TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logomarca BHAZ

Colunas

STF mantém prisão de deputado extremista e deixa Câmara em saia justa

17/02/2021 às 18h13 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h44
ministro luiz fux
O presidente do STF, Luiz Fux, e ministros decidem manter a prisão do deputado (Nelson Jr. SCO/STF)

Eles estão de volta e com força total. São aqueles que, nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden chamou, no discurso de posse, de terroristas domésticos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, agiu rápido e mandou prender, na noite de terça (16), o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL/RJ). Na tarde da quarta de cinzas (17), a Corte Suprema confirmou por 11 a zero a prisão. Agora, a decisão vai para o colo da Câmara dos Deputados, que pode revogar a prisão ou não.

Por vários motivos e um histórico cujo passado o condena, Daniel Silveira deve passar mais uma noite na cadeia, pelo menos. O principal, e mais recente, foi a série de vídeos com ataques às instituições e aos ministros do STF, além da defesa de expedientes da ditadura militar.

Caso blinda omissão com as vacinas

Embora inédita, a decisão deverá cumprir o objetivo de sustar essa onda de ataques antidemocráticos e assustar seus autores. Os autores dos ataques fazem isso a todo o momento em que Bolsonaro se sente ameaçado pelos próprios erros e equívocos, como, agora, no caso da falta de vacinas no país.

Depois dos ataques ao STF, com fogos de artifícios e outras manifestações de rua, algumas prisões, essa turma havia recuado e, agora, voltou com mais vigor. Além de ataques, ameaças e ofensas à honra dos ministros, Silveira defendeu expressamente a adoção de medidas antidemocráticas contra o Supremo, como o AI-5.

Como é sabido, o Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, marcou o recrudescimento da repressão na ditadura militar no Brasil. Com fechamento do Congresso Nacional e fim das liberdades de imprensa e de expressão que o próprio deputado usa para agredir. Ou seja, ele quer impor o estado de exceção sobre o estado de direito. Sem estado de direito, sabemos, não há democracia e, sem instituições, não há cidadania.

Efeitos políticos e jurídicos

Moraes assumiu sozinho a decisão liminar usando mistura de dois expedientes, a prisão em flagrante com elementos de prisão preventiva. No primeiro caso, o flagrante, justifica a prisão imediata para barrar os crimes tidos como inafiançáveis, de ataques às instituições e ao estado democrático. A preventiva não definiu o número de dias em que ficará preso.

Quais são os efeitos? Pelas regras da medida, após a prisão em flagrante, o detido deve passar por audiência de custódia perante um juiz para avaliar a necessidade ou não da prisão. Se foi legal ou ilegal. Esse juiz poderá ser o próprio Moraes, que, nesse caso, o mandaria para Brasília, ou delegar a algum juiz federal no Rio de Janeiro para realizar a audiência. Na tarde desta quarta (17), o plenário do STF pôs em julgamento a decisão de Moraes e confirmou a sentença.

Corporativismo em xeque

Do ponto de vista político e da Câmara dos Deputados, ele poderá ser libertado se a maioria de 257 deputados decidir revogar a prisão. Um número menor seria a manutenção da decisão. Geralmente, o corporativismo favorece os deputados e, ainda mais, em uma Câmara de perfil centro-direita e simpática ao bolsonarismo (ou poder de ocasião).

Por outro lado, assumir poderes judiciais, de manter ou desfazer uma decisão judicial, traz consequências. O voto dos deputados deverá ser aberto. É quando cada um tem que mostrar a cara na hora de votar a favor ou contra ataques antidemocráticos. É apoiar ou não um deputado que fala o que quer, amparado no direito de liberdade de expressão e nas prerrogativas de deputados que o deixam impunes.

Liberdade de expressão e consequências

De acordo com o art. 53, da Constituição, deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. No segundo parágrafo, diz que desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Aí reside a brecha pela qual Moraes o prendeu. Afinal, liberdade de expressão não tem limites, mas tem consequências. Nesse momento, o deputado está arcando com essas consequências.  

Tão importante quanto a decisão são as repercussões dela, porque o deputado, se for libertado pela Câmara, poderá voltar a cometer os crimes. E se houver outra prisão no futuro? Aí poderá haver confrontos de alto risco entre o Legislativo e o Judiciário. O dia desta quarta de cinzas e os desdobramentos dessa decisão darão um rumo sobre o que teremos aí neste ano e, no próximo, que será agravado com a sucessão presidencial.

Primeiro desafio do presidente da Câmara

O novo presidente da Câmara, Arthur Lira, passará pelo primeiro e grande teste de fogo até agora. Nessa tarde, Lira convocou reunião da Mesa Diretora da Câmara, o colegiado de 7 deputados que comanda a Casa. A partir daí, deverá traçar a estratégia de convocação de reunião do plenário, por meio de videoconferência, que poderá confirmar ou não a prisão de um dos seus.

Enquanto o mundo político discute os crimes de um deputado bolsonarista, o governo fica livre de responder e dar respostas à falta de vacinas no país. Tudo somado, ultrapassamos a trágica marca de 241 mil mortes pela Covid-19 e pela incapacidade de gestão e omissões.

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Mais lidas do dia

Adolescente morre em incêndio após briga familiar no Piratininga, em BH

foto do local onde houve um incêndio que deixou uma pessoa morta no piratininga, bh

Os 50 bairros com mais furtos e roubos de carros em BH

Pesquisa Quaest Senado Minas Gerais: quatro candidatos disputam duas vagas

datafolha senado minas gerais

Veja lista com todos os candidatos a deputado estadual em Minas Gerais

VÍDEO: Mulher é agredida com ‘voadora’ no Centro de BH

Leia mais

Siga o BHAZ nas redes sociais

TikTok
YouTube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logo BHAZ