‘Warcraft: O Primeiro Encontro De Dois Mundos’ foca nos fãs do game e ignora o grande público

Inspirado no universo de um dos games para PC mais populares de todos os tempos, “Warcraft: O Primeiro Encontro De Dois Mundos” — principal estreia da semana — tem como alvo os restritos fãs de RPG, deixando de lado o grande e heterogêneo público de cinema.

Ao dispensar apresentações de personagens que compõem o mundo da Alta Fantasia (subgênero mais imaginativo e particular das histórias de fantasia), bem como falhar na contextualização do universo de “World of Warcraft” — jogo de RPG lançado há mais de 20 anos, e que já teve 100 milhões de jogadores no mundo —, o filme dirigido por Duncan Jones (‘Lunar’, de 2009; e ‘Contra o Tempo’, de 2011), tem grandes chances de fracassar diante da pretensão de ser uma franquia de sucesso, como “O Senhor dos Anéis”.

A propósito, a comparação com o universo de Tolkien é inevitável: guerras sangrentas entre orcs e humanos, conjuração de magias e poderosíssimos magos levaram a crítica especializada a receber o longa inspirado no universo Warcraft com o estígma de ser “O Senhor dos Anéis dos games”.

“Warcraft: O Primeiro Encontro Entre os Dois Mundos”, como sugere o nome, é apenas o começo de uma franquia. Contudo, nos próximos filmes, os roteiristas terão de corrigir as falhas de contextualização, se quiser alcançar um público mais abrangente. Caso não atenda o grande público de cinema, dificilmente “Warcraft” repetirá o triunfo das trilogias “Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”.

“Warcraft” é, contudo, um filme fan service — está a serviço dos 100 milhões de fãs do jogo. Ademais, não podia ser diferente, já que o diretor Duncan Zowie Jones, filho do lendário David Bowie, já revelou passar horas diante do PC jogando o RPG.

O filme

Por meio de um incrível trabalho técnico de captação de movimentos, “Warcraft” foi gravado com atores reais.

A técnica é a mesma utilizada em “Avatar” (2009), na qual os efeitos gráficos são inseridos e construídos com base nas imagens e movimentos captados pelas câmeras. Dessa forma, por mais fantástico e surreal que seja o universo de “Warcraft”, os personagens são mais vivazes e reais dos que os de filmes criados essencialmente através de computação gráfica.

A trama se desenrola entre os mundos dos seres grotescos orcs e os humanos. Os seres malévolos invadem o mundo dos humanos através de um enorme portal aberto na floresta. Para sorte dos exército de homens, que é comandado pelo bravíssimo Anduin Lothar (interpretado por Travis Fimmel, da série ‘Vikings’), o poderoso guardião Medivh (Ben Foster) está ao seu lado. O mago conjura extraordinários poderes para impedir o avanço das tropas inimigas, e para fechar, de vez, o portal entre os dois mundos.

Para quem aprecia filmes de fantasia e assistiu, com entusiasmo, a toda a trilogia de “O Senhor dos Anéis, e ainda manteve-se acordado durante a arrastada trilogia de “O Hobbit”, provavelmente encontrará um excelente filme em “Warcraft: O Primeiro Encontro De Dois Mundos”.

Por outro lado, aqueles que caíram de paraquedas na sala de cinema e encararam o primeiro capítulo desta batalha épica entre humanos e orcs, provavelmente sairão cheios de dúvidas e não voltarão para assistir a continuação — que deve render, pelo menos, mais dois filmes.

Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal BHAZ.