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Antiga Fazenda do Leitão, construção colonial que conecta BH às suas origens

20/03/2026 às 09h15 - Atualizado em 22/03/2026 às 11h50
Antiga sede da Fazenda do Leitão, construção rural de feição colonial, datada de 1883. Imóvel tombado. (Crédito: Biblioteca IBGE, 1958).

No contexto do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, surgiu, no início do século XVIII, o Arraial do Curral del Rei, típico povoamento de arquitetura e urbanização coloniais que, em 1893, já nos tempos da República, foi escolhido para dar lugar à construção da nova capital do estado. Dessa civilização de pedra, barro e madeira, restou apenas uma edificação como testemunho da sua época: a antiga sede da Fazenda do Leitão, transformada no Museu Histórico Abílio Barreto em 1943, na gestão do prefeito Juscelino Kubitschek.

A antiga fazenda, hoje integrada ao bairro Cidade Jardim, foi um dos propulsores da economia do velho arraial, que se desenvolveu como um povoado dedicado à produção agropecuária, ao comércio e também como entreposto de gado para as localidades ao seu redor. Conforme o historiador Abílio Barreto — personalidade que empresta seu nome ao museu instalado na antiga sede da Fazenda do Leitão —, desde sua origem, o arraial foi um dos mais importantes fornecedores de cereais para muitas cidades mineradoras da região, como Sabará, Santa Luzia, Caeté e Nova Lima.

Casario da Rua de Sabará, pertencente ao núcleo urbano do Arraial de Belo Horizonte, antigo Curral del Rei. (Crédito: Acervo da CCNC, 1895).

A construção da Fazenda do Leitão, datada de 1883, embora já pertencente ao período imperial, enquadra-se no contexto da arquitetura colonial mineira, que, assim como toda a arquitetura brasileira daquela época, resultou do traslado e da adaptação da arquitetura portuguesa para o Brasil, o que define o seu caráter luso-brasileiro. As sedes das fazendas coloniais mineiras, como a do Leitão, seguiam um esquema construtivo semelhante ao dos sobrados urbanos, com a diferença de apresentarem uma generosa varanda frontal no pavimento superior e implantação isolada no terreno.

Nesses sobrados rurais, o pavimento térreo era destinado aos serviços da casa e ao armazenamento de produtos da fazenda, bem como às acomodações de trabalhadores e escravos. O segundo pavimento era ocupado pela residência da família do fazendeiro. O acesso à moradia se dava por uma escada externa, que conduzia as pessoas a uma grande varanda frontal no segundo pavimento, a qual, por sua vez, se conectava diretamente com a entrada da casa, com um quarto de hóspedes e com uma capela.

A antiga sede da Fazenda do Leitão, antes de ser restaurada para abrigar o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), localizado na esquina das ruas Josafá Belo e Bernardo Mascarenhas, no bairro Cidade Jardim. (Crédito: MHAB, anos 1930).

A antiga sede da Fazenda do Leitão, erguida nos arrabaldes do Curral del Rei, seguiu praticamente esse esquema construtivo da arquitetura rural mineira, sem registros da capela, tendo como destaque a marcação das fachadas pelas peças de madeira, formando um elegante enquadramento dos vãos, além da ampla e acolhedora varanda frontal. Nessa obra, encontramos o típico sistema construtivo colonial mineiro, com estrutura independente de madeira e vedações com painéis de pau a pique, além da cobertura com telhas de barro e largos beirais.

Atualmente, a par de oferecer aos seus visitantes uma apreciação minuciosa dos sistemas construtivos do único exemplar arquitetônico das origens mais remotas de Belo Horizonte, a sede do Museu Histórico Abílio Barreto exibe, em seu pavimento térreo, uma interessante maquete que resgata a feição urbana, o casario e os templos do velho Arraial do Curral del Rei.

Maquete do antigo Arraial do Curral del Rei, exposta no Museu Abílio Barreto. Ao centro, o Largo da Matriz, onde se destacava a antiga Igreja N. S. da Boa Viagem. (Crédito: Arquivo Público Mineiro, s.d.).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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