O Bodegón Pardim nasceu da inquietação de um empreendedor. Lucas Pardim queria criar algo com identidade, que fugisse do formato tradicional de restaurante e tivesse mais personalidade. Quando pensou em com quem dividir a ideia, o nome veio rápido: Kiki Ferrari.
Conhecido na gastronomia mineira pela força, criatividade e personalidade marcante em todos os projetos por onde passou, Kiki era o tipo de chef que não montava apenas cardápios, mas conceitos inteiros. Do encontro dos dois surgiu a proposta de trazer para Belo Horizonte o espírito dos bodegones portenhos, casas simples, barulhentas, familiares e com comida farta, sem formalidade.
As primeiras conversas aconteceram em dezembro de 2023. O bar abriu em soft opening no dia 27 de fevereiro de 2024, na Rua José Dias Bicalho, na Pampulha, com a ideia de ser mais botecão do que restaurante. Pegou rápido. Pouco tempo depois, a história sofreu uma interrupção dura. Em abril de 2024, Kiki faleceu, ainda muito jovem, e dois dias depois a casa fechou as portas.
O projeto ficou parado por mais de um ano. Em maio de 2025, Lucas voltou a reunir ideias e decidiu dar continuidade ao bodegón, também como forma de homenagem. No dia 23 de julho de 2025, o Bodegón Pardim abriu novamente, agora no bairro de Lourdes, mantendo a essência que os dois imaginaram lá no começo.
Fui conhecer já nessa nova fase e a experiência começa do jeito que um bodegón pede, com a mesa cheia. Começamos pelas empanadas, obrigatórias e muito saborosas, daquelas que você pega mais de uma sem nem perceber. Para complementar, pedimos uma provoleta bem derretida, servida com presunto parma, tomatinhos-cereja e um pesto de bacon, ótima para ir beliscando sem pressa. À parte, ainda dividimos um ancho mal passado, no ponto certo, suculento. Comemos extremamente bem naquele dia, mas o destaque acabou ficando com as milanesas feitas com filé mignon, cobertas com queijo, ovo no ponto e outras camadas generosas por cima. São grandes, fartas e tão macias que praticamente dispensam faca, perfeitas para compartilhar. O cardápio inteiro segue essa lógica. Nada minimalista, nada gourmet, só comida boa, direta e sem firula, com vinhos e cervejas para acompanhar.
No fim, o Bodegón Pardim é um endereço para quem quer variar da mineiridade de sempre e experimentar um tempero mais portenho sem perder o jeito acolhedor de Belo Horizonte. É a continuidade da ideia do Lucas e também uma maneira de manter vivo o último projeto que Kiki Ferrari deixou na cidade.











