Cão se assusta com foguetes, foge e é encontrado dois dias depois em BH; veja cuidados

Márcia Maria Moreira/Arquivo pessoal

O cachorro “Negão”, que tem 16 anos, desapareceu depois que fogos de artifício foram soltados por atleticanos, em comemoração ao rebaixamento do Cruzeiro, nesse domingo (8). O vira-lata saiu correndo da casa dos donos, no bairro Esplanada, na região Leste de BH, e foi encontrado nessa terça-feira (10). O BHAZ entrevistou uma médica veterinária para saber os cuidados necessários com os pets diante dos foguetes.

Segundo Márcia Maria Moreira, dona de “Negão”, ele desapareceu por volta das 17h30. “Minha cunhada abriu o portão, quando os fogos estavam muito altos e ele saiu correndo, muito assustado, sem rumo. Ele não escuta direito, está mancando muito pelo idade”, explica ao BHAZ.

O pequeno Bernardo, de 3 anos, que aparece na foto com o cachorro, ficou muito triste. “Ele é muito apegado ao Negão, chorou muito e não entendeu o que estava acontecendo. É o companheiro de brincadeiras, estavam sempre juntos se divertindo. Esses dias ele estava realmente muito triste”, continua.

“Uma moça o encontrou na rua Jacuí, no Floresta, ontem à noite. Ficamos sabendo agora à tarde. Ele foi levado para um clínica veterinária e está bem, passando por vários exames. Queria agradecer a todos que se mobilizaram e ajudaram”, completa.

Problemas com foguetes

Paula Mayer Costa, médica veterinária neurologista da UFMG, explica que o animal escuta melhor que os seres humanos. “Escutam muito bem, tem esse sentido mais aguçado. Com isso, provoca-se uma excitação no animal e, com o barulho dos fogos, desencadeia diversas alterações”, explica.

“O animal pode ter convulsões e problemas cardíacos, por exemplo. Eles ficam com muito medo, tentam se defender, sair daquele lugar que está com muito barulho. O primeiro instinto dele é fugir. Por isso, nesses momentos, não é recomendável abrir portas ou janelas da casa, para que o animal não saia”, continua.

A recomendação básica é colocar tampões de algodão nos ouvidos dos animais, colocar faixas para protegê-los e música clássica para acalmá-los. “Tentar manter o ambiente o mais tranquilo possível, ficar perto deles nesse momento”, explica a médica veterinária.

Caso o animal fique com algum trauma, é preciso levá-lo ao veterinário. “Ele pode desencadear problemas comportamentais, ficar com mais medo, mais agressivo ou acuado. A recomendação é procurar um médico veterinário que trabalhe com o comportamento animal, ele conseguirá indicar um tratamento para amenizar a situação”, completa.

Cuidados com os animais

Com base em estudos científicos, o CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) defende que fogos de artifícios com estampidos sejam proibidos e gradativamente substituídos por fogos sem ruídos em todo território nacional.

De acordo com a CFMV, já há comprovação científica dos danos irreversíveis para animais e seres humanos causados por artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso e, por isso, recomenda-se a utilização de fogos visuais, que trazem luzes e cores e não produzem efeitos sonoros acima do volume recomendado. Confira íntegra da nota técnica.

Além da persistência no uso de fogos com estampido durante as comemorações de jogos, as datas especiais de final de ano também são alvos dos estouros. Por isso, essa é uma época que aumentam as ocorrências de animais que fogem assustados, se ferem ou até morreram por medo e estresse provocados pelo barulho. Então tome cuidado!

Enquanto esta situação persistir, o CFMV apresenta algumas dicas que podem ajudar os tutores minimizar os impactos negativos dos fogos nos seus animais. Confira:

1. Mantenha seu animal identificado. Se ele fugir, tem maior chance de ser encontrado. Registre seu número de telefone e e-mail na coleira do animal. Pode bordar, colocar plaquinhas gravadas, microchip e até mesmo escrever a mão em fitas de tecido.

2. Deixe seu pet ficar perto de você, pois sua presença é reconfortante em momentos de tensão.

3. Prepare o ambiente e acostume seu animal a um espaço fechado, que abafe o som dos fogos. Pode ser um quarto, a lavanderia ou a garagem. Não deixe seu pet em sacadas, perto de piscinas ou em correntes.

4. Coloque música e use essências relaxantes no ambiente. Pergunte ao médico-veterinário de sua confiança sobre ferormônios que reduzem o estresse.

5. Prepare um espaço tipo “toca” para seu cão ou gato. No caso de cães pode ser embaixo de camas ou caixas de transporte. Gatos geralmente gostam de se refugiar em locais altos, como sobre armários, prateleiras e nichos. Coloque nesta “toca” objetos com o seu cheiro, especialmente se ele não estiver na sua companhia.

6. Neste final de ano, durante as tardes dos dias 24 e 31 deixe seu pet cansado. Passeie com seu cão, faça corridas, leve para brincar com outros cães. Também brinque com seu gato, provoque corridas e pulos. Os exercícios e o cansaço deixarão seu pet mais relaxado e possivelmente menos preocupado com os barulhos.

7. Não devemos deixar ração a vontade para os cães. Se você alimenta seu cão duas vezes por dia, o alimente pela manhã normalmente e prepare brinquedos recheáveis com as comidas preferidas dele para fornecer próximo da hora de maior intensidade dos fogos. Ossos naturais bem grandes, para evitar engasgamentos, podem ser opções. O objetivo é ele esteja motivado a se entreter com os brinquedos e fique menos preocupado com o barulho.

8. Seu pet realmente se desespera com o barulho? Ele tem convulsões, atravessa janelas ou portas ou destrói paredes? Neste caso o uso de medicamentos pode ser a melhor opção. Fale com um médico-veterinário e esteja preparado.

9. Dessensibilize seu pet. Existem técnicas de treinamento para fazer com que cães e gatos sofram menos com o barulho de fogos. Fale com um profissional e treine seu pet para o minimizar o sofrimento no próximo fim de ano

Com CFMV

Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018 e 2019) e Sindibel (2019).