O Dia da Visibilidade Trans, comemorado em 29 de janeiro, será celebrado no Carnaval de BH 2026 em grande estilo. Antes denominado bloco do MovAT, o Beagá Trans vai animar a folia na Praça Sete, no Centro da capital, neste sábado (31), a partir das 14h.
O cortejo sairá da Praça Sete às 15h, percorrendo da avenida Amazonas até a rua dos Tupinambás, seguindo em direção à rua Aarão Reis. A dispersão será em frente ao Teatro Espanca, por volta das 20h.
O Beagá Trans é promovido pelo do Movimento Autônomo Trans e Travesti de Belo Horizonte e Região Metropolitana (MovAT), coletivo de pessoas trans, travestis, não binárias e cis aliadas da cidade, que atua desde 2017. O cortejo ainda marca a 9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da Grande BH.
Bateria inteiramente trans
De acordo com o MovAT, a folia será animada pela Bateria Transpira, a primeira formada por pessoas trans, regida Thalyssa Akará e Be Tymburibá, juntamente com a cantora Bahia. Além disso, artistas da cena mineira também farão participação no cortejo, além de baterias de blocos parceiros.
Segundo o jornalista e integrante do MovAT, Zaíra Magalhães, ocupar o centro de BH com uma bateria inteiramente composta por pessoas trans carrega um simbolismo, sobretudo, político. “Artisticamente é para demonstrar que nós temos grandes artistas na cidade que são pessoas trans e nem sempre nós estamos nos projetos, nos editais, nos espaços em que circula o dinheiro”, desabafou. “A celebração da vida é sempre uma forma política de desobediência, justamente a essa ofensiva violenta contra as pessoas trans, novamente falando nesse ano de eleição”, completou.
“Ocupar o centro da cidade quando todas as pessoas estão olhando para lá é uma das formas mais efetivas de trazer os olhos da opinião pública de toda a sociedade para a nossa causa”, destacou.
O repertório será embalado principalmente por músicas brasileiras em ritmo de Pagodão, Ijexá, Marchinha e Funk, incluindo discotecagem com DJs e performances.
“BH É QUEM? BH É TRANS!”
Desfilando desde 2024, o bloco ocupa as ruas com novo nome neste ano. De acordo com Zaíra, a mudança para Beagá Trans ocorreu para que “mesmo as pessoas que não conhecem o nosso movimento pudessem, através do nome, identificar que esse é um bloco de pessoas trans”, disse.
Para demarcar que a comunidade trans também pertence à capital mineira, o bloco definiu a temática “BH É QUEM? BH É TRANS!”, um trocadilho com o famoso bordão “BH é quem? BH é nois”.
Conforme Zaíra, o tema surgiu em protesto às mortes violentas de mulheres trans ocorridas em 2025, como Alice Martins e Christina Oliveira. “E também porque há não muito tempo atrás, uma das vereadoras da cidade afirmou numa sessão na Câmara Municipal que pessoas trans não são bem-vindas em Belo Horizonte. Como se ela tivesse com a chave da cidade, como se ela fosse proprietária de alguma coisa, e nós pessoas trans tivéssemos menos legitimidade do que ela”, completou.
“Diante dessa ofensiva violenta, a gente traz essa resposta bem humorada de que Belo Horizonte é trans, afirmando que é uma cidade para todas as pessoas, e também dizendo que não existe um dono. A cidade é de todos. De todas as pessoas”, destacou.
A favor da mobilidade
Além de defender a causa trans, a temática deste ano também faz referência ao nome da empresa de transporte da cidade. “A gente traz esse nome também como uma manifestação política a favor da mobilidade, a favor do direito de ir e vir na nossa cidade”, explicou.
“Nosso bloco é político e a gente vem com essa manifestação apoiando a tarifa zero na cidade, contra a máfia do busão, contra o repasse do dinheiro público para a iniciativa privada para os empresários e, mais uma vez, trazendo que o direito à cidade, o direito à vida, é uma das principais reivindicações do nosso bloco de carnaval”, destacou.
Jornada da Visibilidade
Neste ano, as comemorações também incluem a Jornada da Visibilidade Trans, com uma série de atividades artísticas, educativas, de lazer, serviços e empregabilidade. As ações serão distribuídas ao longo do ano, possibilitando geração de trabalho e renda para as pessoas trans durante os 12 meses.
Outra novidade é o Festival Ori Trans Vive, marcado para 9 de maio, com programação recheada de shows, apresentações, mostras artísticas, feira de empreendedorismo e formação educativa e política. O evento é realizado por pessoas trans originárias dos diversos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ciganos, de terreiro, e outros.
Mais informações serão divulgadas no perfil @movatbh.
Então, anota aí!
9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da RMBH
Cortejo manifesto do BLOCO BEAGÁ TRANS (antigo Bloco MovAT)
- Data: 31 de janeiro
- Concentração: 14h
- Local: avenida Amazonas, ao lado do Cine Theatro Brasil, Centro – BH
- Mais informações: @blocobeagatrans
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