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Colunas

Ministro da Saúde passou no teste e não será mais demitido por Bolsonaro

08/05/2021 às 10h40 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h43
Queiroga tentou blindar Bolsonaro na CPI da Covid. (Pedro França/Agência Senado)

A CPI da Covid do Senado virou palco de manobras, contradições, mentiras e até meio de sobrevivência política. O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, passou no teste para continuar no cargo, que parece ser a maior preocupação dele. Ao contrário do que dizia antes de virar ministro, na CPI não expôs Bolsonaro e seguidores em nada.  

Apesar de ser médico cardiologista, não quis dizer se a cloroquina, que ele reprovava antes de virar ministro, poderia ser aplicada contra a Covid-19. O que é fato e científico é que esse medicamento, como qualquer outro, não é de uso comprovado para a cura da doença.

E expôs o que é mais grave: o Ministério da Saúde não tem, até hoje, 15 meses depois da pandemia, um protocolo de tratamento da doença. Por quê!? Quem tentou fazer foi demitido, como ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, já o terceiro, o general Eduardo Pazzuello, nada fez, apenas cumpriu ordens, como um soldado cordato. Em menos de 50 dias, Marcelo Queiroga aprendeu como sobreviver no cargo.

Presidente prescreve medicamento

A condição de ter um protocolo não parece ser importante para o ministério, especialmente tendo em vista que o presidente prescreve diariamente hidrocloroquina contra a Covid-19. “E vou dizer mais, tomo coca-cola para problema de estômago”, disse Bolsonaro na última live, na quinta (7).

O que ficou claro para Queiroga é que quem tem opinião não sobrevive ali. A política é definida pelo presidente da República, que não tem conhecimento científico para cuidar e salvar vidas.

Tudo indica que Queiroga se ‘converteu’ apesar de ter capacitação técnica. Ele sabe, e já disse, que o uso da cloroquina não beneficia, e, agora em testemunho a uma comissão de inquérito, não diz sim nem não. É um caso de omissão reveladora, pois, como está em desacordo com o presidente, optou por se esquivar para não mentir nem o contrariar.

Intenção é blindar governo

O ministro fugiu de perguntas referentes ao posicionamento pessoal do presidente da República, além de recusar dar sua opinião sobre o uso da hidroxicloroquina. Não quis fazer avaliação das condições do ministério e das ações de enfrentamento à pandemia no momento em que assumiu o cargo.

Para blindar Bolsonaro, disse que não recebeu nenhuma orientação dele referente ao uso da hidroxicloroquina, mas se recusou a avaliar a posição do presidente.

“Todos nós estamos aguardando a resposta. Não tem três palavras, só tem uma: ‘sim’ e ‘não’”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). “Até minha filha de 12 anos falaria ‘sim’ ou ‘não’”, completou.

Ante a insistência do comando da CPI, disse apenas que a instância adequada para analisar essa questão seria a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS). Negou a dar sua opinião pessoal, pois disse que será instância final a dar o veredito sobre a cloroquina.

“Eu não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão. Eu não tenho conhecimento de que esteja havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão”, disse o ministro ao ser questionado.

Afirmou também disse desconhecer a existência de um “ministério paralelo”. A desconfiança da comissão é de que o presidente recebe aconselhamento de pessoas alheias à pasta para questões de saúde, como havia sugerido o ex-ministro Henrique Mandetta.

Só falta o chefe do esquema

Aqui em Minas, a CPI da Vacinação irregular vai chegando à reta final. Só falta ouvir agora o chefe dos fura-filas, da vacinação irregular, o ex-secretário da Saúde Carlos Amaral (Novo). Como ninguém até agora assumiu a responsabilidade pelo malfeito, ele terá de confessar que foi ele o autor da irregularidade. Até porque, acima dele, estão o governador Romeu Zema (Novo), que, até agora, não apareceu envolvido nessa irregularidade, e o Ministério da Saúde. O órgão federal é responsável pelo plano nacional com orientações que não foram seguidas.

Outra autoridade que não foi consultada, e com igual importância administrativa e federativa, é a Prefeitura de Belo Horizonte, que é, em última análise, a dona das vacinas que foram desviadas. Por que não fizeram? Porque sabiam que não poderiam pedir a Kalil para autorizar. Essa foi a principal razão, além da atração pelo privilégio e pelo irregular, que levou à vacinação às escondidas da prefeitura, do governador e do Ministério da Saúde.

O ex-secretário Carlos Amaral foi demitido por Zema e, por consequências óbvias, também poderá ser expulso do partido Novo por isso. Além dessa vacinação irregular, o ex-secretário ainda responderá pelos gastos da saúde na pandemia no combate à pandemia na mesma CPI e, possivelmente, na de Brasília.

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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