Atualmente, cerca de 1.000 imóveis históricos da capital mineira integram o patrimônio cultural do município, sendo, a um só tempo, símbolos de excelência arquitetônica e de resistência às tradicionais forças de destruição do nosso passado material. Um antigo hotel, que hoje abriga o Centro Cultural UFMG, é um desses heróis da resistência, cuja trajetória junto à Praça Rui Barbosa, mais conhecida como Praça da Estação, teve início no final do século XIX.
Essa exuberante obra, erguida em estilo eclético de influência neoclássica na esquina da Avenida Santos Dumont com a Rua da Bahia, foi iniciada em 1899 pelo português Antônio Maria Antunes, que veio de Ouro Preto (MG) para abrir, em Belo Horizonte, o seu novo empreendimento: o Hotel Antunes. Embora haja muita documentação disponível sobre o histórico desse imóvel, não se conhece o autor do seu projeto arquitetônico.

Nos primórdios da capital, a antiga Avenida do Comércio, atual Santos Dumont, foi um atrativo natural para iniciativas do setor hoteleiro, pois estava conectada à principal porta de entrada dos viajantes que chegavam à metrópole montanhosa: a Estação Ferroviária, em funcionamento na Praça Rui Barbosa desde 1898. Nessa avenida, instalaram-se ainda os antigos Hotel do Norte (posterior Hotel Internacional) e Hotel Londres, assim como inúmeros outros na região da Praça da Estação.

No entanto, por não dispor de recursos para a finalização das obras, em 1905 o senhor Antunes vendeu o imóvel ao governo estadual, que concluiu a sua construção e, em 1906, nele instalou o 2º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais. Ao longo do tempo, a edificação teria ainda outros destinos: em 1911, foi cedida à Escola Livre de Engenharia, que ali inaugurou a sua primeira sede; em 1927, foi incorporada pela então Universidade de Minas Gerais (UMG), passando a funcionar como Instituto de Eletrotécnica, onde permaneceu até 1981.

Já em 1988, conquistando a sua condição de permanência definitiva na paisagem urbana de Belo Horizonte, a construção foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), sendo transformada, em 1989, no Centro Cultural UFMG, cuja função é mantida até os dias atuais, cumprindo relevante papel na promoção de atividades artístico-culturais na cidade. Posteriormente, em 1995, reforçando a sua condição de obra dotada de grande expressão histórica e arquitetônica, também foi tombada pela municipalidade.

A edificação se destaca pelas suas expressivas fachadas, alinhadas ao passeio e marcadas por janelas ritmadas em arco pleno; pelos arremates com vasos nos seus coroamentos; e pelos frontões que pontuam as suas extremidades, a esquina e o acesso principal, voltado para a Avenida Santos Dumont, compondo um conjunto de forte presença na paisagem urbana da Praça da Estação.











