A escadaria da Igreja São José, no centro de Belo Horizonte, vira palco de um encontro emocionante entre a fé católica e as matrizes africanas nesta segunda-feira (16) de Carnaval. Em uma cerimônia inspirada na histórica Lavagem do Bonfim, na Bahia, o Bloco Baianas Ozadas ocupa o espaço para espalhar alegria, proteção e axé.
A coordenadora da ala de axé e integrante do bloco, Patrícia Moura, explica que o evento busca trazer a tradição baiana para as ruas de Belo Horizonte, uma iniciativa que o grupo mantém desde 2017 nas escadas do templo religioso. “A Igreja São José abre as portas para o povo de axé, para o povo de terreiro, para que a gente venha com nossas águas sagradas, nossa água de cheiro”, afirmou Patrícia no inicio da celebração.
Mais do que um rito festivo, a cerimônia carrega um forte simbolismo político e social. Segundo Patrícia, a presença das religiões de matriz africana em um espaço católico é um passo fundamental na luta contra a intolerância religiosa.
“É o coordenado de todas as crenças ali esperando para que a gente jogue uma água e abençoe esse desfile”, destacou a coordenadora, reforçando que o objetivo é abençoar os passos e abrir os caminhos de todos os participantes.
Embora seja uma cerimônia considerada rara no Brasil fora do eixo baiano, a lavagem em BH vem ganhando força com a atuação do povo de terreiro. Para os organizadores, o momento é uma oportunidade de alimentar o espírito e garantir que o Carnaval seja permeado por energias positivas e pelo respeito mútuo.








