No contexto do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, surgiu, no início do século XVIII, o Arraial do Curral del Rei, típico povoamento de arquitetura e urbanização coloniais que, em 1893, já nos tempos da República, foi escolhido para dar lugar à construção da nova capital do estado. Dessa civilização de pedra, barro e madeira, restou apenas uma edificação como testemunho da sua época: a antiga sede da Fazenda do Leitão, transformada no Museu Histórico Abílio Barreto em 1943, na gestão do prefeito Juscelino Kubitschek.
A antiga fazenda, hoje integrada ao bairro Cidade Jardim, foi um dos propulsores da economia do velho arraial, que se desenvolveu como um povoado dedicado à produção agropecuária, ao comércio e também como entreposto de gado para as localidades ao seu redor. Conforme o historiador Abílio Barreto — personalidade que empresta seu nome ao museu instalado na antiga sede da Fazenda do Leitão —, desde sua origem, o arraial foi um dos mais importantes fornecedores de cereais para muitas cidades mineradoras da região, como Sabará, Santa Luzia, Caeté e Nova Lima.

A construção da Fazenda do Leitão, datada de 1883, embora já pertencente ao período imperial, enquadra-se no contexto da arquitetura colonial mineira, que, assim como toda a arquitetura brasileira daquela época, resultou do traslado e da adaptação da arquitetura portuguesa para o Brasil, o que define o seu caráter luso-brasileiro. As sedes das fazendas coloniais mineiras, como a do Leitão, seguiam um esquema construtivo semelhante ao dos sobrados urbanos, com a diferença de apresentarem uma generosa varanda frontal no pavimento superior e implantação isolada no terreno.
Nesses sobrados rurais, o pavimento térreo era destinado aos serviços da casa e ao armazenamento de produtos da fazenda, bem como às acomodações de trabalhadores e escravos. O segundo pavimento era ocupado pela residência da família do fazendeiro. O acesso à moradia se dava por uma escada externa, que conduzia as pessoas a uma grande varanda frontal no segundo pavimento, a qual, por sua vez, se conectava diretamente com a entrada da casa, com um quarto de hóspedes e com uma capela.

A antiga sede da Fazenda do Leitão, erguida nos arrabaldes do Curral del Rei, seguiu praticamente esse esquema construtivo da arquitetura rural mineira, sem registros da capela, tendo como destaque a marcação das fachadas pelas peças de madeira, formando um elegante enquadramento dos vãos, além da ampla e acolhedora varanda frontal. Nessa obra, encontramos o típico sistema construtivo colonial mineiro, com estrutura independente de madeira e vedações com painéis de pau a pique, além da cobertura com telhas de barro e largos beirais.
Atualmente, a par de oferecer aos seus visitantes uma apreciação minuciosa dos sistemas construtivos do único exemplar arquitetônico das origens mais remotas de Belo Horizonte, a sede do Museu Histórico Abílio Barreto exibe, em seu pavimento térreo, uma interessante maquete que resgata a feição urbana, o casario e os templos do velho Arraial do Curral del Rei.












