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AVC é coisa de idoso? Descubra o que é mito sobre ‘derrame’

13/10/2025 às 19h52
Foto: Reprodução/Ebserh

Outubro chegou e, com ele, a atenção se volta para a conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral, popularmente conhecido como derrame. O dia 29 é dedicado a a chamar atenção sobre a doença. Para quem não sabe, este tema é especialmente sensível: meu esposo é um sobrevivente, e a nossa experiência me inspirou a criar o projeto de extensão @avcismosbeaga, um espaço que tem o objetivo de divulgar ciência confiável sobre o tema. 

A conscientização é vital, e os números não mentem: 

No mundo: o AVC é a segunda maior causa de mortalidade global. A Organização Mundial do AVC alerta que um em cada quatro adultos com mais de 25 anos terá um AVC durante a vida.

Os números são gigantes:100 milhões de pessoas no mundo já sofreram AVC e mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo sofrerão seu primeiro AVC este ano e, o mais triste, 6,5 milhões morrerão em consequência disso.  

No Brasil: Infelizmente, o AVC tem se mantido como a principal causa de morte em nosso país, juntamente com o infarto do miocardio. Dados do Portal de Transparência do Registro Civil  indicam 84.878 mortes por AVC em 2024. Também é a doença que causa mais incapacidade no mundo (em 2023, quase 20 mil pessoas morreram por sequelas de AVC). 

Mais do que números frios, essas estatísticas impactam a vida de milhões, inclusive aqui na nossa região. Segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS ), Minas Gerais teve 28.621 pessoas internadas por AVC e 3.430 foram a óbito em 2024. De janeiro a agosto de 2025 nosso estado registrou  2.236 mortes. 

Um alerta no Outubro Rosa: a saúde da mulher em risco 

Estamos no Outubro Rosa, focado no câncer de mama. No entanto, é fundamental salientar um dado pouco divulgado e chocante: o AVC, juntamente com o infarto, mata mais mulheres do que o câncer de mama!  Então também é um mês de cuidar do coração 

Muitas mulheres focam a prevenção apenas na saúde oncológica e negligenciam os riscos cardiovasculares, acreditando, por vezes, que o AVC e o infarto são “doenças de homem”. É um erro que custa vidas. A pressão alta, diabetes e o estresse são inimigos silenciosos que afetam a saúde feminina de forma avassaladora. Fica o alerta: a prevenção cardiovascular precisa ser prioridade no autocuidado feminino. 

Mitos do AVC: o que você precisa parar de acreditar! 

Conhecer a verdade sobre o AVC pode ser o primeiro passo para a prevenção e, crucialmente, para o socorro rápido, porque Tempo é cérebro! 

Mito 1: “AVC só acontece em idosos.” 

Embora a idade avançada seja um fator de risco, o AVC pode atingir qualquer pessoa. O que tem chocado os especialistas é o aumento de casos entre jovens no Brasil: cerca de 18% de todos os AVCs ocorrem em pessoas com idades entre 18 e 45 anos (Rede Brasil AVC ). 

O crescimento precoce da obesidade, do sedentarismo, do tabagismo e da hipertensão em adultos jovens está trazendo essa doença, antes tipicamente geriátrica, para faixas etárias cada vez menores. Os fatores de risco não escolhem idade! O controle desses hábitos e o diagnóstico precoce são essenciais em qualquer fase da vida. 

Mito 2: “Se os sintomas sumirem rápido, não foi nada sério.” 

Perigoso! Se os sinais de AVC (como boca torta, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar) aparecerem e desaparecerem em minutos, pode ter sido um AIT (Ataque Isquêmico Transitório), que muitos chamam de “mini-AVC”. O AIT é um sinal de alerta gravíssimo, pois o risco de um AVC completo nas horas ou dias seguintes é alto. Se você ou alguém presenciar esses sintomas, mesmo que sumam, ligue para o SAMU (192) imediatamente.  

Mito 3: “O AVC é doloroso.” 

Ao contrário do infarto, o AVC raramente causa dor. A maioria das pessoas que sofre um AVC não sente dor. É comum associarmos a gravidade à dor, mas os sinais mais frequentes e urgentes são a fraqueza (paralisia), a alteração da fala e o desvio da face. Não espere sentir dor para ligar para a emergência. 

Mito 4: “Posso tomar Aspirina/AAS para ajudar a tratar o AVC em casa.” 

ERRO FATAL! Embora o pricipio ativo, Ácido Acetilsalicílico, seja usado para prevenir um segundo AVC (sob orientação médica), jamais deve ser administrado em um evento agudo. Os médicos só podem receitar anticoagulantes ou trombolíticos após exames de imagem (como a tomografia) determinarem se o AVC é isquêmico (causado por coágulo) ou hemorrágico (causado por sangramento). Se o AVC for hemorrágico, a Aspirina, que afina o sangue (anticoagulante), pode piorar o sangramento e ser fatal.  

Mito 5: “O AVC é um problema do coração.” 

O AVC é um “ataque cerebral” (Brain Attack, como é chamado em inglês). O problema ocorre quando o suprimento de sangue é interrompido em uma parte do cérebro. Embora esteja ligado aos mesmos fatores de risco que afetam o coração (como a pressão e o colesterol altos), ele atinge diretamente o cérebro, exigindo atendimento e tratamento neurológico especializado. 

Mito 6: “O AVC não pode ser evitado.” 

Cerca de 80% a 90% dos casos estão ligados a fatores de risco que podemos controlar com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico. Controlar a pressão, manter uma dieta equilibrada, praticar atividade física e largar o cigarro são ações poderosas para blindar o seu cérebro. 

Neste Outubro, o melhor conhecimento que podemos ter é o reconhecimento imediato dos sinais de AVC. Lembre-se da sigla que salva – SAMU: 

  • S (Sorriso): Peça para a pessoa sorrir. A boca está torta? 
  • A (Abraço): Peça para a pessoa levantar os braços. Um deles cai ou está fraco? 
  • M (Música/Mensagem): Peça para a pessoa repetir uma frase ou cantar. A fala está arrastada ou enrolada? 
  • U (Urgência): Se notar qualquer um desses sinais, ligue para o 192. 

Para saber mais

Para aprofundar seu conhecimento sobre prevenção e reabilitação, confira a nossa cartilha completa sobre o AVC, disponível em https://heyzine.com/flip-book/f248a2acbe.html e no nosso Instagram @avcismosbeaga, e visite também a página da Associação Mineira do AVC (https://amavc.com.br/) . 

O AVC não é apenas uma questão de vida ou morte; para quem sobrevive, é uma linha divisória. As sequelas não se limitam ao corpo: elas reescrevem a rotina, o futuro e a identidade, transformando completamente a vida do paciente e de toda a família. Aja rápido, pois cada minuto roubado pelo AVC é uma página de vida que será permanentemente alterada 

Viviane Alves

Viviane Alves é bióloga, mestre em Ciências, com ênfase em Microbiologia pela Universidade Federal de Minas (UFMG), doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É professora adjunta do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, com atuação há 15 anos na instituição. Também é divulgadora científica.

Viviane Alves

Email: [email protected]

Professora da UFMG

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