O tradicional Bairro Carlos Prates já abrigou o imponente Palacete Bizzotto, outrora apontado como a mais bela residência da capital mineira. Essa obra foi erguida pelo italiano Pedro Bizzotto em 1924, num terreno que ocupava um quarteirão inteiro do bairro, delimitado pelas ruas Padre Eustáquio, Brasília, Virgínia e Teófilo Otoni, nas proximidades de onde viria a ser erguida, em 1933, a Igreja São Francisco das Chagas, com projeto dos arquitetos Luís Signorelli e Raffaello Berti.

As fachadas do palacete, em estilo eclético, com influência dos antigos chalés europeus, ricamente ornadas, exibiam generosas varandas e uma bela escadaria de mármore, ladeada por estátuas que representavam a indústria e o trabalho. Embora tenha sido uma construção de grande destaque na cidade, não se sabe o autor do projeto arquitetônico do imóvel. No entanto, é de se supor que os seus traços tenham sido delineados por um dos inúmeros arquitetos italianos que atuaram nos primórdios da cidade.

Lamentavelmente, o exuberante palacete foi demolido na década de 1960. Posteriormente, nos anos 1970, em seu lugar foi erguida a Praça de Esportes do Serviço Social do Comércio, núcleo Carlos Prates (atual Sesc Carlos Prates), uma edificação de feição moderna que teve sua composição definida pela corrente brutalista, a qual exibe grandes peças de concreto armado aparente e cujo lema pode ser traduzido pela ideia de estrutura enquanto arquitetura. Também não é conhecida a autoria do projeto arquitetônico dessa obra.

O italiano Pedro Bizzotto, um dos ilustres moradores do Bairro Carlos Prates, foi um importante empreendedor que atuou na cidade na primeira metade do século XX. Em 1896, transferiu-se com a família do Estado do Rio de Janeiro para o antigo Arraial de Belo Horizonte, passando a atuar no setor da construção civil durante a implantação da futura capital mineira, cujo traçado foi elaborado pelo engenheiro Aarão Reis.
Inicialmente, o imigrante trabalhou na serraria e carpintaria de Antônio Garcia de Paiva, na região da Praça da Estação, e, em 1908, fundou sua própria serraria e carpintaria na Rua dos Caetés, esquina com a Avenida Olegário Maciel. Dedicou sua vida ao trabalho e à família, permanecendo na capital até sua morte, em 1941. Em sua homenagem, o município batizou uma rua do Bairro Madre Gertrudes com o seu nome. A Rua Pedro Bizzotto, coincidentemente, fica nas proximidades da Escola Estadual Aarão Reis.

Por outro lado, o nome do bairro onde Bizzotto construiu seu palacete foi uma homenagem ao engenheiro Carlos Prates, que atuou na Prefeitura de Belo Horizonte e, em 1898, planejou e implantou colônias agrícolas na capital, dentre as quais aquela que recebeu o nome de Núcleo Colonial Carlos Prates. Seus primeiros moradores foram imigrantes envolvidos na construção da capital, tendo 383 italianos registrados na região em 1900. Em 2016, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural (CDPCM-BH) aprovou a proteção do Conjunto Urbano Lagoinha, Bonfim e Carlos Prates devido à sua significativa importância arquitetônica, histórica e simbólica para Belo Horizonte.











