[Coluna do Orion] Temer troca ministros de olho no TSE e na Câmara dos Deputados

Temer troca Osmar Serraglio por Torquato no Ministério da Justiça (Reprodução/JornalOpção)

Tudo que é feito na política tem algum efeito direto e indireto, nada é por acaso, especialmente, neste momento em que o presidente e todo o seu governo estão ameaçados e vivem risco de queda iminente.

A troca de pastas entre Torquato Jardim (sem partido), que era da Transparência, e Osmar Serraglio (PMDB), que era da Justiça, busca fortalecer e até, diria, qualificar o Ministério da Justiça, combalido nos tempos da operação Lava Jato. Michel Temer colocou um jurista qualificado na Justiça, que não está denunciado nem é citado em delações, além de ter bom trânsito com ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Torquato Jardim foi ministro por oito anos. É também ali que Temer será julgado na ação que pede a cassação da chapa Dilma/Temer.

Outro motivo é que Serraglio poderá ser investigado em outra operação, da ‘Carne fraca’ por conversas telefônicas com um dos envolvidos. Além disso, há muito, aliados do presidente cobravam a saída do atual ministro da Justiça por considerá-lo fraco e incapaz diante dos acontecimentos, que exigiriam pulso mais forte.

Essa é uma das razões da apreensão da Polícia Federal, que teme mudanças em seu comando e algum tipo de interferência, já que a polícia é órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Trata-se apenas de desconfianças com a mudança, mas o certo é que Temer está se preparando para o julgamento, buscando melhorar a interlocução junto ao TSE.

Segura homem-bomba

Apesar da fragilidade e da incapacidade, Temer não só demite Serraglio por outra questão. Se o fizer, ele volta para a Câmara, deixando sem mandato, portanto sem foro privilegiado, o denunciado amigo, Rodrigo Loures, aquele deputado de “boa índole”, segundo o presidente, que foi filmado correndo com uma mala de R$ 500 mil pelas ruas de São Paulo e que, segundo os delatores, eram para Temer e seu esquema. Tudo somado, ao manter Rodrigo Flores na Câmara, Temer está mandando recado para que Loures fique na sua. Sem mandato, ele poderia ser preso e negociar uma delação premiada que não interessa ao presidente e à sua defesa.

O curioso é que Serraglio, com tantos problemas, vai parar logo no Ministério da Transparência. Será que vai dar conta?

“Se gritar, não fica um, meu irmão”

Ter problemas nesse governo não é a questão, porque os depoimentos dos delatores, revelados neste mês, envolvem um punhado de ministros. Se somar as delações da Odebrecht e da JBS não sobra um ministro.

No domingo (28), artistas, políticos e movimentos esquerda reuniram cerca de 100 mil na praia de Copacabana, pedindo a saída do presidente Michel Temer e eleições diretas-já. Era dia de praia e show de boa qualidade, mas, como nas diretas-já em 1983 e 1984, o movimento vai crescendo e pode ganhar outras ruas de outras capitais, forçando, de fora para dentro, o Congresso Nacional a aprovar as diretas-já, que dependem de mudança constitucional.

De acordo com a Constituição, após dois anos de governo, a vacância na presidência deve ser definida por eleições indiretas (colégio eleitoral do Congresso Nacional). O problema maior é que, com eleições indiretas, que só acontecerão se Temer cair, claro, quem vai eleger o presidente, em nosso lugar, serão os deputados federais e senadores do Congresso Nacional mais investigado de toda a história da República brasileira e que ainda teve como presidentes Eduardo Cunha (PMDB), cassado e, hoje, preso em Curitiba, Renan Calheiros (PMDB), Rodrigo Maia (DEM) e Eunício de Oliveira (PMDB), todos investigados.

Sucessão mineira espera o destino de seus líderes

A situação de Minas, como em todo o país, é de perplexidade e de paisagem. Todos estão esperando o desfecho da maior crise política de suas lideranças, que comandavam, com controle absoluto, os destinos de seu grupo político. O mais afetado é ex-presidente nacional do PSDB e senador afastado Aécio Neves, depois que gravações o flagraram pedindo R$ 2 milhões para a JBS.

A tendência do PSDB hoje, como já dissemos aqui, é de não ter candidato próprio a governador no ano que vem, porque o partido ficou também afetado com tudo isso. Sem falar que os aliados, há muito, estão insatisfeitos com a condução centralizadora dos tucanos. Há 15 anos, vivemos no estado a mesma bipolarização nacional entre PSDB e PT pelo controle político.

Do lado do PT, ainda temos o governador Fernando Pimentel denunciado no Superior Tribunal de Justiça e pode ser julgado. Será afastado do cargo ou não? Se não ficar impedido de disputar as eleições do ano que vem, Pimentel, com a máquina na mão, poderá ser forte na disputa em um estado de dimensões continentais, com 853 municípios.

É claro que outros nomes, dentro e fora desses dois campos, poderão entrar no páreo. O ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa Dinis Pinheiro (PP) não escondem de ninguém que estão em franca pré-campanha para serem candidatos e se elegerem governador. Como estão fazendo os políticos, o melhor é aguardar.

(*) Jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.