Originalmente denominada Tocantins, a Avenida Assis Chateaubriand, que rasga o Bairro Floresta entre o Viaduto Santa Tereza e a Avenida do Contorno, abriga um precioso acervo arquitetônico que evoca a história de uma das mais tradicionais regiões da capital mineira. O atual nome da avenida foi adotado em homenagem ao homem que construiu um verdadeiro império de comunicação no Brasil e que, no final dos anos 1960, transferiu para o local os estúdios da TV Itacolomi e das rádios Guarani e Mineira.

As edificações dessa via foram erguidas desde os primeiros anos da cidade, em fins do século XIX, quando muitos moradores a escolheram em função da proximidade com a estação ferroviária e o Centro, dos ares bucólicos que então caracterizavam o bairro e da facilidade de acesso proporcionada pelas linhas de bonde. Com o passar do tempo, a avenida consolidou-se como uma vitrine para a expressão do talento de arquitetos de várias gerações, reunindo requintadas obras que ainda ornam suas margens.
Nos extremos da Assis Chateaubriand, foram erguidas duas exuberantes obras de uso público que se destacam na paisagem: o Edifício Chagas Dória e o Grupo Escolar Barão de Macaúbas. Ao longo da via, belos casarões completam esse expressivo conjunto arquitetônico. Façamos, a seguir, um breve passeio arquitetônico pela avenida.
Grupo Escolar Barão de Macaúbas

Esse edifício teve sua construção iniciada em 1921 e foi inaugurado em 1924, em estilo eclético de influência neoclássica, com um projeto arquitetônico cuja autoria ainda não foi identificada. O imóvel possui tombamento municipal e estadual, tendo como destaque a escadaria central, guarnecida por balaustrada e aberta em arco em direção ao passeio. Embora a ornamentação figurativa seja comum no estilo, ela praticamente não está presente nesta edificação.
Casarão Vito Tanese Carusi

Construção em estilo eclético tardio, com influências californiana e do estilo pradaria, marcado pela horizontalidade e pelos amplos beirais. Foi projetada em 1946 pelo arquiteto Virgílio de Castro, por encomenda de Vito Tanese Carusi. Tombado pelo patrimônio cultural do município, o imóvel atualmente abriga o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). No passado, funcionou como sede da Rede Minas de TV por dez anos, entre 1984 e 1994.
Sobrado Augusto Tameirão

Tombado como patrimônio cultural do município, este majestoso sobrado foi projetado em 1916 pelo arquiteto Antônio da Costa Christino por encomenda de Augusto Tameirão. Sua fachada é uma típica expressão do estilo eclético de inspiração neoclássica, que marcou a fundação de Belo Horizonte. Essa corrente arquitetônica originou-se na Europa no final do século XIX e foi difundida mundialmente pela Escola de Belas Artes de Paris.
Solar Canaã

Casarão em estilo neocolonial, projetado em 1936 pelo arquiteto Caetano Defranco. O imóvel, que pertenceu ao advogado Américo Gasparini, é tombado como patrimônio cultural e apresenta elementos inspirados nas arquiteturas barroca e rococó, como frontão ondulado, volutas, vergas arqueadas nas portas e janelas, colunas salomônicas (torsas), pinhas decorativas, telhado em capa e canal e cimalhas nos beirais.
Comércio e Casa Arthur Massari

Edificação térrea que pertenceu a Arthur Massari, projetada em maio de 1924 pelo arquiteto português Antônio da Costa Christino, em estilo eclético de influência neoclássica. Concebida para abrigar simultaneamente os usos residencial e comercial, uma combinação comum na época, a construção é tombada como patrimônio cultural pelo município. O imóvel já abrigou o bar do cantor, compositor e humorista mineiro Saulo Laranjeira.
Sobrado Gabriel Galante

Essa obra, em estilo eclético de influência neoclássica, pertenceu e foi projetada em 1913 por Gabriel Galante. O imóvel tem como destaque o balcão do pavimento superior, com balaústres e porta coroada por elegante frontão curvo. Chama a atenção também a assimetria da fachada, resultado da ampliação realizada na lateral esquerda do sobrado. O imóvel é tombado como patrimônio cultural do município.
Edifício Chagas Dória

Edifício projetado em 1934 pelo arquiteto Alfredo Carneiro Santiago para abrigar o serviço social da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Foi o primeiro edifício em altura da região e tornou-se um dos marcos da arquitetura art déco da cidade e da identidade urbana do bairro Floresta. Construído pelos ferroviários da Estrada de Ferro Oeste de Minas, atualmente integra o Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da Praça da Estação e é tombado como patrimônio cultural. Atualmente, o imóvel abriga o Centro de Formação Francisca Veras, voltado à educação, à cultura e às ações dos trabalhadores sem-terra.
















