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De hotel a centro cultural: uma edificação que resistiu ao tempo

27/03/2026 às 17h34 - Atualizado em 27/03/2026 às 21h06
Imóvel construído junto à Praça da Estação, atual Centro Cultural UFMG. (Crédito: Arquivo Público Mineiro, s.d.).

Atualmente, cerca de 1.000 imóveis históricos da capital mineira integram o patrimônio cultural do município, sendo, a um só tempo, símbolos de excelência arquitetônica e de resistência às tradicionais forças de destruição do nosso passado material. Um antigo hotel, que hoje abriga o Centro Cultural UFMG, é um desses heróis da resistência, cuja trajetória junto à Praça Rui Barbosa, mais conhecida como Praça da Estação, teve início no final do século XIX.

Essa exuberante obra, erguida em estilo eclético de influência neoclássica na esquina da Avenida Santos Dumont com a Rua da Bahia, foi iniciada em 1899 pelo português Antônio Maria Antunes, que veio de Ouro Preto (MG) para abrir, em Belo Horizonte, o seu novo empreendimento: o Hotel Antunes. Embora haja muita documentação disponível sobre o histórico desse imóvel, não se conhece o autor do seu projeto arquitetônico.

Desenho arquitetônico da fachada do Centro Cultural UFMG voltada para a Av. Santos Dumont. (Crédito: Depto. de Planej. e Projetos da UFMG, 2012).

Nos primórdios da capital, a antiga Avenida do Comércio, atual Santos Dumont, foi um atrativo natural para iniciativas do setor hoteleiro, pois estava conectada à principal porta de entrada dos viajantes que chegavam à metrópole montanhosa: a Estação Ferroviária, em funcionamento na Praça Rui Barbosa desde 1898. Nessa avenida, instalaram-se ainda os antigos Hotel do Norte (posterior Hotel Internacional) e Hotel Londres, assim como inúmeros outros na região da Praça da Estação.

Vista da Avenida do Comércio (atual Santos Dumont), a partir da Praça da Estação. Na esquina com a Rua da Bahia, nota-se o prédio do antigo Hotel Antunes, à direita, e o antigo Hotel do Norte, à esquerda. (Crédito: Cartão-postal / Reprodução, s.d.).

No entanto, por não dispor de recursos para a finalização das obras, em 1905 o senhor Antunes vendeu o imóvel ao governo estadual, que concluiu a sua construção e, em 1906, nele instalou o 2º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais. Ao longo do tempo, a edificação teria ainda outros destinos: em 1911, foi cedida à Escola Livre de Engenharia, que ali inaugurou a sua primeira sede; em 1927, foi incorporada pela então Universidade de Minas Gerais (UMG), passando a funcionar como Instituto de Eletrotécnica, onde permaneceu até 1981.

A antiga Escola de Engenharia (atual Centro Cultural UFMG), construção em estilo eclético iniciada em 1899 para abrigar o Hotel Antunes. (Crédito: UFMG).

Já em 1988, conquistando a sua condição de permanência definitiva na paisagem urbana de Belo Horizonte, a construção foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), sendo transformada, em 1989, no Centro Cultural UFMG, cuja função é mantida até os dias atuais, cumprindo relevante papel na promoção de atividades artístico-culturais na cidade. Posteriormente, em 1995, reforçando a sua condição de obra dotada de grande expressão histórica e arquitetônica, também foi tombada pela municipalidade.

O Centro Cultural UFMG, fachada da Avenida Santos Dumont. Imóvel tombado nas esferas municipal e estadual. (Crédito: C.C. UFMG).

A edificação se destaca pelas suas expressivas fachadas, alinhadas ao passeio e marcadas por janelas ritmadas em arco pleno; pelos arremates com vasos nos seus coroamentos; e pelos frontões que pontuam as suas extremidades, a esquina e o acesso principal, voltado para a Avenida Santos Dumont, compondo um conjunto de forte presença na paisagem urbana da Praça da Estação.

Editado por: Ulisses Morato

Ulisses Morato

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.
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Ulisses Morato

Email: [email protected]

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em construção civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado.

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