‘Assustador’: BH registra o mês mais chuvoso da história; Zona Sul recebe quase o triplo do previsto

Amanda Dias/BHAZ + Twitter/Reprodução + Maira Monteiro/BHAZ

Belo Horizonte já registrou o mês mais chuvoso da história – antes mesmo da conclusão dos 31 dias – na manhã desta quarta-feira (29), com um acumulado de 932,3 mm (milímetros). Os dados são do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e a quantidade de água neste janeiro pode aumentar ainda mais, já que a Defesa Civil prevê uma chuva de até 70 milímetros, entre hoje e a manhã desta quinta-feira (30).

Anteriormente, o mês mais chuvoso da história foi janeiro de 1985, quando choveram 850 milímetros. Somente nas últimas 24 horas, choveram 117,4 milímetros.

As regiões que mais choveram neste mês, até esta quarta, foram a Centro-Sul (956,8 mm) e Oeste (959 mm). A média esperada para todo o mês de janeiro era de 329,1 milímetros. Ou seja, já choveu nessas áreas quase o triplo do esperado para os 31 dias.

Segundo o Inmet, a causa das chuvas intensas é pelo fato de estarmos com influência da zona de convergência do Atlântico Sul, pela segunda vez no mês. Já para esta quinta e sexta-feira, não estaremos mais com influência desse fenômeno, e as chuvas estarão associadas ao calor e alta umidade – e devem ser moderadas.

Para o início de fevereiro, o Inmet afirma que a chuva não dará trégua. Chega uma nova frente fria no Sudeste, que deve causar mais chuvas intensas no fim de semana.

Destruição em BH

A forte chuva que atingiu Belo Horizonte na noite dessa terça-feira (28) gerou muito transtorno. Vias ficaram alagadas em bairros da região Centro-Sul, Oeste e Barreiro.

O teto do BH Shopping desabou durante o temporal. O centro de compras, no entanto, vai funcionar nesta quarta-feira (29). A equipe de manutenção atuou para reparar o dano causado pela chuva. O shopping vai, inclusive, receber doações para os atingidos pelos temporais.

Chuva em Minas

O número de mortes causadas pela chuva em Minas Gerais saltou de 50 para 53, segundo dados divulgados pela Defesa Civil Estadual na manhã desta quarta-feira (29). A principal causa de morte em Minas foram os soterramentos, desabamentos e desmoronamentos, que fizeram ao todo 42 vítimas. Outras duas morreram afogadas e oito arrastadas pelas águas.

As chuvas afetaram cerca de 46.980 pessoas no Estado. Dentre elas, 38.703 desalojados, 8.157 desabrigados, 65 feridos e os 53 mortos. Uma pessoa segue desaparecida na cidade de Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas e outra em Tabuleiro, na Zona da Mata.

Como é feita a previsão?

“Quando a gente faz a previsão, analisamos um série de variáveis. Vemos as condições atmosféricas, o sistema de baixa pressão, áreas de instabilidade, etc. Atualmente, Minas Gerais está praticamente toda coberta por nuvens, o que mantêm o tempo nublado a qualquer hora do dia”, explica a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Sobre o termo das chuvas em milímetros, também existe uma explicação. De acordo com a meteorologista, 1 milímetro equivale ao volume de 1 litro de chuva que se acumulou sobre uma superfície de área igual a 1 metro quadrado. Então, 1 litro por metro quadrado é igual a 1 milímetro. Os 100 milímetros seriam 100 litros com uma altura de 10 centímetros, dentro desse 1 metro quadrado.

No vídeo abaixo, o Climatempo explica como é feita a medição de chuva no dia a dia e desvenda o mistério dos milímetros. Confira:

Cuidados

Para evitar tragédias, a Defesa Civil orienta que motoristas e pedestres não circulem por áreas em que há risco de alagamentos e enchentes. Também recomendam que procurem lugares seguros para se abrir e não saiam de casa em caso de chuva forte. Confira outras recomendações:

  • Não atravesse ruas alagadas ou deixe crianças brincando na enxurrada e nas águas dos córregos.
  • Não se abrigue nem estacione veículos debaixo de árvores.
  • Atenção especial em áreas de encostas e morros.
  • Jamais se aproxime de cabos elétricos rompidos. Ligue imediatamente para CEMIG (116) ou Defesa Civil (199).
  • Se você observar o aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas e o surgimento de minas d’água avise imediatamente a Defesa Civil (199).
  • Em caso de raios: não permaneça em áreas abertas e altas, não use equipamentos elétricos.

Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020) e Sindibel (2019).