Durante a gestão do prefeito Juscelino Kubitschek em Belo Horizonte, entre 1940 e 1945, a sua administração promoveu diversas ações voltadas para o progresso urbano e arquitetônico da cidade, dentre as quais podemos destacar a construção do Conjunto da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer, e a criação do Bairro Cidade Jardim, um lugar privilegiado para a expressão da arquitetura moderna na capital mineira. Posteriormente, ambas as iniciativas foram reconhecidas como patrimônio cultural.

Influenciada pelo ambiente de renovação nas artes e na arquitetura promovido na época de Juscelino Kubitschek, a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte formou uma geração de jovens arquitetos alinhados ao modernismo que, a partir dos anos 1950, criou um notável acervo de residências, muitas delas construídas no Bairro Cidade Jardim. Uma das pérolas arquitetônicas desse período foi a Casa da Rua Manoel Couto, n. 420, projetada em 1954 pelo arquiteto Geraldo Ferreira Lima para o casal Júlio de Paula e Suzana Cortez.
A casa concebida por Ferreira Lima, com a colaboração do engenheiro Andiara Rodrigues, construída na esquina das ruas Miguel Couto e César Campos, condensa, de maneira harmoniosa e expressiva, vários traços da arquitetura modernista que marcou o Brasil nesse período: plantas funcionais, com utilização de mezanino; pilar em forma de “V”; cobertura com lajes planas e inclinadas, do tipo “asa de borboleta”; abolição dos ornamentos; grandes aberturas envidraçadas; integração com o paisagismo; volume sobre pilotis; minimalismo formal; e estrutura independente em concreto armado.

A extraordinária composição formal da Casa da Rua Manoel Couto, n. 420, é certamente um dos pontos de destaque do bairro, cuja relevante paisagem arquitetônica motivou a criação do Conjunto Urbano Cidade Jardim em 2013, medida que garantiu a preservação dessa moradia e, sobretudo, do valoroso acervo de habitações modernistas dessa região.



Sobre o arquiteto Geraldo Ferreira Lima

A biografia profissional de Geraldo Ferreira Lima, formado pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA-UFMG) em 1954, mostra-se bastante singular e inspiradora. Ele iniciou a sua trajetória na arquitetura aos 14 anos, como auxiliar de escritório do ilustre arquiteto Luiz Pinto Coelho, onde tornou-se desenhista.
Posteriormente, Ferreira Lima trabalhou com renomados arquitetos da capital mineira, como Sylvio de Vasconcellos e Raphael Hardy Filho, e atuou ainda no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, superintendência de Minas Gerais. Essas experiências o levaram a ingressar no curso de Arquitetura, obtendo o diploma em 1954.
Já em 1959, com apenas cinco anos de formado, Lima tornou-se professor na EA-UFMG, onde lecionou Desenho Arquitetônico até 1987. Paralelamente, projetou diversas casas e várias construções em altura, como os edifícios Ipê (1954), São Lucas (1958), Pilar (1961), Medeiros Cruz (1961), Itapoã (1966), Alasca (1967), Canopus (1968) e Mendes Campos (1972).
O arquiteto, figura humana e profissional muito querida e respeitada pelos colegas, alunos e familiares, faleceu em março de 2024, aos 96 anos.











