Kalil tenta abrir espaço entre prefeitos, que, na maioria, preferem Zema

Kalil e Zema participaram de painel com pré-candidatos ao Governo de MG em congresso organizado pela AMM. (Asafe Alcântara/BHAZ)
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O debate dos pré-candidatos a governador com os prefeitos no congresso da Associação Mineira dos Municípios (AMM) teve de tudo um pouco. Confirmou e reafirmou algumas tendências. A primeira delas é de que não há mesmo espaço para a 3ª via nessa pré-campanha polarizada entre o governador Romeu Zema (Novo) e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD).

Outra tendência foi o favoritismo de Zema entre os prefeitos. Não foi feita pesquisa, mas há, entre eles, uma queda pelo governador, especialmente pelo pagamento de dívidas herdadas do governo anterior e outras geradas no governo atual. Ponto para Zema, que fez um plano de pagamentos que está sendo cumprido e, por isso, reconhecido pelos prefeitos.

Para reafirmar isso, no mesmo dia do evento com os prefeitos, o governador quitou as últimas três parcelas, e anunciou no evento, da dívida dos repasses dos atrasados aos municípios mineiros. “Às 8h desta quinta-feira, já estava na conta dos municípios o dinheiro que era a parte restante do acordo. A dívida agora estará nos livros de história”, apontou.

Aposta na rivalidade no interior

Se Zema marcou seu gol, Kalil também jogou com as armas que tinha e marcou presença ao fixar-se como o antiZema. Todos sabem que, no interior mineiro, é assim. Se um lado apoia um candidato, o outro fica espontaneamente com seu rival. Por isso, Kalil recorreu às caneladas um dia antes.

A polêmica repercutiu durante e depois do congresso da AMM. Na véspera do evento, Kalil chamou Zema, no estilo bate-pronto, de “débil mental” durante entrevista no Flow Podcast.

Contra essa primeira canelada, Zema caiu na conversa e retrucou dizendo que Kalil é mais do que ele e que, por sua vez, mostrou capacidade própria ao crescer como empresário. Ao contrário do rival, que, segundo ele, cresceu à sombra do pai e do Atlético Mineiro, clube que dirigiu. Foi a senha para a reação de Kalil, que, durante o encontro com os prefeitos, fez apelo ao governador para que nunca mais usasse o nome de seu pai nessa disputa que, segundo ele, deve ser entre eles e das propostas para o governo. Caso contrário, poderia também apelar para questões pessoais.

Todo esse bate-boca serviu para confirmar aos prefeitos que existem dois pré-candidatos mais competitivos, que estão em polarização. E que irão buscar o apoio do eleitor com base nesse contraponto e confronto. Zema ficou onde estava, e Kalil saiu ganhando ao ficar mais conhecido entre os prefeitos presentes, mostrando seu estilão e propostas. Ganhou também ao fazer o contraponto e apresentar-se como antiZema. Daqui pra frente será isso, será o eleitor comparando um e outro, o estilo desse e daquele, suas propostas.

Carlos Viana também boicota a si mesmo

Além desses dois, apareceu por lá apenas o tucano Marcus Pestana. Fez o dever de casa, mostrou que tem conhecimento da realidade técnica e política do estado, mas lhe falta um partido organizado e fechado com ele. E mais, a convicção de que, talvez, não seja candidato. Ainda não está certo. Se crescer, poderá levar os tucanos a uma posição de destaque na chapa de Zema.

O senador Carlos Viana (PL), apresentado como pré-candidato de Bolsonaro, contribuiu para o boicote que fazem contra ele e sua futura candidatura e não compareceu. Foi o grande derrotado pelo vexame que deu, reafirmando que sua pré-candidatura praticamente inexiste.

Apresentado como candidato de Bolsonaro, já foi fritado pelo próprio Bolsonaro em duas vezes, quando esteve aqui em Minas e fez campanha por Zema; sequer citou o nome de Viana. É um pré-candidato que não deverá ser candidato. Se for candidato, será cristianizado, para usar uma expressão comum quando o político é boicotado e isolado.

Tudo somado, foi, sem dúvida, dada a importância do evento e das lideranças municipais, o principal fato político até agora e que deverá repercutir por todo o estado. Os prefeitos levarão suas impressões e conclusões para os eleitores de suas regiões.

Comitê para tirar PBH do relaxamento

Diante do relaxamento da Prefeitura de BH, foi lançado nesta sexta(3), o comitê popular que fará gestão paralela ao desdobramento dessa fase da pandemia da Covid. O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas. Será algo semelhante ao monitoramento dos grandes veículos de imprensa do país, nos últimos dois anos, diante da omissão, negligência e negacionismo do governo federal.

Um dia antes, a prefeitura reagiu e recomendou o retorno do uso de máscaras em ambientes fechados, especialmente por conta dos aumentos dos casos de infecção. Reconheceu que a variante ômicron é a grande preocupação e que pode causar infecções e reinfecções, mesmo em pessoas já vacinadas. O último balanço registrou mais de 5 mil contaminações em 24 horas. Não dá pra relaxar, por isso será importante essa gestão paralela para orientar a população e a forçar a prefeitura a retomar o combate.

Comitê Popular da Covid é lançado em BH, na sede do Sindicato dos Jornalistas de Minas, foto Alessandra Mello

Cadê o boletim, prefeito!?

O comitê popular será integrado por várias entidades e contará com especialistas que participaram do comitê da Prefeitura, entre eles, Carlos Starling, Unaí Tupinambás, Estevão Urbano, entre outros. “Este Comitê Popular é favorável à volta da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados, a ampliar e otimizar a campanha de vacinação para a população de BH, principalmente no público de 5 a 11 anos de idade. Solicitamos também que a Secretaria Municipal de Saúde volte a publicar dados completos no seu Boletim Epidemiológico e que este volte a circular em, pelo menos, cinco dias por semana. Sem estes dados não há como enfrentar este desafio, é como navegar no escuro e sem radar”, manifestou o Comitê Popular de Enfrentamento à Covid-19 – Belo Horizonte.

Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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