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FOTOS: Angola Janga transforma Carnaval de BH em ato de celebração e resistência negra

Foto: Vitor Villaça

O domingo (15) foi de afirmação, resistência e celebração da cultura negra nas ruas de Belo Horizonte. O bloco Angola Janga desfilou pela Avenida Amazonas, levando tambores, cantos e referências à ancestralidade africana, transformando o cortejo em um manifesto contra o racismo e a favor do protagonismo negro no Carnaval.

Com forte presença de batuqueiros, dançarinos e foliões que se reconhecem na proposta do bloco, o Angola Janga ocupou as ruas com estética, ritmo e discurso. Cada batida ecoou como um chamado à valorização das raízes africanas que sustentam o próprio Carnaval brasileiro. A mensagem foi clara: celebrar é também resistir.

A história do bloco nasce dessa necessidade. Lucas Jupetipe e Nayara Garófalo já viviam intensamente o Carnaval da capital e, a partir de 2011, passaram a integrar baterias de blocos da cidade. Em 2015, porém, um episódio de racismo sofrido por Lucas durante um desfile mudou o rumo da trajetória do casal.

“Eu estava tocando num bloco famoso da cidade, que até homenageia dois cantores negros. Estava na bateria e alguém puxou o meu cabelo pensando que era uma peruca. Puxaram meu cabelo e ficaram rindo”, conta Lucas, que usava o cabelo Black Power naquele dia.

O episódio escancarou não apenas o racismo, mas também a falta de protagonismo negro em muitos espaços da folia. A resposta veio em forma de organização. “A gente precisava de um espaço seguro, assim como existe um espaço seguro para as mulheres, para as questões LGBTQIAP+. Nós resolvemos criar um espaço exclusivamente para quem se autodeclarava negro”.

Veja fotos do desfile:

 

Fotos: Vitor Villaça e Pedro Guimarães

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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