TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logomarca BHAZ

Colunas

O maior inimigo do bar não é outro bar. É o conforto da tela que te mantém em casa

17/12/2025 às 12h54 - Atualizado em 18/12/2025 às 12h26

Durante muito tempo, os bares “competiam” entre si. O melhor ponto, produto, atendimento, preço, promoções. Mas o principal adversário do bar hoje não tem mesa, nem garçom, nem fachada. Ele chegou aos poucos e em silêncio, por trás da tela, e movimenta bilhões.


O maior inimigo se tornou a preguiça de sair de casa, estimulada por um modelo de negócio que transformou conforto em hábito, e hábito em dependência.

Para quem está completamente acostumado ao ritmo da tela, a conversa de bar pode parecer entediante. Ela não tem botão de pular anúncio, não acelera em 2x e não entrega recompensas imediatas. Ela exige tempo, presença e escuta. E é justamente aí que mora a diferença.

O olho no olho, aquela boa gargalhada que você nem sabia que precisava compartilhar com o seu amigo de escola, aquela conversa na mesa ao lado que foi te dada pelo acaso e não pelo algoritmo, aquele caso que você contou para um desconhecido e ele te ouviu super interessado e que você nem precisou se preocupar com quantos likes ou quem visualizou, o abraço real e até o silêncio compartilhado ativam sensações que nenhuma notificação reproduz. Não são estímulos rápidos, são experiências que relaxam, criam vínculo e geram pertencimento. Algo que a tela entrega apenas de forma momentânea.

Quando o bar perde espaço para o algoritmo, não é só um negócio que perde. A sociedade perde encontros, repertório social, experiências e convivência. Aos poucos, vamos formando uma geração menos preparada para lidar com o inesperado, com o desconforto, com o outro.

No bar, a noite não é previsível como numa tela, onde você fala geladeira e o algoritmo só te entrega isso. A conversa muda, o plano muda, a mesa gira. É ali que se aprende a conviver, discordar, ouvir, esperar. Coisas que não cabem em um feed.

Quem busca bar, geralmente busca vida real. Busca experiências que não podem ser editadas, pausadas ou filtradas.

Falo isso também de um lugar pessoal. Como alguém que vive bar, divulga bar e frequenta bar, posso dizer: o bar já me salvou em momentos difíceis. Não pela bebida ou pela comida, mas pela troca. Pela conversa atravessada, pelo convite inesperado, pela sensação de não estar sozinha, mesmo saindo sozinha. Ao contrário do conforto de uma tela no seu quarto, onde você parece conectado com vários amigos, mas, no final das contas, não teve nada além de uma falsa ilusão de ser uma pessoa conectada e cheia de amigos, quer dizer, de likes.

O bar cura porque conecta.

E talvez essa seja a reflexão mais importante: quanto mais a gente vive fora da tela, menos a gente precisa clicar dentro dela.

Dayanne Melgaço

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Dayanne Melgaço

Email: [email protected]

Publicitária e gestora de marketing gastronômico, atende bares e empresas do segmento. Apaixonada por empreendedorismo, conexões, uma boa conversa na mesa de bar e comida afetiva
Instagram

Mais lidas do dia

Leia mais