Se você passou por algum bloco neste Carnaval ou em qualquer outro ano provavelmente já encontrou ou ouviu falar do Catuçaí do Nandão.
Quando alguém avista o carrinho no meio do cortejo, o aviso corre rápido: “é o Catuçaí do Nandão!”. Em segundos, ele vira ponto de encontro na folia. E sempre vem aquela alegria de topar com a concha mais famosa do Carnaval: um açaí cremoso, gelado e reforçado que, como muitos foliões dizem, alimenta, hidrata e ainda tem aquele álcoolzinho pra segurar o dia inteiro de bloco.
Pra quem ainda não conhece, o Catuçaí é a mistura de catuaba com açaí e um toque de amor, como o próprio Nandão define. A combinação virou queridinha do público e acabou eleita, na prática, como a bebida que dá o gás pra curtir a festa do início ao fim.
Mais uma vez, o drink confirmou o posto de favorito: foram mais de 5 mil litros vendidos ao longo do Carnaval, e o estoque ainda não acabou. A folia continua, e o Catuçaí também.

A história: onde tudo começou
Muita gente acha que o Catuçaí nasceu no Carnaval, mas a história começou antes.
Entre 2012 e 2013, no meio das ocupações e movimentações políticas que tomaram a cidade, Praia da Estação, Viaduto Santa Tereza, Funarte e Nandão começou a vender a bebida nas ruas. Era um contexto de encontro, manifestação e ocupação do espaço público.
A trajetória do Catuçaí se cruza com a do próprio Carnaval de Belo Horizonte, que também crescia de forma independente, puxado por coletivos, artistas e movimentos culturais. Os dois caminharam lado a lado. Enquanto a festa ganhava corpo, o Catuçaí ganhava público, até se tornar presença constante nos cortejos.
E o Nandão faz questão, o tempo todo, de destacar que toda essa história só é possível porque foi construída junto com seu amigo Brunão, Bruno Coelho, que faleceu em 2019, mas será para sempre lembrado por toda a família do Catuçaí e pelo próprio Nandão.
A operação por trás do copo
O que muita gente não vê é a estrutura por trás do carrinho.
Segundo o próprio Nandão, em entrevista exclusiva, a operação carnavalesca envolveu cerca de 35 pessoas, entre produção, logística e vendas. É um trabalho coletivo que começa bem antes do primeiro bloco sair.
Neste ano, além das tradicionais conchas servidas na hora, o Catuçaí também passou a ser vendido em garrafinhas, com retirada antecipada, o que agilizou o atendimento na rua.
Os foliões puderam comprar bolsas térmicas com 20 unidades e circular o dia inteiro com a bebida gelada, sem depender de encontrar o carrinho no meio do percurso. A solução ajudou a dar conta da demanda, já que é impossível estar presente em todos os blocos ao mesmo tempo.
A marca também segue estudando novos formatos, como versão sem álcool, sachês e a expansão para outras cidades, como Rio de Janeiro e Salvador.
Onde encontrar o Catuçaí agora
Mesmo depois do Carnaval oficial, os vendedores continuam circulando pelos últimos blocos da cidade.
Neste fim de semana, dá pra encontrar o Catuçaí no Ziriguidum, Terno di Binga, Mineira System, Toca Raul, Vira o Santo e Arrastão da Roda.
Do carrinho à tradição
O Carnaval de BH movimenta turismo, cultura e também a economia local. E o Catuçaí é um exemplo claro de como pequenos empreendedores crescem junto com a festa.
O que começou como uma venda improvisada nas ocupações virou operação estruturada, gerou empregos, bateu recordes e se transformou em tradição.
E os próximos passos podem ir ainda mais longe. Além de estudar levar o drink para outros carnavais, o próprio Nandão já deixou no ar outra ideia: quem sabe um bloco do Catuçaí?
A gente aguarda ansiosamente. Porque, por aqui, o Catuçaí do Nandão já é tradição e a cara do nosso Carnaval.











