxurrada durante um temporal
(Foto: Reprodução)

A morte do motociclista João Lucas Ricardo de Jesus Rodrigues da Cruz, de 23 anos, arrastado por uma enxurrada, durante o temporal que atingiu BH na noite de segunda-feira (2), deixou a família revoltada. Familiares do jovem questionam as condições da via onde ocorreu o acidente e o funcionamento dos aplicativos de entrega durante situações de risco climático. Para os parentes, a tragédia poderia ter sido evitada caso houvesse manutenção adequada dos bueiros e mecanismos que impedissem os trabalhadores de circular durante alertas da Defesa Civil.

O jovem trabalhava como entregador, em uma motocicleta, depois de perder o emprego em um supermercado. Ele foi arrastado pela enxurrada na rua Joaquim Correia de Aquino, no bairro Camargos, região Oeste da capital, e acabou preso em um bueiro. A força da água impediu que ele conseguisse sair da estrutura.

Primo de João Lucas, Erick Herinh questiona a responsabilidade de empresas que recrutam entregadores como prestadores de serviço e que, segundo ele, mantiveram os serviços disponíveis mesmo diante dos alertas meteorológicos. Para o familiar, as plataformas deveriam adotar medidas para impedir que entregadores continuassem trabalhando em condições climáticas extremas.

“Vale trazer a responsabilidade dessas empresas também nessa situação. Nesse momento de alerta social sobre uma questão climática, o aplicativo não foi bloqueado com o aviso da Defesa Civil. Isso se intercala com as condições de vida dele, que não é uma escolha meramente individual. Num momento desse, quem vai ser responsável? Porque, pra gente, como família, a gente sente que ele foi assassinado, foi um assassinato!”, afirmou.

Família aponta problemas em bueiros da região

Além dos aplicativos, a família cobra providências da Prefeitura de Belo Horizonte em relação à conservação das estruturas de drenagem da cidade. Tia de João Lucas, Neusa de Jesus Rodrigues afirma que há bueiros abertos e danificados nas proximidades de onde mora e que a situação representa perigo para quem circula pela região, incluindo crianças e idosos.

Ela critica a falta de manutenção e diz que a estrutura que acabou prendendo o sobrinho poderia ter sido consertada antes da tragédia.

“Talvez esse bueiro que engoliu o meu sobrinho deveria ter sido arrumado. Se tivesse arrumado, meu sobrinho estaria aqui hoje”, desabafou.

Neusa também questiona a substituição de antigas estruturas de ferro por outras de cimento, que, segundo ela, apresentam problemas e não recebem os reparos necessários. A familiar afirma que há pelo menos três bueiros abertos em uma área próxima à residência dela.

O BHAZ questionou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) sobre os questionamentos da família do motociclista morto após ser arrastado por uma enxurrada e ficar preso em um bueiro, mas ainda não obteve retorno.

Veja a entrevistas com os familiares durante o velório de João Lucas:

Família de motociclista cobra apoio e responsabilização

Para Erick, a morte do primo não pode ser tratada apenas como consequência de um fenômeno natural. Ele aponta uma combinação de fatores, envolvendo as condições da rua, a atuação do poder público e as regras das plataformas de entrega.

O familiar também questiona o aumento dos valores pagos por corrida durante temporais. Segundo ele, quando as condições climáticas reduzem o número de entregadores disponíveis, as taxas oferecidas podem aumentar, incentivando a continuidade do trabalho mesmo diante dos riscos.

Aos 23 anos, João Lucas havia assumido responsabilidades familiares após perder a mãe, vítima da Covid-19, há cerca de cinco anos. Trabalhador desde jovem, ele havia começado a fazer entregas depois de ser demitido de um supermercado. A morte interrompeu a trajetória de quem, segundo os parentes, era dedicado à família e ajudava a cuidar dos irmãos e da avó.

O jovem foi velado na manhã desta quarta-feira (4), no Cemitério Bom Jesus, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Motociclista morreu após ficar preso em bueiro durante temporal

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma das pernas do motociclista ficou presa na estrutura do bueiro, impedindo que ele conseguisse sair. Quando os militares chegaram, parte do corpo estava dentro da abertura, enquanto o tórax permanecia para fora.

Pessoas que passavam pelo local tentaram ajudar, mas a força da correnteza também colocava os socorristas em risco. Os bombeiros retiraram João Lucas e realizaram manobras de reanimação, mas ele não resistiu. A morte foi confirmada no local.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga as circunstâncias da morte.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

Fábio Galdino

Email: fabio.galdino@bhaz.com.br

Jornalista

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