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A emblemática arquitetura art déco do Minas Tênis Clube

19/06/2026 às 17h42 - Atualizado em 19/06/2026 às 18h05
Edificações históricas do Minas Tênis Clube. (Crédito: Centro de Memória MTC / Ulisses Morato / Montagem).

O Conjunto Urbano da Rua da Bahia possui inegável relevância histórica para Belo Horizonte, por abranger diferentes períodos do desenvolvimento da cidade e expressar estilos arquitetônicos que vão do ecletismo ao contemporâneo. Nesse conjunto, destacam-se as edificações art déco do Minas Tênis Clube — o Prédio do Relógio e a Sede Social —, extraordinários exemplares de sua época, que atualmente integram o patrimônio cultural do município. Nesse sentido, a recorrente presença dessas edificações em cartões-postais ao longo do tempo evidencia suas trajetórias como referências na paisagem urbana da capital mineira.

A praça de esportes do Minas Tênis Clube nos anos 1940, com destaque para a proeminência da torre do Prédio do Relógio na paisagem do Bairro Lourdes. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).

O Prédio do Relógio, que marcou a inauguração da praça de esportes do Minas Tênis Clube em 1937, está implantado no centro do quarteirão ocupado pela agremiação, cujos limites são definidos pelas ruas da Bahia, Antônio de Albuquerque, Prof. Antônio Aleixo e Espírito Santo. A sua concepção arquitetônica, datada de 1935, ficou à cargo do engenheiro, construtor e artista Romeo de Paoli, profissional que teve o maior número de projetos em estilo art déco aprovados pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte nas décadas de 1930 e 1940.

A composição dessa obra — destacada pela torre central com relógios nas quatro faces, outrora visível para todo o bairro — revela as principais marcas do cosmopolita estilo art déco: volumes cúbicos, ausência de ornamentação figurativa, formas geométricas puras e escalonadas, janelas de canto e, sobretudo, feixes de relevos lineares horizontais e verticais.

O Prédio do Relógio e o antigo trampolim da piscina em 1954, composições art déco como símbolos da modernidade urbana e esportiva. (Crédito: Centro de Memória do Minas Tênis Clube).

Já a Sede Social do Minas Tênis Clube foi inaugurada em 1940, com projeto elaborado em 1937 pelos renomados arquitetos Raffaello Berti e Luiz Signorelli, dois dos professores pioneiros da Escola de Arquitetura de Belo Horizonte, fundada em 1930, a terceira do país. Essa obra, juntamente com o Prédio do Relógio, integra o grupo de projetos que expressam a ideia de metrópole moderna que se consolidou pela arquitetura em Belo Horizonte na primeira metade do século XX. Sua volumetria impõe-se na esquina por meio da implantação diagonal do seu acesso e pela linguagem futurista das torres cilíndricas envidraçadas.

A Sede Social do Minas Tênis Clube, em cartão-postal dos anos 1940, com destaque para a implantação diagonal do acesso principal na esquina da Rua da Bahia com a Rua Prof. Antônio Aleixo. (Crédito: Centro de Memória do Minas Tênis Clube).

A Sede Social conecta-se ao contexto da rua e da cidade por meio do seu tradicional restaurante, que mantém a decoração original. Sua entrada situa-se na esquina da Rua da Bahia com a Rua Professor Antônio Aleixo, e o salão estende-se até a fachada posterior, onde se encontra uma ampla varanda com vista para o parque aquático do clube.

Postal da década de 1940 mostrando o parque aquático do Minas Tênis Clube, com o antigo trampolim da piscina (à direita) e a fachada posterior da Sede Social ao fundo. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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