A Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão das atividades da concessionária Lukinha Automóveis, em Belo Horizonte, após clientes denunciarem uma série de prejuízos após compra de carros. Imagens enviadas ao BHAZ nesta quinta-feira (5) mostram que a loja está fechada após a decisão judicial.
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor representou judicialmente pela adoção de uma medida cautelar para suspender as atividades da empresa. O pedido foi aceito pelo Poder Judiciário, que determinou a interrupção das atividades de natureza econômica ou financeira pelo prazo de 90 dias.
Durante esse período, a empresa poderá realizar exclusivamente procedimentos destinados à restituição de veículos e valores aos consumidores, à entrega de documentos de transferência, à regularização dos registros de negócios já realizados e à quitação de obrigações previamente assumidas com clientes e instituições financeiras.
O BHAZ entrou em contato com o proprietário da loja e aguarda retorno.
Veja vídeo
Relembre o caso
“Eles debocham da nossa cara” é assim que Gabrielle Rodrigues, professora, de 37 anos, descreve o tratamento que afirma ter recebido ao tentar resolver problemas no carro comprado na Lukinha Automóveis, em Belo Horizonte. Ela e outros consumidores denunciam prejuízos financeiros, defeitos mecânicos e dificuldades para conseguir reparos ou reembolso após adquirir veículos no estabelecimento. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar possíveis crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor e de estelionato. Procurada, a empresa diz que não vai se pronunciar.
O engenheiro civil Jhonatan Faria, de 36 anos, afirma ter gastado mais de R$ 20 mil com a manutenção do Ford Ka 2015 comprado na loja. Segundo ele, os gastos com reparos se somam às dificuldades de negociação com a empresa. Os consumidores também questionam os laudos apresentados durante as vendas e relatam que os problemas encontrados nos veículos não correspondiam às condições informadas na compra.
Jhonatan conta que comprou um Ford Ka 2015 por R$ 38 mil, valor cerca de R$ 3 mil acima da tabela Fipe, segundo ele. Durante a negociação, a loja apresentou um laudo que, conforme o consumidor, indicava que o veículo estava em boas condições.
Os problemas, no entanto, teriam aparecido já na primeira revisão. Jhonatan notou barulhos na suspensão, falhas na caixa de marcha, vazamentos e problemas no radiador. Segundo ele, o motor também apresentou danos graves.
O engenheiro afirma ter notas fiscais que comprovam mais de R$ 20 mil gastos com a manutenção do veículo. Ele também diz ter recebido um contrato de garantia de 90 dias, mas que, ao procurar a loja para resolver os problemas, foi orientado a buscar a Justiça. “Eles dizem que quem compra carro velho tem que ter condições de comprar manutenção”, relata Jhonatan, ao descrever a resposta que afirma ter recebido.
O consumidor também denuncia a forma como as reclamações seriam conduzidas no estabelecimento. Segundo ele, há relatos de clientes que teriam sido levados para uma sala e impedidos de sair durante discussões com representantes da loja. A denúncia será apurada pelas autoridades.










