A pergunta me pegou de supetão. Não deveria ser de difícil, mas quando não estamos preparados é aquela clássica pergunta que demora pra obter resposta. Onde beber uma boa caipirinha em BH? Como de praxe, respondi brevemente o seguidor na DM. Ele talvez se satisfez com o comentário, eu não.
Na teoria, todos os bares deveriam fazer uma boa caipirinha. Tanto pela facilidade em obter os bons e corretos ingredientes, quanto pela simplicidade na execução e principalmente pela representatividade do drink para o Brasil. Deveríamos aprender a fazer caipirinha na escola, ensinar de pai pra filho, fazer despretensiosamente em um almoço de domingo. A caipirinha forma caráter.
Mas na prática não é assim. Existe uma falta de padrão muito grande no preparo da caipirinha. Tem licença poética demais e qualidade de menos. O que deveria ser simples acaba se tornando raro e motivando perguntas como a que recebi na DM.
O objetivo desta coluna é falar rapidamente sobre o preparo de uma boa caipirinha e contar para vocês alguns dos lugares que preparam o drink com o devido cuidado.
O preparo
A melhor e mais rápida aula que tive recentemente foi com o João Gonçalves, do Pastel Caiana. É tudo tão simples que você se questiona como é que não sabia disso antes. No vídeo abaixo, João fala a proporção de limão para açúcar e cachaça, destaca o cuidado na maceração para impedir o amargor e conta sobre a diferença de misturar e chacoalhar. É basicamente tudo o que precisamos saber:
Depois de algumas tentativas em casa, você estará fazendo uma caipirinha igual o João.
Uma outra escola de pensamento, se assim podemos dizer, abre mão da colherada de açúcar cristal em prol do xarope de açúcar. Adocica o drink do mesmo jeito, mas traz diferenças no preparo. Por um lado, a maceração do limão sem os cristais de açúcar impede a criação do mosto, responsável pelo sabor do drink. Por outro, o xarope ajuda os mais inexperientes a não errar no preparo: Faltou açúcar? Basta colocar um pouco mais de xarope e misturar.
Colocar mais uma colherada de açúcar depois de macerar e entrar com a cachaça, faz com que o açúcar se sedimente no fundo do copo. E é ai que mora, na minha opinião, o erro mais fatal do preparo da caipirinha: A insistência de cristais em cada gole. A suavidade do drink é substituída por um atrito sem fim de açúcar no dente. Portanto, se houver insegurança, vá de xarope. E o preparo dele é muito simples: Uma parte de água para uma parte de açúcar e mexa no fogo até esse açúcar dissolver.
Outra questão importante é a escolha da cachaça. Muito se fala em “cachaça para caipirinha” como justificativa para uma cachaça ruim. Não acho que cachaça boa se beba pura e cachaça ruim se use em caipirinha. Idealmente, tomamos só cachaça boa em todas as circunstâncias! Naturalmente, cachaças que possuem, digamos, propriedade especiais, vão passar essas mesmas propriedades para o drink. Uma cachaça que sou fã é a 1000 Montes. Ela é envelhecida em barris de whisky e tem o gosto amadeirado desta bebida. Não considero um pecado fazer um caipirinha com uma 1000 Montes, mas naturalmente o drink terá também esse gosto, alterando o que se espera dele.

Onde tomar boas caipirinhas em BH?
Pastel Caiana: A caipirinha feita como se deve. Até onde tive notícia, rola uma promoção de duas caipirinhas por R$ 25. Fica na Galeria São Vicente (R. Santa Catarina, 214 – Centro).
Buteco do Lili: Bela caipirinha, sempre equilibrada. Feita com xarope de açúcar e custa R$ 20. Fica na R. Líbero Badaró, 493 – Dona Clara.
Toca do Ogro: Ogros também preparam drinks com delicadeza. Você toma uma boa caipirinha lá na R. Prof. Nelson de Sena, 04 – Aeroporto.
Bar do Régis: Caipirinha equilibrada, como deve ser Custa R$ 17,90. Fica na R. Gávea, 422 – Jardim América.
Junto Juntinho: Dos bares da lista o que tem o maior preço: R$ 28. Mas o preparo é correto e não decepciona (como nos outros bares da lista). Rua Cura D’Ars, 542 – Prado
Menção honrosa: Caipi do Vô. A Tradicional Limonada faz uma excelente caipirinha, que pode ser consumida in loco lá no Mercado Central. De uns tempos pra cá, passaram a engarrafar e vender em alguns bares e restaurantes. É sempre uma escolha certeira, visto que o drink é fresco, equilibrado e com bom custo benefício. Até então, ninguém tinha feito uma caipirinha “pra levar” tão boa quanto a deles. Você encontra, por exemplo, no Boêmio e no Feijão.
















