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Arquitetura de cartão-postal e o patrimônio cultural de BH

20/12/2025 às 13h32 - Atualizado em 20/12/2025 às 22h47
Postal da Praça da Liberdade, anos 1910, com alguns edifícios icônicos da capital, hoje tombados. (Reprodução).

A cidade cartão-postal, uma dentre as várias que coabitam um mesmo e irrestrito lugar, é aquela que queremos levar ao mundo, retratada de forma poética num instantâneo sem imperfeições. (Bello Horizonte, Bilhete Postal)

A arquitetura é um fenômeno central na constituição do patrimônio cultural de uma cidade, uma vez que envolve moradias, palácios, templos e edifícios públicos detentores de relevância histórica e artística para a sociedade, sendo muitos deles protegidos pelo tombamento, instrumento de salvaguarda e preservação dessa categoria especial de bens materiais no Brasil.

Geralmente, a importância cultural desses bens imóveis é definida numa cidade muito antes de serem tombados. Isso ocorre quando eles se tornam cartões-postais, como aconteceu com inúmeras obras arquitetônicas de Belo Horizonte, que serviram de ilustração para peças gráficas de circulação nacional e internacional a partir de 1902.

Postal de 1910 da Imprensa Oficial (1897), Av. Augusto de Lima, n. 270. Edifício tombado, projeto da Comissão Construtora da Nova Capital. (Editora Lunardi & Machado / Reprodução).

Inúmeras edificações que integram o nosso patrimônio cultural — hoje pontos turísticos e instagramáveis da cidade — foram reconhecidas no início do século XX e eternizadas pelo olhar dos pioneiros editores de postais, como Francisco Soucasaux (primeiro editor), Olinto Belém, Estêvão Lunardi e a Casa Abílio.

Nesse contexto, nas primeiras décadas da cidade — quando a fotografia em cores ainda não era corrente —, muitos postais foram colorizados por processos artesanais, ao menos desde 1906, e desempenharam papel fundamental no reconhecimento e valorização da arquitetura de fundação de Belo Horizonte, além de contribuir para a difusão das imagens da nova capital em outras regiões.

Postal de 1909 da editora Lunardi & Machado com o Palácio da Liberdade (1897), projeto de José de Magalhães. Imóvel tombado pelo Iepha-MG em 1975. (Crédito: Lunardi & Machado / Reprodução).

A Casa Abílio foi uma das mais destacadas editoras de postais nos primórdios de Belo Horizonte. Na década de 1910, produziu uma série de charmosas peças gráficas com as tradicionais molduras ovais e fotos colorizadas. Para resgatar parte dessa coleção, esta coluna apresenta, a seguir, alguns cartões-postais de edificações icônicas da capital mineira.

O patrimônio arquitetônico de BH nos postais da Casa Abílio

A antiga Secretaria do Interior, atual Museu das Minas e do Metal, inaugurado em 1897, na Praça da Liberdade, em estilo eclético, projeto de José de Magalhães. Imóvel tombado. (Crédito: Biblioteca Nacional, década de 1910).
O Quartel do 1º Batalhão da Brigada Policial (1899), na Praça Floriano Peixoto, em estilo eclético, projeto de Edgard Nascentes Coelho. Imóvel tombado. (Crédito: Biblioteca Nacional, década de 1910).
A antiga Secretaria da Agricultura (1897), atual Iepha-MG, então com três pavimentos, na Praça da Liberdade, em estilo eclético, projeto de José de Magalhães. Imóvel tombado. (Crédito: Biblioteca Nacional, década de 1910).
Coreto da Praça da Liberdade, inaugurado em 1913, em estilo eclético, projeto dos arquitetos Edgard Nascentes Coelho e Francisco Izidro Monteiro. Imóvel tombado. (Crédito: Biblioteca Nacional, década de 1910).
A Igreja São José, inaugurada em 1912 com projeto do arquiteto Edgard Nascentes Coelho, em estilo eclético de influência neogótica. Imóvel tombado. (Crédito: Acervo da Biblioteca Nacional, década de 1910).

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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