A cidade cartão-postal, uma dentre as várias que coabitam um mesmo e irrestrito lugar, é aquela que queremos levar ao mundo, retratada de forma poética num instantâneo sem imperfeições. (Bello Horizonte, Bilhete Postal)
A arquitetura é um fenômeno central na constituição do patrimônio cultural de uma cidade, uma vez que envolve moradias, palácios, templos e edifícios públicos detentores de relevância histórica e artística para a sociedade, sendo muitos deles protegidos pelo tombamento, instrumento de salvaguarda e preservação dessa categoria especial de bens materiais no Brasil.
Geralmente, a importância cultural desses bens imóveis é definida numa cidade muito antes de serem tombados. Isso ocorre quando eles se tornam cartões-postais, como aconteceu com inúmeras obras arquitetônicas de Belo Horizonte, que serviram de ilustração para peças gráficas de circulação nacional e internacional a partir de 1902.

Inúmeras edificações que integram o nosso patrimônio cultural — hoje pontos turísticos e instagramáveis da cidade — foram reconhecidas no início do século XX e eternizadas pelo olhar dos pioneiros editores de postais, como Francisco Soucasaux (primeiro editor), Olinto Belém, Estêvão Lunardi e a Casa Abílio.
Nesse contexto, nas primeiras décadas da cidade — quando a fotografia em cores ainda não era corrente —, muitos postais foram colorizados por processos artesanais, ao menos desde 1906, e desempenharam papel fundamental no reconhecimento e valorização da arquitetura de fundação de Belo Horizonte, além de contribuir para a difusão das imagens da nova capital em outras regiões.

A Casa Abílio foi uma das mais destacadas editoras de postais nos primórdios de Belo Horizonte. Na década de 1910, produziu uma série de charmosas peças gráficas com as tradicionais molduras ovais e fotos colorizadas. Para resgatar parte dessa coleção, esta coluna apresenta, a seguir, alguns cartões-postais de edificações icônicas da capital mineira.
O patrimônio arquitetônico de BH nos postais da Casa Abílio
















