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[Coluna do Orion] Para garantir a sobrevivência, políticos querem aprovar o distritão.

12/08/2017 às 19h07 - Atualizado em 12/10/2021 às 22h03
Entre tapas e beijos, deputados votam a reforma eleitoral

A lógica que está guiando as mudanças propostas é a de facilitar a reeleição dos atuais deputados em 2018. O modelo é visto com desconfiança porque enfraquece os partidos, que ninguém está defendendo, e dificulta a renovação do Congresso. Quem ganha são os políticos com mandato, mesmo os com processos na Lava Jato, e figuras conhecidas, como artistas, celebridades e jogadores de futebol.

O sistema substituiria o atual modelo eleitoral, em que os votos no partido podem eleger candidatos mesmo que não tenham sido os mais votados. É o efeito Tiririca. É um banho de água fria na expectativa de renovação política.

Na verdade, é um sistema de autoproteção. “Estamos com dificuldades, então, vamos mudar as regras do jogo”. Se passar no Congresso a proposta de adotar o distritão nos pleitos de 2018 e 2020, serão eleitos os candidatos que tiverem maior votação. No sistema atual, vale a soma do número de votos de todos os candidatos e da legenda.

Já o fundo de financiamento seria público. O orçamento para o ano que vem chegaria a R$ 3,6 bilhões. Ninguém falou em reduzir custos de campanha, claro. Democracia tem custo; resta saber se os brasileiros estão dispostos a doar compulsoriamente em meio a essa crise economia.

Tudo bem que o financiamento público possa igualar todos e viabilizar o funcionamento da democracia. Mas o momento é muito ruim.

Hoje, o dinheiro público já ajuda a financiar as campanhas, porque comitês usam dinheiro do fundo partidário e o horário eleitoral em TV e rádio é pago com abatimento de impostos. Então, seria só adequar as campanhas a esse custo já existente. E tem mais, como será a distribuição entre os partidos? Vai ser igualitária ou não. E como o partido vai redistribuir o dinheiro? Tudo isso é uma porta aberta para novos escândalos e desvios.

Se o sistema em que os mais votados são eleitos, haverá uma competição infernal. Não dá para saber se vai melhorar com essa proposta, mas é bem melhor do que o retorno do financiamento empresarial.

(*) Jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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