Muita gente está assustada com o aumento do número de casos de febre maculosa em Minas Gerais. Já são 29 casos registrados da doença e quatro mortes confirmadas neste ano só na região metropolitana de Belo Horizonte, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Mas apesar disso é importante destacar que a febre maculosa não virou epidemia e que em todos os anos temos muitos casos nesta época.
Uma doença só é uma epidemia quando ocorre em várias regiões simultaneamente, e a febre maculosa seria considerada epidemia se estivesse ocorrendo em diferentes estados do Brasil ao mesmo tempo, o que não é o caso. Ela é sim uma endemia no Brasil, o que significa que acontece repetidamente em uma determinada região. No país, a febre maculosa é endêmica no sul e sudeste.
A doença
A febre maculosa é uma doença de notificação compulsória imediata no Brasil, o que significa que todo caso suspeito deve ser notificado às autoridades de saúde em 24 horas para que a investigação e o controle da doença possam ser iniciados.
A doença tem este nome porque tem como sintomas a febre alta e o aparecimento de manchas avermelhadas na pele (chamadas máculas). É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que resulta na Febre Maculosa Brasileira (FMB) considerada uma doença grave, com registros no norte do estado do Paraná e nos Estados da Região Sudeste. Também pode ser causada pela espécie Rickettsia parkeri, registrada em ambientes de Mata Atlântica (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará) e que causa sintomas clínicos menos graves.
A bactéria é transmitida pela picada de carrapatos, sendo o Carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) o principal vetor da doença, que também pode ser transmitida pelo carrapato marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus), e ambos ocorrem em todo o território nacional. Vale lembrar, que existem mais de 60 espécies de carrapato no nosso país que podem transmitir outras doenças como a Doença de Lyme (borreliose), a Babesiose, a Erliquiose e a Anaplasmose.
A Doença de Lyme, por exemplo, causada por bactérias do gênero Borrelia, pode ser confundida com a febre maculosa, pois além de ser transmitida pelo Carrapato-estrela tem sintomas iniciais parecidos (https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/doenca-de-lyme ).
Sintomas
Na febre maculosa os principais sintomas são febre alta que aparece de repente, dor de cabeça intensa, dor no corpo (muscular e articular), e manchas avermelhadas (exantema) que podem aparecer em todo o corpo, especialmente nas palmas das mãos e solas dos pés. Pode também haver mal-estar, náuseas, vômitos e diarreia. Os sintomas geralmente surgem de 1 a 14 dias após a picada de um carrapato infectado.

Os sintomas graves da febre maculosa, que podem levar à morte, incluem confusão mental, dificuldade para respirar, icterícia (pele e olhos amarelados – insuficiência renal), paralisia dos membros, gangrena nos dedos e orelhas (necrose periférica) e lesão no coração (miocardite). Deve haver atendimento médico imediato se você tiver febre e tiver contato com áreas de risco, pois a doença pode evoluir rapidamente para as formas graves. A taxa de letalidade é muito elevada, podendo ser maior que 80% se o tratamento com antibiótico específico não for iniciado rapidamente.
Os números
Segundo os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde o número de casos de febre maculosa vêm aumentando desde 2007, sendo que a maioria dos infectados que apresentaram sintomas tiveram contato com carrapatos e frequentaram ambientes de mata, floresta, rios e cachoeiras. A região Sudeste tem o maior número de casos, sendo 251 confirmados em 2023 e 235 em 2024. Em 2024, Minas Gerais teve 103 casos, o maior número desde 2007. Em 2023 Minas Gerais registrou 25 mortes pela doença e este numero caiu para 4 óbitos em 2024.
Todos os anos o sudeste brasileiro tem casos da febre maculosa e a temporada de outono-inverno é o período de maior incidência de carrapatos, e por isso o número de casos é maior nos meses de agosto a outubro.
A doença ocorre no brasil desde 1929, mas nosso comportamento na natureza tem contribuído cada vez mais para a alta progressiva de casos, já que a cada ano exploramos mais os ambientes naturais com ecoturismo, construção desenfreada de condomínios perto das matas e dentro delas, e assim ficamos próximos de ambientes com animais silvestres que servem de reservatório da bactéria, como as capivaras, aves que transportam os carrapatos para vários lugares, e com os próprios carrapatos que estão presentes nestes ambientes.
Como evitar
Em ambientes de matas e florestas use roupas protetoras como calças, botas de cano alto, blusas de manga comprida e, se possível, roupas brancas ou cores claras para facilitar a visualização dos carrapatos. Use repelentes. Evite vegetação alta e procure caminhar em locais com menos vegetação, evitando o contato direto com grama e matas. Verifique o corpo e as roupas após atividades em áreas rurais ou de mata e verifique os animais de estimação. Após o contato com ambientes onde pode haver carrapatos tome um banho para ajudar a eliminar a presença de carrapatos no corpo e lave as roupas.
Se encontrar carrapatos use uma pinça para removê-los, para isso segure o carrapato o mais próximo possível da pele e puxe-o para cima com firmeza, sem esmagá-lo pois isso promoverá a liberação da bactéria no local da picada, causando a infecção. Após remover o carrapato, lave o local com água e sabão.
Caso apareçam sintomas como febre, dor de cabeça ou manchas, procure uma unidade de saúde e informando sobre sua exposição com áreas de risco, pois o tratamento rápido é essencial para evitar casos graves e morte.
Importante – Não existe tratamento preventivo. Muita gente toma ivermectina dias antes de visitar lugares onde há risco de se infectar. Ela não é repelente, não impede que os carrapatos subam no nosso corpo. Ela age sim nos carrapatos que já estão na sua pele, matando ou paralisando, mas seu uso deve ser feito com prescrição médica já que pode causar intoxicação grave se a dosagem não for adequada. A prevenção é evitar o contato com o carrapato!









