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Como você vive o Comida di Buteco?

13/04/2026 às 19h14 - Atualizado em 13/04/2026 às 19h18

Começou mais uma edição do maior concurso gastronômico do Brasil e, como belo-horizontina, eu confesso: isso enche a gente de orgulho. O Comida di Buteco nasceu aqui, em Belo Horizonte, no ano 2000, e hoje acontece em cerca de 50 cidades em todo o Brasil. O evento, que ocorre de 10 de abril a 10 de maio, reúne aproximadamente 1.200 bares, espalhados por 27 circuitos gastronômicos que abrangem diversas regiões do país. Mas, no fundo, ele continua carregando um pedaço muito nosso.

O boteco, com U mesmo, do nosso jeito de falar, nos representa e representa também a nossa linguagem, o nosso jeitinho e, principalmente, a forma como vivemos os encontros. Em Minas, boteco nunca foi só um lugar de comer ou beber. Boteco aqui é acolhimento, é pausa, é comemoração, é encontro, é lazer. É onde damos continuidade às nossas histórias e acessamos as nossas raízes e a herança do interior de Minas, que molda a nossa capital.

Belo Horizonte é uma cidade jovem, então ela carrega consigo heranças culturais e riquezas das cidades ao nosso redor. Aqui, as mesas de boteco vêm também como um formato de mesa de casa, onde a gente coloca comida na mesa, se reúne para comemorar aniversários, colocar a conversa em dia, encontrar com a família, amigos, ter reuniões importantes e também viver um almoço de domingo ou uma refeição em família. É na mesa que a rotina do mineiro é quebrada.

E é dessa mistura de mais de 800 municípios e regiões completamente diferentes, cada uma com suas particularidades e ingredientes, que nasce a diversidade dos nossos bares, cada um com a sua identidade e sua cozinha.

Por isso, o Comida di Buteco é um movimento cultural que, de fato, agita os bares de Belo Horizonte, porque é uma forma a mais de celebrar aquilo que somos e também de levar um pouquinho de Minas para o resto do Brasil. Afinal, o concurso nasceu aqui.

Claro que cada cidade onde acontece o Comida di Buteco imprime a sua própria identidade, seus sabores e suas histórias. Mas o nome continua dizendo muito: Comida di Buteco. E isso carrega um pouco da nossa essência para onde quer que o concurso vá.

Para mim, o concurso é um convite ao movimento, um empurrão gentil para sair do comodismo, para fazer com que os belo-horizontinos conheçam ainda mais bares e descubram novas cozinhas que ainda não estavam no nosso radar. Até mesmo porque são pratos exclusivos, feitos especialmente para o concurso. São novidades e, já que a gente vive numa era de novidades, isso acaba sendo um fator motivacional para fazer muitas pessoas cruzarem a cidade para conhecer novos espaços. Só em Belo Horizonte, são cerca de 127 pratos criados especialmente para esta edição.

Neste ano, o ingrediente obrigatório é a verdura, algo que também carrega muito da gastronomia mineira. Nós usamos muita verdura na comida de casa — couve, ora-pro-nóbis, taioba — e isso traz ainda mais proximidade do público com o concurso.

E é justamente por viver os bares no meu dia a dia, por ter o boteco como parte do meu estilo de vida, que eu trago aqui a reflexão principal deste texto. Eu sou do tipo de pessoa que, se puder escolher entre um restaurante sofisticado e um boteco para comemorar um aniversário ou uma conquista, vai escolher o boteco. Que, muitas vezes, prefere marcar uma reunião em um bar do que em uma cafeteria. Eu vivo o boteco.

Por isso, eu vejo o concurso também como um convite para que você comece a olhar para o boteco de outra forma. O boteco vai muito além do consumo de álcool, algo que ficou associado à sua imagem, mas que está longe de ser o que realmente representa esse tipo de negócio.

No entanto, mesmo com várias pesquisas apontando para a diminuição do consumo de álcool, a gente continua vendo os jovens ocupando bares e botecos — só que de uma forma diferente, valorizando o todo, valorizando o movimento que é viver um boteco.

O boteco é, muitas vezes, a extensão da casa de alguém. É um espaço onde muitos se identificam para viver momentos felizes, ter conversas difíceis, buscar acolhimento ou simplesmente fazer uma pausa em um dia corrido e respirar um ar diferente. É um espaço onde você conhece outras pessoas, onde existe diversidade, onde gente de classes, histórias e realidades diferentes se encontra e, no fim das contas, divide a mesma mesa.

Então, a reflexão que eu deixo aqui é um convite para viver o bar e o Comida di Buteco de forma leve. É claro que os melhores pratos serão premiados, e isso faz parte — afinal, estamos falando de um concurso. Mas eu gosto sempre de trazer reflexões que vão além da competição.

Hoje, a gente vive também em um mundo cada vez mais digital. Somos influenciados o tempo todo por telas, por opiniões, por recomendações e por listas do que experimentar. E elas são válidas — inclusive esse é parte do meu papel como colunista: contar histórias, mostrar pratos, novidades e bastidores para vocês. Mas viver o Comida di Buteco vai muito além do que a gente vê nas redes. É sobre estar presente, sentir o ambiente, conhecer quem está por trás daquele prato e escolher, com responsabilidade e carinho, aquele que você acredita que merece o prêmio.

Afinal, o bar vencedor segue para a etapa nacional e concorre ao título de melhor boteco do Brasil — um reconhecimento que ainda não chegou para um boteco belo-horizontino. E eu acho que nós merecemos.

Então, bora votar com a sua experiência, com a sua vivência, com a sua responsabilidade de jurado. Mas sem esquecer de viver o boteco, que é, no fim das contas, a parte mais gostosa de todo o concurso.

E por isso, fica aqui a minha reflexão final: como você costuma viver o Comida di Buteco?

Dayanne Melgaço

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
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Dayanne Melgaço

Email: [email protected]

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