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Antônio da Costa Christino, um talentoso arquiteto lusitano em BH

29/01/2026 às 13h33 - Atualizado em 31/01/2026 às 08h54
Antiga propriedade de Augusto Tameirão, Av. Assis Chateaubriand, n. 194, projetada por Christino em 1916. Imóvel tombado. (Crédito: Rafael Caldeira, 2025).

O arquiteto e construtor Antônio da Costa Christino (1869–1932), nascido em Portugal, foi um prestigiado profissional que atuou em Belo Horizonte entre 1911 e 1932, período no qual aprovou junto à Prefeitura Municipal mais de 350 notáveis projetos arquitetônicos, somente no perímetro urbano delimitado pela Avenida do Contorno.

Na capital mineira, conforme anúncios da época, sabe-se que o arquiteto teve seu escritório instalado em pontos de destaque da região central, tais como: a Avenida Afonso Pena, n. 598, sobrado; a Rua dos Carijós, n. 408, sala 3; e a Rua dos Guaranis, n. 256. Desses endereços de trabalho saíram projetos de edificações residenciais, religiosas, comerciais e de serviços que contribuíram para a formação da paisagem urbana dos primeiros tempos da cidade, elaborados em sofisticadas composições ecléticas.

Anúncio do escritório de Christino no Almanak Laemmert, em 1924. (Crédito: Acervo da Biblioteca Nacional).

Ao longo da sua produtiva carreira, o arquiteto português foi contratado por renomadas instituições e personalidades belo-horizontinas, tais como o escritor Avelino Fóscolo; os médicos Alfredo Balena e Borges da Costa; o empresário Felício Rocho; o advogado e professor Estevão Pinto; o coronel Sinfrônio Brochado; o América Futebol Clube; a Cúria Metropolitana; a Imprensa Oficial; a Colônia Portuguesa; a Igreja Presbiteriana; o Colégio Imaculada Conceição, entre outros.

O chalé do médico Alfredo Balena (ao centro), que ficava na Av. Afonso Pena, n. 1500, foi projetado pelo arquiteto Christino em 1913. Imóvel demolido. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução).
O antigo palacete do professor Estevão Pinto (esq.), projetado por Christino em 1913, ficava na esquina da Av. Afonso Pena com a R. São Paulo. Imóvel demolido. (Crédito: Arquivo Público Mineiro, 1930).

Por outro lado, não foram raros os projetos elaborados pelo arquiteto destinados à construção de simples moradias térreas e de pequenos estabelecimentos comerciais, situados em bairros como Lagoinha, Horto, Santa Tereza, Floresta e Centro. Entre esses casos, merece menção o Bar do Orlando — considerado o mais antigo de Belo Horizonte —, instalado numa construção térrea de modesta escala, situada na Rua Alvinópolis, n. 460, no Bairro Santa Tereza.

O Bar do Orlando, fundado em 1919, integra uma construção térrea projetada por Christino, situada no Bairro Santa Tereza. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
Casa térrea na Rua Pouso Alegre, n. 1737, construída no Bairro Horto, em 1923, com projeto de Christino. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).

Entre os inúmeros projetos de Christino erguidos em BH, podemos destacar: o Hotel Solar (1912); a Casa de Augusto Tameirão (1916); o antigo Pavilhão Miguel Couto (1917), na Rua Álvares Maciel, esquina com a Rua Ceará; o Condomínio Álvaro José dos Santos, situado na esquina da Av. Afonso Pena com a Rua Espírito Santo, conhecido como Castelinho (1920); e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (1921), no Bairro Lagoinha. Ainda em 1921, o seu projeto para o Estádio do América Futebol Clube — o primeiro da capital, erguido no terreno que hoje abriga o Mercado Central — foi exibido nas vitrines da sofisticada loja de moda Parc Royal, situada na Rua da Bahia.

O antigo Hotel Solar (1912), localizado na Rua dos Caetés, n. 263. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
O Condomínio Álvaro José dos Santos (1920), conhecido como Castelinho, foi construído na esquina da Av. Afonso Pena com a Rua Espírito Santo. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
A Igreja Nossa Senhora da Conceição (1921), no Bairro Lagoinha. Imóvel tombado. (Crédito: Arquidiocese de BH / Reprodução).

Em 18 de agosto de 1932, o jornal Minas Gerais assim noticiou a morte do ilustre arquiteto, aos 63 anos, que foi enterrado no Cemitério do Bonfim:

No dia 15 do corrente, faleceu nesta Capital, às 9 horas, o Sr. Antônio da Costa Christino, arquiteto e construtor aqui residente.

Era membro de vários institutos e sociedades de arquitetura e artísticas, tendo os seus trabalhos sido premiados em todos os certames e exposições onde se fez representar, possuindo muitos e honrosos diplomas, que nessas ocasiões lhe foram conferidos.

Português de origem, foi grande amigo da nossa terra, perfeitamente identificado com o nosso meio e a nossa gente

Retrato de Antônio da Costa Christino. (Crédito: Ulisses Morato / DALL·E, OpenAI, 2022).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: ulisses.phd@gmail.com

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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