Toda vez que encontro uma mesa de sinuca no meio de um bar, volto para a infância.
Uma das minhas primeiras lembranças da vida é dentro do bar do meu avô, o Vô Toneca. O bar não existe mais, mas basta ver uma mesa verde no centro de um salão para que eu me transporte para aquele lugar. É curioso como alguns objetos carregam esse poder. A sinuca, para mim, é um deles.
Foi essa sensação que me fez querer montar um pequeno roteiro de bares onde a sinuca continua sendo parte da experiência, às vezes como protagonista, às vezes como um detalhe que muda completamente o jeito do lugar.
Começo pelo PASTEL CAAIANA, na Galeria São Vicente, no Centro. É um bar para ir sozinha ou com turmas de amigos. Inclusive, fiquei sabendo de uma senhora que vai todos os sábados sozinha jogar sinuca por escolha própria. Ela não aceita parceiros, vai pelo próprio ritual. É um lugar muito tranquilo, confortável e que acolhe diferentes formas de estar ali.
O WHY PUB representa outro universo. Entre bandas de rock, shows e uma programação sempre movimentada, quatro mesas de sinuca dividem espaço com o palco. Em alguns dias da semana, as partidas são liberadas. Tenho um carinho especial por esse bar, foi ali, jogando sinuca, que conheci meu namorado. Posso dizer que foi uma mesa de sorte.
No TACOS, no Coração Eucarístico, a sinuca divide espaço com a essência do boteco. Mesas na calçada, transmissão de jogos e aquela movimentação típica de quem vai encontrar os amigos sem pressa para ir embora. É um lugar que também conversa com as minhas memórias da juventude, na época universitária, onde eu frequentava bastante com turmas de amigos.
A SINUCA CENTRAL, no Mercado Novo, é um dos principais polos gastronômicos da cidade, muito procurado por turistas e por jovens. Em meio a esse movimento, a sinuca entra como parte da experiência, mostrando como um jogo tradicional consegue se encaixar em propostas mais modernas sem perder sua essência.
O SANTÊ SINUCA, no bairro Santa Teresa, reforça essa ideia de que a sinuca também vive em lugares com identidade forte. Em um bairro clássico de Belo Horizonte, o bar tem uma vista bonita e um clima de permanência. Sempre traz novidades no cardápio, especialmente em períodos de frio, quando os caldos ganham destaque, e também transmite jogos de futebol, reforçando esse encontro entre comida, conversa e jogo.
Mas talvez o lugar que mais desperte minha nostalgia seja o VÊNUS BAR.
É um típico bar de bairro, daqueles em que o dono cozinha, atende, conversa com os clientes e conhece boa parte de quem entra pela porta. A decoração é construída ao longo da própria história do bar, com objetos que foram ficando com o tempo. No centro de tudo está a mesa de sinuca, protegida com uma capa para não acumular poeira. Ali, a sinuca é entretenimento, mas ela também faz parte da identidade do lugar. Talvez seja por isso que o Vênus seja o meu bar preferido para jogar hoje. Ele me lembra exatamente aquilo que procuro quando entro em um boteco. A sensação de que estou no bar e a sinuca faz parte dele, não de que estou ali somente para jogar sinuca.
Na mesma linha do WHY PUB, tem o ROTA 677, um bar de rock com programação de bandas e atrações ao vivo, onde a sinuca também aparece como parte importante da experiência. Em alguns dias, inclusive, a mesa fica liberada, reforçando esse clima de encontro entre música e jogo.
E existem ainda os clássicos onde a sinuca é a grande protagonista, como TIM BILHARES, PONTO CHIQUE, SAVASSI PRIDE e BILHARES ELITE. São lugares onde o jogo deixa de ser complemento e passa a ser o motivo principal da visita. E mesmo assim, sempre tem um petisco, uma cerveja gelada e aquele rolê que se estende sem pressa, como deve ser.
Você gosta de bares com sinuca? Se você tem o seu preferido, me conta aqui. Qual faltou nesse guia?











