Nas primeiras décadas de sua existência, Belo Horizonte assistiu a peculiares trocas de funções em algumas das suas mais exuberantes edificações públicas. Lembremos do Colégio Arnaldo, que foi projetado para ser a Feira Permanente de Amostras, e do Grupo Escolar Afonso Pena, que surgiu da junção de dois palacetes residenciais. Contudo, tais alterações mantiveram o alto nível das propostas arquitetônicas originais.
Além dos casos mencionados, temos ainda aquele que é um dos exemplos mais emblemáticos desse titubear na destinação dos edifícios oficiais: o atual Instituto de Educação de Minas Gerais, cujas instalações foram inicialmente utilizadas pelo Fórum e Tribunal da Relação e, posteriormente, acolheram uma escola de admirável arquitetura.
Essa edificação — localizada na Rua Pernambuco, n. 47, Bairro Funcionários — originalmente foi projetada pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho em estilo eclético de influência neoclássica, e as obras tiveram início em 1897. O imóvel foi erguido pelo governo estadual para abrigar o Ginásio Mineiro. No entanto, ao ser inaugurado em 1898, suas dependências foram ocupadas pelo Fórum e pelo Tribunal da Relação — instituições do poder judiciário.

Posteriormente, em 1909, o edifício, sem maiores transformações, passou a abrigar a Escola Normal — instituição de ensino correspondente ao atual ensino médio, que formava professores do ensino primário (atual ensino fundamental). Entre 1926 e 1930, com projeto do arquiteto Carlos Santos, a construção passou por ampliação e remodelação para abrigar o atual Instituto de Educação de Minas Gerais, mantendo a elegância do estilo eclético em sua arquitetura, porém com ornamentação menos efusiva.

A grande reforma concebida por Carlos Santos teve como um dos seus destaques a presença da chamada Ordem Colossal na fachada frontal, criada no Renascimento e muito utilizada em edifícios grandiosos de várias épocas. Ela é caracterizada por imensas colunas de feição greco-romana, cuja altura é igual ou superior a dois pavimentos, como as que marcam a entrada principal do Instituto de Educação.

As colunas jônicas que definem a Ordem Colossal na entrada principal do Instituto de Educação. (Crédito: Ivan Capdeville Júnior, 2024).
Outro destaque da escola encontra-se no seu interior. O hall da entrada principal da edificação recebeu dois expressivos painéis em baixo-relevo da escultora belga Jeanne Louise Milde, que representam o ensino das artes e das ciências. Milde foi uma das precursoras da arte moderna na cidade, que veio para Minas Gerais em 1929 como integrante da Missão Pedagógica Europeia, cuja finalidade foi a reforma do ensino no estado.

Os painéis da escultora Jeanne Milde instalados no hall de entrada do Instituto de Educação em 1930: Alegoria do Ensino das Ciências, à esquerda, e Alegoria do Ensino das Artes, à direita. (Crédito: Ulisses Morato / Iepha-MG).
Numa cidade estigmatizada por constantes metamorfoses ao longo da sua história, o Instituto de Educação é uma prova viva de que, mesmo diante da necessidade de alterações arquitetônicas radicais, os imóveis podem e devem manter seu encantamento. Trata-se de um caso exemplar de reforma e ampliação que preservou a qualidade arquitetônica percebida na edificação original e ofereceu à capital mineira um espaço escolar excepcional, que hoje integra o nosso patrimônio cultural.











