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A arquitetura de três bibliotecas históricas de Belo Horizonte

05/07/2026 às 12h48 - Atualizado em 05/07/2026 às 13h07
Vista aérea da Biblioteca Pública Estadual, construída em 1961 junto à Praça da Liberdade. (Crédito: Dossiê de Tombamento, Iepha-MG).

Em 1º de julho, comemoramos o Dia Mundial das Bibliotecas, data que celebra um dos mais ancestrais espaços criados pela humanidade para reunir registros escritos sobre conhecimentos práticos, o campo das ideias e o infindável universo dos sonhos e das fantasias. Em Belo Horizonte, as bibliotecas públicas existem desde antes da inauguração da cidade e, posteriormente, passaram a ocupar edifícios emblemáticos.

Tudo começou no antigo arraial que cedeu lugar à construção de Belo Horizonte. Em agosto de 1894, os funcionários da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) criaram a Sociedade Literária de Belo Horizonte, responsável pela fundação da primeira biblioteca da então Cidade de Minas, instalada numa casa térrea de feição colonial junto ao Largo da Matriz do antigo arraial do Curral del Rei — uma autêntica representante da arquitetura vernacular.

Casa colonial do antigo Arraial do Curral del Rei, que em 1894 abrigou a biblioteca da Sociedade Literária de Belo Horizonte. (Acervo da CCNC, 1895).

O quadro de fundação da nossa pioneira biblioteca, que chegou a constituir um acervo de 850 volumes, teve como presidente honorário o engenheiro Aarão Reis, chefe da CCNC, e, entre os seus destacados integrantes, o arquiteto José de Magalhães. Segundo a professora Heliana Angotti-Salgueiro: “[…] os membros da Comissão tinham em mãos periódicos franceses, americanos, ingleses, alemães, espanhóis, do ano em curso, além de serem leitores dos grandes nomes do higienismo e do planejamento urbano internacional.” Cabe ainda mencionar que o historiador Abílio Barreto, então morador da cidade, relatou que a Biblioteca da Sociedade Literária continuou em funcionamento mesmo após 1897, ano da inauguração da nova capital mineira.

Duas décadas após a criação da biblioteca no antigo casarão colonial, Belo Horizonte viu nascer, em 1914, a sua primeira biblioteca pública, instalada em um dos cartões-postais da então jovem capital. O exuberante edifício do Conselho Deliberativo (atual Museu da Moda), obra projetada pelo arquiteto Francisco Izidro Monteiro em estilo eclético de inspiração neogótica, foi inaugurado em setembro daquele ano, já tendo em seu primeiro pavimento as instalações da biblioteca pública, que funciona até os dias atuais e integra o patrimônio cultural da cidade.

Cartão-postal do antigo Conselho Deliberativo de BH, atual Museu da Moda, onde se instalou a primeira biblioteca pública da cidade, em 1914. Imóvel tombado. (Crédito: Museu Histórico Abílio Barreto).

Já nos tempos de Juscelino Kubitschek como governador de Minas Gerais, outro edifício de localização privilegiada e arquitetura marcante na capital mineira foi planejado para abrigar uma importante “casa dos livros”. A Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, localizada na Praça da Liberdade, ao lado do Palácio da Liberdade, teve o seu projeto elaborado em 1954, com os traços do modernismo heterodoxo de Oscar Niemeyer. Contudo, devido a dificuldades orçamentárias, foi inaugurada apenas em 1961, após a obra sofrer algumas modificações em relação à concepção original do arquiteto.

A sinuosa fachada da Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerais, construída em 1961, voltada para a Praça da Liberdade. Imóvel tombado. (Crédito: Circuito Liberdade).

Ainda assim, a essência da arquitetura do mestre carioca foi preservada, sobretudo na exuberante volumetria curvilínea, que se desenvolve com suavidade pelo terreno, valorizando simultaneamente a Rua da Bahia e a Praça da Liberdade. Nessa composição de notável plasticidade, numa afirmação da união das artes, a edificação é complementada por um enorme painel do artista mineiro Amílcar de Castro, na fachada voltada para a Avenida Bias Fortes.

A fachada da Biblioteca Pública Estadual, voltada para a Av. Bias Fortes, exibe um exuberante painel do artista Amílcar de Castro. (Crédito: Arquivo Público Mineiro, 1985).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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