Embora o local para a construção do Palácio da Municipalidade estivesse estipulado desde 1895 no plano urbanístico de Aarão Reis, junto à Praça Raul Soares, a sede do poder executivo municipal — a prefeitura — por longo tempo funcionou provisoriamente em várias edificações que apresentaram estilos arquitetônicos diversos. Convém ressaltar que essa categoria de construção é uma daquelas que exige destaque na paisagem urbana, tanto por suas qualidades arquitetônicas quanto por sua escala, pois se trata de um relevante ponto de referência institucional e administrativo para a sociedade. Entretanto, como veremos aqui, não obstante haver ocupado vistosos edifícios, a sede definitiva do executivo municipal só se estabeleceu em meados da década de 1930, após perambular por vários endereços.
A primeira sede da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte funcionou entre 1897 e 1898 no antigo casarão da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC), que ficava na esquina da Rua General Deodoro com a Rua do Rosário — endereço do velho Arraial de Belo Horizonte (Curral del Rei). Esse imóvel, um dos mais imponentes do arraial e localizado em sua principal rua, destacava-se pela rara estatura assobradada no povoado e pela robusta arquitetura colonial, de largos beirais e janelões com vergas arqueadas. O casarão da primeira prefeitura da capital mineira, que pertenceu ao Padre Francisco de Sousa Machado nos tempos do arraial, ficava aproximadamente onde hoje é a esquina da Rua dos Timbiras com a Rua Sergipe.

Com a necessidade de demolição das construções do antigo arraial, e ainda não dispondo do planejamento para a sua própria casa, a prefeitura municipal viu-se na necessidade de mudar de endereço. Assim, para abrigar a segunda sede da municipalidade, foi escolhida uma das mais emblemáticas construções dos primeiros anos da cidade — a antiga estação ferroviária. Entre 1898 e 1901, portanto, a prefeitura dividiu suas funções com a estação — edificação eclética de inspiração medieval projetada em 1894 pelos arquitetos José de Magalhães, Edgard Nascentes Coelho e José Verdussen. O edifício, inaugurado em agosto de 1898 na Praça Rui Barbosa, além de tornar-se a porta de entrada de pessoas e produtos para a nova capital de Minas Gerais, alojou temporariamente o poder executivo municipal. É interessante destacar que, na torre da estação, foi instalado o primeiro relógio público da cidade.

Com o crescimento da cidade e a consequente intensificação do fluxo de pessoas e cargas na antiga estação, o edifício ficou pequeno para ser dividido com a prefeitura. Assim, a administração municipal novamente se viu na obrigação de buscar outro endereço para alojar suas atividades. Desta feita, o espaço escolhido foi junto ao poder executivo estadual: o andar térreo do edifício da antiga Secretaria Estadual de Agricultura, localizado na Praça da Liberdade. Nesse endereço, a terceira sede da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte teve vida mais longa do que as anteriores, pois ali permaneceu por quase dez anos, entre 1901 e 1910. O belíssimo edifício, inaugurado em 1897, foi uma das obras-primas em estilo eclético projetadas pelo arquiteto José de Magalhães para abrigar as secretarias de Estado na Praça da Liberdade, quando da transferência da capital mineira de Ouro Preto para Belo Horizonte. Atualmente, o imóvel abriga o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).

Passados dez anos na Praça da Liberdade, a Prefeitura Municipal teve que deixar o prédio da Secretaria de Estado e se transferir para a sua quarta sede, que foi outro prédio pertencente ao governo de Minas, uma das antigas residências de secretários de Estado, localizado na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua dos Aimorés. O Palacete do Secretário das Finanças de Minas Gerais, vistosa obra de feição eclética com uma bela fachada de inspiração neoclássica, foi construído em 1897 com projeto do ilustre arquiteto Edgard Nascentes Coelho, sendo, portanto, uma das primeiras casas nobres da capital mineira. Entre 1910 e 1936, o edifício abrigou a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e, a partir de 1938, começou a ser ocupado pelo Arquivo Público Mineiro.

Após sua mais longa estadia provisória — 26 anos no endereço da Avenida João Pinheiro —, finalmente o poder executivo municipal tratou de construir sua sede própria, e o fez em grande estilo, mudando-se para um belo edifício Art Déco que viria a ser inaugurado em 1937 na principal avenida da capital, a Afonso Pena. Para conceber sua nova casa, o Palácio da Municipalidade, a prefeitura lançou um concurso público de projetos arquitetônicos, vencido por dois dos mais renomados profissionais de então, Luiz Signorelli e Raffaello Berti. Conforme declaração do próprio Signorelli, na Revista Arquitetura, em julho de 1935, “[…] a fachada principal lançada em linhas modernas e obedecendo na sua estrutura e no seu conjunto os moldes da arquitetura contemporânea, salienta-se pela imponência do seu torreão lateral esquerdo, vazado por grandes vitrais de concreto armado.” E assim, desde 1937, a prefeitura municipal tomou lugar em um dos ícones da arquitetura Art Déco do país, que se consolidou como um dos principais marcos urbanos da Avenida Afonso Pena.

Por fim, vale recordar que, já no século XXI, o espírito mutante da Prefeitura Municipal de BH quase a colocou em outra sede, desta vez com uma arquitetura de feição contemporânea. Em 2014, a PBH realizou o Concurso Nacional de Arquitetura para o Centro Administrativo de Belo Horizonte, que seria construído no estacionamento da rodoviária, na Praça Rio Branco. Na ocasião, entre as 80 propostas recebidas, o júri escolheu o projeto de um dos mais destacados arquitetos mineiros, Gustavo Penna, que venceu o certame com uma arrojada arquitetura de grande apelo metropolitano. O projeto previa 100 mil metros quadrados de construção distribuídos em 13 andares apoiados sobre monumentais pilotis. No entanto, os anos se passaram, o projeto não se concretizou, e a tradicional sede mantém-se em pleno funcionamento no seu exuberante edifício Art Déco da Av. Afonso Pena.












