[Coluna do Orion] Junho deverá ser o mês da degola de Michel Temer

Ministros do TSE julgarão chapa Dilma/Temer no dia 6 de junho (Rosinei Coutinho/TSE)

O ainda presidente Michel Temer (PMDB) disse que o Brasil não vai parar, que continuará em frente, só não apontou em que direção, porque ele continua sem rumo e não sabe como sair da enrascada em que se meteu. Não há saída política, negociada pra ele, já que se nega a renunciar e um pedido de impeachment seria muito demorado. A saída mais rápida parece ser mesmo a jurídica, através do julgamento da chapa Dilma/Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral por outros ilícitos cometidos durante a campanha.

Mais do que isso, estará em jogo ali o conjunto da obra, o que fizeram não só na campanha, mas durante a vida pública deles, como sinalizam as delações e gravações, exibindo uma relação espúria entre os políticos e empresários para obterem vantagens indevidas sobre o dinheiro público.

Depois de recorrer à medida de força, não política, mas militar, desproporcional e arbitrária, para resolver um problema que é essencialmente político, Temer teve que recuar, confirmando a falta de rumos e a fragilidade.

Tudo indica que, a seis dias do final do mês, ele sobreviverá a maio, mas as duas primeiras semanas de junho serão como um primeiro passo para a degola. Previsto para o dia 6 de junho, o julgamento da chapa de Temer no TSE passou a ser visto como uma das saídas possíveis para a crise política atual. Por outro lado, Temer não está morto. Seus advogados usarão um arsenal de recursos para travar o processo, além do que qualquer ministro do TSE pode pedir de vista, para julgar melhor, e levar um mês para dar seu voto. A pressão é grande, mas pode.

Um processo de impeachment pode durar meses também. Já são 17 os pedidos de impeachment para afastar Temer, com a apresentação, nesta quinta (25), do da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em documento endossado por seções regionais de 24 estados, entre eles o de Minas, e o Distrito Federal.

Deputado estadual critica apoio da JBS a ministro do STF

O deputado estadual Alencar da Silveira (PDT) classificou como “esculhambação” a situação política do país, durante aparte no plenário da Assembleia Legislativa, ao comentar que até o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, recebeu uma mãozinha da JBS (a delatora) para virar ministro. De acordo com a suspeita, o diretor da JBS, Ricardo Saud, fez contatos com alguns senadores em favor dele.

Amigos de Fachin negam que ele tenha pedido ajuda, mas apareceram muitos colaboradores no período em que ele buscava o apoio dos 81 senadores que o sabatinaram e votaram sua indicação ao STF. De acordo com a Constituição, a indicação de ministro do STF é feita pelo presidente da República, seguida de aprovação do Senado Federal. E a JBS, por meio de seus donos, foi a maior doadora eleitoral, legal e ilegal, no país e, agora, é a maior delatora dos esquemas políticos.

Banco do Brasil devolverá R$ 1,9 bi aos depósitos judiciais

De acordo com o desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, superintendente administrativo-adjunto do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, nos próximos cinco dias úteis, deverá ser normalizado o pagamento de todos os alvarás judiciais retidos em Minas e que, segundo ele, chegam a oito mil desde janeiro deste ano.

Com isso, informou que o montante de R$ 1,9 bilhão voltará a compor o fundo de reserva para pagamento dos alvarás retidos, para os quais haverá o desembolso de cerca de R$ 150 milhões.

O Banco do Brasil já foi notificado da liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no dia 22 de maio passado, determinou a reposição do fundo de depósitos para garantir o pagamento de alvarás judiciais retidos no Estado.

A solução é parcial, porque a ação ainda será julgada pelo Supremo. A Procuradoria-Geral da República questiona a lei mineira.

(*) Orion Teixeira é jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.