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Clube da Esquina: a esquina mais famosa do Brasil ganha um novo bar | Cais Lab

21/01/2026 às 22h25

A esquina mais famosa do Brasil ganhou um bar, e não é qualquer esquina. Estamos falando do cruzamento da Rua Paraisópolis com a Rua Divinópolis, um ponto turístico de Belo Horizonte e um marco do Clube da Esquina. Foi ali que músicos se encontraram, criaram, trocaram ideias e ajudaram a construir um dos movimentos mais importantes da música brasileira. Uma esquina que carrega arte, história, memória e afeto. E que, até hoje, segue atraindo fãs e turistas.

Agora, essa esquina também ganhou um novo motivo para ser visitada.

O Cais Lab nasceu em novembro de 2025, e o nome não é por acaso. “Cais” dialoga diretamente com Cais, música de Milton Nascimento, carregada de sensibilidade, encontro e travessia. Uma escolha que conversa com o território, com a história do Clube da Esquina e com a proposta do projeto: ser ponto de chegada, de arte e de troca.

À frente do Cais estão Carol do Carmo, chef, sócia e diretora criativa, e Letícia Nascimento, chef de comensalidade e diretora de arte. A operação conta ainda com os produtores culturais Felipe Ferreira e Quíria Rodrigues, reforçando que o Cais nasce, desde o início, como um projeto que ultrapassa a gastronomia.

Mais do que um bar ou restaurante, o Cais se propõe a ser também galeria e espaço artístico. Um lugar pensado para o encontro entre comida, arte, música e memória, algo que dialoga diretamente com o espírito do Clube da Esquina e com o território onde está inserido.

Essa ideia de encontro se materializa também nas experiências promovidas pelo projeto. O Cais realiza oficinas de cerâmica, fermentação e outras atividades que aproximam o público dos processos criativos por trás da comida e da arte. Não são eventos com datas fixas: algumas experiências são divulgadas com antecedência, outras surgem de forma mais orgânica. Por isso, acompanhar as redes sociais do Cais é quase parte da experiência.

Carol construiu sua trajetória unindo cozinha autoral, gestão e pesquisa. Participante do MasterChef 2020, especialista em fermentação, acumulou experiência em posições de chefia, liderando operações de alta performance em contextos distintos — de um restaurante beira-mar em Trancoso, na Bahia, à capital paulista. Há dois anos, criou a plataforma Fermenta Sem Medo, dedicada à formação e difusão de conhecimento sobre fermentação, por meio de cursos, livros, oficinas e eventos voltados à capacitação de profissionais da gastronomia.

Essa bagagem técnica e conceitual aparece com clareza na cozinha do Cais. Os pratos são criativos, bem executados e cheios de intenção. Trabalham com muitos ingredientes, misturas, texturas e camadas de sabor, sempre atravessados pela fermentação — uma técnica milenar e ancestral que atravessa culturas e tempos e que hoje também representa inteligência de processo, profundidade de sabor e redução de desperdícios.

Poderia dizer que um dos pontos mais interessantes do Cais está na sua gastronomia, porque é daqueles lugares que você escolhe para comer muito bem, mas ele também está no seu posicionamento. Segundo Carol, a ideia sempre foi fazer uma gastronomia elaborada e criativa, respeitando a história da cidade e o espírito do lugar, sem perder a própria essência — e, ao mesmo tempo, manter um cardápio que não ultrapassasse os R$60. A proposta é clara: comida para dividir, para experimentar junto. Uma mesa pensada para o compartilhamento, onde dá para provar várias coisas sem tornar a experiência inacessível.

O cardápio está em constante movimento, acompanhando ingredientes da estação, algo que se reflete tanto nos pratos quanto nos drinks.

E, na prática, a experiência confirma o discurso: nada chega da forma como você imagina. Você lê o cardápio, cria expectativas — e elas sempre são deslocadas quando o prato chega à mesa. Tudo surpreende. Dos drinks às comidas mais aparentemente simples. Um bom exemplo é o Torresmo Lambuzado (R$49). Suculento, com alma de boteco mineiro, ele vem acompanhado de farofa de broa e vinagrete de amendoim cozido. É um prato que respeita a memória afetiva e a história da gastronomia mineira, mas apresentado de outro jeito. Familiar, sem ser óbvio. Aos mistura-los, consegui lembrar até de uma releitura do nosso querido Tropeiro.

Tudo é bem executado, criativo e bem harmonizado. Em muitos momentos, os pratos se comportam como pequenas obras de arte — pelo cuidado com técnica, sabor, intenção e apresentação. Belíssimos.

O Cais não tenta transformar a esquina em algo que ela nunca foi. Pelo contrário: ele escuta a história, entende o peso simbólico do lugar e devolve isso em forma de comida, bebida, arte e encontro.

Talvez seja isso que essa esquina estivesse precisando reacender: um bar de rua, capaz de se tornar um lugar onde as pessoas voltem a se encontrar — como marca registrada da nossa cidade, com comida boa e alma de boteco.

Vida longa, Cais!

Dayanne Melgaço

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Dayanne Melgaço

Email: [email protected]

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
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