Um programa arquitetônico presente em algumas capitais brasileiras do início do século passado, muito ligado à ideia de modernidade das atividades econômicas, foi o das chamadas Feiras de Amostras. Tratava-se de espaços criados com a função primordial de expor e difundir produtos e serviços de várias categorias, inspirados nas grandes mostras internacionais, que tiveram sua primeira realização em 1851, na Exposição Universal de Londres. Belo Horizonte, empenhada em ser uma vitrine para as riquezas minerais, agropecuárias e industriais de Minas Gerais, no começo do século XX, empreendeu o planejamento da sua primeira Feira Permanente de Amostras, cuja implementação passaria por alterações e viria a ocorrer somente em 1936.
O projeto inicial para a construção do Palácio da Feira Permanente de Amostras foi elaborado em 1900 pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho, ex-membro da Comissão Construtora da Nova Capital, tendo como endereço um quarteirão localizado junto ao cruzamento das avenidas Carandaí e Bernardo Monteiro, no Bairro Funcionários. A exuberante composição, em estilo eclético, tinha como destaque uma volumetria definida por duas alas alinhadas às avenidas, cujo encontro na esquina definia o acesso principal da edificação, ladeado por duas torres com cúpulas.

A construção planejada por Edgard Nascentes Coelho logo foi iniciada, mas acabou sendo interrompida ainda nos alicerces e permaneceu abandonada pelo poder público até 1912, quando foi doada à ordem missionária católica denominada Congregação do Verbo Divino, que concluiria as obras para ali fundar uma escola. Assim, em 1913, a partir dos alicerces da Feira de Amostras, o Padre Frederico Vienken elaborou um novo projeto arquitetônico para a instalação do Colégio Arnaldo, com uma capela anexa dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Por sua vez, a definitiva Feira de Amostras da capital mineira só veio a ser implementada em 1936 por meio de um grandioso edifício Art Déco junto à Praça Rio Branco, no Centro, onde hoje se encontra o Terminal Rodoviário.


De um modo geral, no delineamento do Colégio Arnaldo, o padre Vienken manteve as características estéticas do projeto arquitetônico original elaborado por Edgard Nascentes Coelho para a Feira de Amostras. No entanto, acrescentou dois pavimentos em cada uma das alas do edifício e uma terceira cúpula na entrada principal, tornando a edificação ainda mais suntuosa e um ponto de referência da paisagem urbana nos primórdios de Belo Horizonte. Esse monumental conjunto, inaugurado entre 1915 e 1917, foi ainda complementado em 1939 com a instalação, na fachada da esquina da Avenida Carandaí com a Avenida Bernardo Monteiro, de uma estátua em homenagem ao Padre Arnaldo Janssen, fundador da Congregação do Verbo Divino. Segundo o escritor Cyro dos Anjos, em A Menina do Sobrado, já nos anos 1920, a cidade orgulhava‑se dessa obra, observando que “Ao forasteiro exibia‑se o Colégio Arnaldo como a oitava maravilha do mundo […]”.

Por outro lado, a paisagem humana que se formou em torno do Colégio Arnaldo ao longo do tempo tornou-se também um marco cultural da capital mineira e do Brasil. Pelos bancos dessa escola passaram ilustres personagens de diversas áreas: os escritores Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Murilo Rubião e Roberto Drummond; o sociólogo e ativista Herbert de Souza (Betinho); os médicos Ivo Pitanguy e Hilton Rocha; os músicos Toninho Horta e Fernando Brant; o ex-ministro da Educação e Saúde Gustavo Capanema — criador do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) —; e ainda o ex-governador Milton Campos e os ex-prefeitos Célio de Castro e Patrus Ananias.
Não por acaso, em 1984, a edificação associada a essa tradicional instituição de ensino, que, a um só tempo, exibe o esplendor da arquitetura eclética típica dos primórdios da cidade e uma trajetória de vultosa relevância histórica para Belo Horizonte, foi reconhecida como patrimônio cultural do município.












