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Colunas

Como o digital mudou o jeito que a gente come, bebe e consome?

06/11/2025 às 11h41 - Atualizado em 06/11/2025 às 12h02

Vivemos a era do consumo 4.0, híbrido, conectado e cheio de influências. Antes de decidir onde almoçar, comemorar um aniversário ou marcar um date, a maioria das pessoas passa pelo mesmo ritual: abrir as redes sociais e pesquisar. O digital virou um guia de sabores, lugares e experiências.

A gastronomia, que sempre foi sobre encontro e sensações, hoje também é sobre registro e compartilhamento. Todo mundo é produtor de conteúdo: grava o prato, mostra o copo, filma o ambiente. E esses pequenos gestos mudaram a forma como a gente consome, escolhe e valoriza os lugares.

Em Belo Horizonte, o comunicador Nenel, da Baixa Gastronomia, transformou as segundas-feiras boêmias em um movimento cultural. De tanto mostrar sua rotina de bar na segunda, ele inspirou um novo comportamento, o de ressignificar o lazer no início da semana, trazendo a segunda do boêmio profissional. Com isso, as segundas se tornaram um forte dia de movimento para donos de bares.

Outro exemplo interessante é o destaque que as pimentas caseiras passaram a ter como elemento de composição de uma mesa de boteco. Além de decorativas, elas se tornaram parte da experiência registrada em vídeo: antes da primeira mordida, o gesto de colocar algumas gotas de pimenta virou quase um ritual.

Como muitos influenciadores passaram a repetir esse comportamento, os bares perceberam o impacto visual e simbólico desse momento e começaram a aderir à prática, oferecendo suas próprias pimentas da casa. Isso porque o gesto chama atenção, é esteticamente agradável e cria um gancho narrativo poderoso nos vídeos.

Mas não é só o público que sente essa mudança. Quem trabalha com bares e marketing também vê isso de perto. Atendendo marcas, contratando influenciadores e vivendo esse papel de criadora dentro do segmento, eu percebo diariamente como o digital influencia o comportamento na mesa.

Os relatos dos donos de bares são quase unânimes: depois que um vídeo é postado, eles conseguem identificar de onde vem aquele novo cliente.
Ele chega e repete a experiência, pede o mesmo prato, a mesma bebida, até o mesmo jeito de provar. É como se o conteúdo digital tivesse virado um roteiro sensorial, guiando o paladar e o comportamento.

Isso mostra que o digital não substitui a experiência, ele propaga. Faz com que aquela experiência, que antes era vivida por poucos, se multiplique em várias mesas, em vários bairros, em várias histórias.

O digital também ajudou a iluminar os Bares com Alma, projeto da Belotur e do Sebrae Minas que reconhece a autenticidade e a história dos nossos botecos. A baixa gastronomia ganhou voz, afeto e respeito, muito impulsionada pela linguagem das redes.

O que comemos hoje diz sobre o que seguimos, o que acreditamos e o que escolhemos valorizar. E talvez o mais bonito disso tudo seja perceber que, entre um post e outro, o que a gente ainda busca é o mesmo: conexão, afeto e mesa cheia.

Dayanne Melgaço

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Dayanne Melgaço

Email: dayannemelgaco@gmail.com

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
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