BH tem ato de celebração e protesto no dia do Orgulho LGBTI

parada lgbt bh
Domingo foi marcado por protestos no Dia do Orgulho LGBT (Felipe Muniz)

O Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais), celebrado neste domingo (28), foi marcado por atos de protestos e comemoração em Belo Horizonte. Grupos se reuniram na Praça da Estação, no Centro da capital mineira, e estenderam as bandeiras com as cores do movimento. A ação também contou com faixas contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o governador de Minas, Romeu Zema (Novo).

O ato foi organizado pelo Cellos-MG (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais), órgão responsável pela Parada LGBTI oficial de BH, em parceria com o Levante Popular da Juventude, a Frente Brasil Popular, o Coletivo Alvorada e Movimento Sindical.

De acordo com o diretor da Cellos-MG e coordenador da Parada LGBTI de BH, Gilberth Santos, o objetivo era apoiar e também protestar contra a omissão das autoridades em relação à causa.

“Hoje, abrimos simbolicamente as nossas bandeiras, no lugar onde realizamos a parada LGBTI. Relembramos também, de maneira política, que o Brasil é o pais que mais mata LGBTI’s e, por isso, colocamos as cruzes no entorno das faixas”, conta Gilberth.

Em relação aos protestos contra Bolsonaro e Zema, o diretor explica que trata-se de uma ação contra a falta de políticas públicas. “Não poderíamos deixar de falar do desgoverno que estamos vivendo. Esse retrocesso é devido à falta de políticas para o público LGBTI. Todos os avanços que tivemos vieram da Justiça, não temos nada estabelecido por decreto e por lei do Governo Federal”, afirma.

Ato LGBTI na Praça da Estação (Felipe Muniz)

Parada LGBTI

Por conta da pandemia, a Parada LGBTI de BH foi suspensa em 2020. Ao contrário de outras cidades, que realizaram a Parada por meios digitais, em BH, essa tecnologia não será usada. “Nos reunimos e entendemos que esse modelo não atende ao que o movimento prega, que é a essência da manifestação política: a ocupação do espaço. Por isso, concluímos que não seria viável fazer online”, diz o diretor.

Também devido aos decretos de distanciamento e isolamento social, o protesto de hoje foi realizado seguindo os protocolos de segurança. “Respeitamos a distância mínima, usamos álcool em gel e uma equipe pequena que esteve no local, utilizou luvas e máscaras”, destaca Gilberth.

Aumento da violência

No primeiro semestre deste ano, 89 pessoas transgênero foram assassinadas no Brasil, quantidade que supera em 39% a registrada no mesmo período de 2019, de acordo com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). Para a entidade, os números escancaram como a omissão de autoridades governamentais tem contribuído para que estejam no centro de um contexto amplo de vulnerabilidade, que inclui agora efeitos da pandemia de Covid-19.

“Os dados não refletem exatamente a realidade da violência transfóbica em nosso país, uma vez que nossa metodologia de trabalho possui limitações de capturar apenas aquilo que de alguma maneira se torna visível. É provável que os números reais sejam bem superiores. Mesmo com essas limitações, os dados já demonstram que o Brasil vem passando por um processo de recrudescimento em relação à forma com que trata travestis, mulheres transexuais, homens trans, pessoas transmasculines e demais pessoas trans. O que reforça a importância do nosso trabalho de monitoramento, incidência política e denúncias a órgãos internacionais”, escreve a Antra, que acrescenta que, em tentativa de suprir uma lacuna deixada pelo Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em junho de 2019, tratar os casos de transfobia com base na Lei nº 7.716/1989, na qual são tipificados os crimes de preconceito contra raça e cor.

No comunicado, a Antra também destaca que não há, até o momento, levantamentos abrangentes sobre as dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexo e outros) durante a crise sanitária, produzidos por iniciativa das diferentes esferas de governo. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), os LGBTI+ estão entre as parcelas populacionais mais expostas à pandemia, motivo pelo qual, defende, se deve reivindicar aos governos políticas específicas de proteção social. 

Com Agência Brasil

Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.