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Casa da Rua Manoel Couto, ícone modernista no Bairro Cidade Jardim

13/03/2026 às 18h05
Casa modernista da Rua Manoel Couto, projetada por Geraldo Ferreira Lima. (Crédito: Revista Arquitetura e Engenharia, 1959 / restaurada por IA).

Durante a gestão do prefeito Juscelino Kubitschek em Belo Horizonte, entre 1940 e 1945, a sua administração promoveu diversas ações voltadas para o progresso urbano e arquitetônico da cidade, dentre as quais podemos destacar a construção do Conjunto da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer, e a criação do Bairro Cidade Jardim, um lugar privilegiado para a expressão da arquitetura moderna na capital mineira. Posteriormente, ambas as iniciativas foram reconhecidas como patrimônio cultural.

Vista aérea do Bairro Cidade Jardim em 1955, época da construção da Casa da Rua Manoel Couto. À esquerda, o leito do Córrego do Leitão, atual Avenida Prudente de Morais. (Crédito: APCBH).

Influenciada pelo ambiente de renovação nas artes e na arquitetura promovido na época de Juscelino Kubitschek, a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte formou uma geração de jovens arquitetos alinhados ao modernismo que, a partir dos anos 1950, criou um notável acervo de residências, muitas delas construídas no Bairro Cidade Jardim. Uma das pérolas arquitetônicas desse período foi a Casa da Rua Manoel Couto, n. 420, projetada em 1954 pelo arquiteto Geraldo Ferreira Lima para o casal Júlio de Paula e Suzana Cortez.

A casa concebida por Ferreira Lima, com a colaboração do engenheiro Andiara Rodrigues, construída na esquina das ruas Miguel Couto e César Campos, condensa, de maneira harmoniosa e expressiva, vários traços da arquitetura modernista que marcou o Brasil nesse período: plantas funcionais, com utilização de mezanino; pilar em forma de “V”; cobertura com lajes planas e inclinadas, do tipo “asa de borboleta”; abolição dos ornamentos; grandes aberturas envidraçadas; integração com o paisagismo; volume sobre pilotis; minimalismo formal; e estrutura independente em concreto armado.

Prancha do projeto arquitetônico, elaborado em 1954, com fachadas e perspectivas da casa destinada ao casal Júlio de Paula e Suzanna Cortez. (Crédito: APCBH / restaurada por IA).

A extraordinária composição formal da Casa da Rua Manoel Couto, n. 420, é certamente um dos pontos de destaque do bairro, cuja relevante paisagem arquitetônica motivou a criação do Conjunto Urbano Cidade Jardim em 2013, medida que garantiu a preservação dessa moradia e, sobretudo, do valoroso acervo de habitações modernistas dessa região.

Vista da casa modernista onde residiu o casal Júlio de Paula e Suzanna Cortez, a partir da Rua Manoel Couto. (Crédito: Acervo da família / Tomaz Chaves).
Vista da casa modernista que pertenceu ao casal Júlio de Paula e Suzanna Cortez, a partir da Rua César Campos. (Crédito: Acervo da família / Tomaz Chaves).
Vista da casa modernista onde residiu o casal Júlio de Paula e Suzanna Cortez, a partir de outro ângulo da Rua Manoel Couto. (Crédito: Acervo da família / Tomaz Chaves).
Sobre o arquiteto Geraldo Ferreira Lima
O arquiteto Geraldo Ferreira Lima em ambiente familiar. (Crédito: Acervo da família / Ana Tereza Corrêa).

A biografia profissional de Geraldo Ferreira Lima, formado pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA-UFMG) em 1954, mostra-se bastante singular e inspiradora. Ele iniciou a sua trajetória na arquitetura aos 14 anos, como auxiliar de escritório do ilustre arquiteto Luiz Pinto Coelho, onde tornou-se desenhista.

Posteriormente, Ferreira Lima trabalhou com renomados arquitetos da capital mineira, como Sylvio de Vasconcellos e Raphael Hardy Filho, e atuou ainda no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, superintendência de Minas Gerais. Essas experiências o levaram a ingressar no curso de Arquitetura, obtendo o diploma em 1954.

Já em 1959, com apenas cinco anos de formado, Lima tornou-se professor na EA-UFMG, onde lecionou Desenho Arquitetônico até 1987. Paralelamente, projetou diversas casas e várias construções em altura, como os edifícios Ipê (1954), São Lucas (1958), Pilar (1961), Medeiros Cruz (1961), Itapoã (1966), Alasca (1967), Canopus (1968) e Mendes Campos (1972).

O arquiteto, figura humana e profissional muito querida e respeitada pelos colegas, alunos e familiares, faleceu em março de 2024, aos 96 anos.

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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