O arquiteto e construtor Antônio da Costa Christino (1869–1932), nascido em Portugal, foi um prestigiado profissional que atuou em Belo Horizonte entre 1911 e 1932, período no qual aprovou junto à Prefeitura Municipal mais de 350 notáveis projetos arquitetônicos, somente no perímetro urbano delimitado pela Avenida do Contorno.
Na capital mineira, conforme anúncios da época, sabe-se que o arquiteto teve seu escritório instalado em pontos de destaque da região central, tais como: a Avenida Afonso Pena, n. 598, sobrado; a Rua dos Carijós, n. 408, sala 3; e a Rua dos Guaranis, n. 256. Desses endereços de trabalho saíram projetos de edificações residenciais, religiosas, comerciais e de serviços que contribuíram para a formação da paisagem urbana dos primeiros tempos da cidade, elaborados em sofisticadas composições ecléticas.

Ao longo da sua produtiva carreira, o arquiteto português foi contratado por renomadas instituições e personalidades belo-horizontinas, tais como o escritor Avelino Fóscolo; os médicos Alfredo Balena e Borges da Costa; o empresário Felício Rocho; o advogado e professor Estevão Pinto; o coronel Sinfrônio Brochado; o América Futebol Clube; a Cúria Metropolitana; a Imprensa Oficial; a Colônia Portuguesa; a Igreja Presbiteriana; o Colégio Imaculada Conceição, entre outros.


Por outro lado, não foram raros os projetos elaborados pelo arquiteto destinados à construção de simples moradias térreas e de pequenos estabelecimentos comerciais, situados em bairros como Lagoinha, Horto, Santa Tereza, Floresta e Centro. Entre esses casos, merece menção o Bar do Orlando — considerado o mais antigo de Belo Horizonte —, instalado numa construção térrea de modesta escala, situada na Rua Alvinópolis, n. 460, no Bairro Santa Tereza.


Entre os inúmeros projetos de Christino erguidos em BH, podemos destacar: o Hotel Solar (1912); a Casa de Augusto Tameirão (1916); o antigo Pavilhão Miguel Couto (1917), na Rua Álvares Maciel, esquina com a Rua Ceará; o Condomínio Álvaro José dos Santos, situado na esquina da Av. Afonso Pena com a Rua Espírito Santo, conhecido como Castelinho (1920); e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (1921), no Bairro Lagoinha. Ainda em 1921, o seu projeto para o Estádio do América Futebol Clube — o primeiro da capital, erguido no terreno que hoje abriga o Mercado Central — foi exibido nas vitrines da sofisticada loja de moda Parc Royal, situada na Rua da Bahia.



Em 18 de agosto de 1932, o jornal Minas Gerais assim noticiou a morte do ilustre arquiteto, aos 63 anos, que foi enterrado no Cemitério do Bonfim:
No dia 15 do corrente, faleceu nesta Capital, às 9 horas, o Sr. Antônio da Costa Christino, arquiteto e construtor aqui residente.
Era membro de vários institutos e sociedades de arquitetura e artísticas, tendo os seus trabalhos sido premiados em todos os certames e exposições onde se fez representar, possuindo muitos e honrosos diplomas, que nessas ocasiões lhe foram conferidos.
Português de origem, foi grande amigo da nossa terra, perfeitamente identificado com o nosso meio e a nossa gente












