Os blocos de Carnaval em BH superaram as expectativas de público nos dias oficiais da folia. Durante balanço parcial, apresentado nesta quarta-feira (18), o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, afirmou que alguns dos desfiles chegaram à marca de aproximadamente 300 mil foliões. No entanto, o número pode ter sido superior como o bloco Marinada, comandado pela cantora Marina Sena, que, segundo a organização, reuniu mais de 400 mil foliões no último domingo (15). Ainda em número expressivo, o Bloco dos Gêmeos, que contou com o show da cantora Luísa Sonza, teria atraído cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores. No entanto, a Prefeitura de BH garante que não subsidiou a vinda de artistas nacionais nesses e em nenhum outro bloco.
A autarquia, contudo, não detalhou quais cortejos alcançaram esse público, já que o levantamento completo continua em andamento. O presidente da Belotur afirmou que no Bloco Marinada, realizado no entorno do Mineirão, por exemplo, ficou muito claro que a quantidade de foliões superou o esperado.
No último domingo (15), Marina Sena fez uma apresentação histórica na estreia do bloco no Carnaval de BH. Apesar da multidão, fãs da artista passaram por vários ‘perrengues‘ para curtir o show, como a longa-espera, calor excessivo, falta de banheiros químicos, truculência policial e a baixa qualidade do som.
“A Belotur entra com um órgão que ajuda a operacionalizar e organizar a cidade com as demais pastas. Porém, a organização parte da produção dos próprios blocos, embora tenhamos feito tratativas com as forças de segurança, como a Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros. Além deles, a BHTrans e Secretaria de Mobilidade Urbana”, explicou Cruvinel.
Ainda segundo o presidente da Belotur, a autarquia também conduziu tratativas com os organizadores dos blocos, como a sugestão de que os desfiles fossem realizados no entorno do Mineirão, área considerada mais adequada para receber grandes públicos.
“É uma região que comporta melhor grandes multidões. Essa foi a primeira tratativa. A segunda envolveu os PEDs, que são os Planos de Dispersão e Evacuação elaborados pelo Corpo de Bombeiros para blocos com público superior a 100 mil pessoas. Adotamos essas medidas para garantir que tudo transcorra dentro da normalidade”, afirmou.
Ao comentar sobre os aprendizados após os episódios de tumulto, Cruvinel reforçou a importância de manter o diálogo constante com os produtores dos blocos e melhorar ainda mais para o próximo ano.
“É uma forma de eles compreenderem nossas sugestões quanto aos locais, às rotas de saída e ao entorno, além de reforçarmos a atuação das forças de segurança para garantir uma entrega qualificada. Embora o público tenha sido superior ao esperado, o bloco [Marinada] transcorreu dentro da normalidade. Mesmo sem cumprir todo o percurso ou se deslocar, em respeito à quantidade de foliões, evitamos qualquer situação de risco”, afirmou.
Em nota ao BHAZ, a Belotur informou “que as estimativas de público dependem do levantamento realizado pelas forças de segurança e pelos órgãos envolvidos na operação do Carnaval, com base em metodologias técnicas e no cruzamento de informações seguem em processo de consolidação”.
PBH não pode limitar artistas
Já em relação às críticas à distribuição de recursos, o presidente da Belotur informou que a Prefeitura de BH (PBH) não contratou artistas nacionais para o Carnaval. Conforme ele, o investimento foi destinado aos blocos de rua, escolas de samba e blocos caricatos.
Neste ano, além da mineira Marina Sena, BH contou com apresentações de artistas como Michel Teló, Xamã, Nattan, Valesca Popozuda e Luísa Sonza.
“O Carnaval de BH tomou uma grande proporção. Não temos um mecanismo para proibir ou cercear o uso do espaço urbano. Esses artistas vêm por conta própria, atraídos pela visibilidade que o Carnaval de Belo Horizonte alcançou. Alguns, inclusive, participam em colaboração com outros blocos, como foi o caso de Luísa Sonza no Bloco dos Gêmeos. São parcerias que acontecem sem qualquer contratação por parte da PBH”, explicou.
Em 2026, o subsídio destinado ao Carnaval foi de cerca de R$ 6 milhões, além do apoio indireto com estrutura, sinalização, banheiros químicos e operação de trânsito. O valor representa um aumento de 8% em relação a 2025.
“O investimento de BH é, inclusive, superior ao de outras capitais do país, como São Paulo. Lá, o aporte foi de R$ 2,5 milhões, enquanto aqui, somente para os blocos de rua, foram R$ 3,3 milhões em subsídios”, destacou.
Estrutura
Cruvinel também explicou que a estrutura dos banheiros químicos aumentou 20% comparado ao ano passado, com unidades fixas e móveis. “BH foi a capital com o maior número de banheiros por pessoa. Porém, essa questão passa por uma sensibilização e conscientização do cidadão e da folia. Vimos que, mesmo em locais onde os banheiros estavam próximos aos foliões, eles ainda usavam locais indevidos e inadequados”, reiterou.
Na limpeza urbana, equipes da SLU trabalharam durante todo Carnaval e, um dos destaques, foi o projeto ReciclaBelô que recolheu cerca de 50,4 toneladas de materiais recicláveis durante os dias de folia.
O presidente da Belotur ressaltou que o Carnaval de BH conta com um perfil diurno, o que contribui para a segurança dos foliões. “A ideia é que moradores e visitantes possam retornar para suas casas com tranquilidade”, explicou.
Os blocos de Carnaval ainda desfilam nesta quarta-feira (18), e a programação oficial da folia segue até o próximo domingo (22), quando os cortejos encerram oficialmente o Carnaval em BH.








