A Quaresma, período tradicional do calendário cristão que antecede a Páscoa, ainda provoca mudanças perceptíveis no comportamento de consumo em bares e restaurantes de Belo Horizonte. Embora o impacto não seja uniforme entre os estabelecimentos, ele aparece tanto na escolha dos pratos quanto no tipo de bebida consumida pelos clientes.
No Graffica Bar, localizado no Edifício Maletta, o gerente Paulo Augusto, que está à frente da casa há cinco anos, observa uma mudança clara logo após o Carnaval, quando começa a Quaresma. Segundo ele, cresce a procura por opções sem álcool e por pratos à base de peixe.
“Tem muita gente que decide fazer uma espécie de ‘quarentena’ durante esse período, evitando carne vermelha e bebida alcoólica. Então aparece um público que antes vinha para tomar cerveja e passa a pedir cerveja sem álcool ou outras bebidas sem álcool”, conta.
Esse movimento, segundo ele, tem impacto direto na composição das vendas do bar. Enquanto a procura por cervejas sem álcool cresce e pratos como peixe, tilápia e bolinho de bacalhau ganham mais saída, o consumo de bebidas alcoólicas e carnes vermelhas tende a cair.
“A venda de cerveja sem álcool aumentou muito. Muito mesmo. Algumas marcas dispararam nesse período. Por outro lado, a parte de bebida alcoólica cai bastante depois do Carnaval, muito por causa da Quaresma”, explica.
Já no Faísca, bar localizado no bairro Caiçara e conhecido pelos pratos de carne vermelha, o impacto existe, mas aparece de forma mais moderada. Para Pedro Costa, sócio fundador da casa, a influência da Quaresma no consumo parece menor do que em anos anteriores.
“Percebo uma maior procura por peixes, mas menos do que em outros anos. Diria que o aumento na venda de pratos com carne branca não tem passado de 10% durante essa Quaresma”, afirma.
Ele acredita que parte disso também está ligada à identidade do próprio bar. Como o Faísca é conhecido justamente pela carne vermelha, alguns clientes que optam por evitar esse tipo de alimento durante o período acabam buscando outros lugares.
Nas bebidas, o movimento é semelhante ao observado em outros bares da cidade. Uma leve alta na procura por opções sem álcool.
“A venda de cerveja sem álcool aumentou cerca de 15% nas últimas semanas. Não diria que é algo extremamente significativo, mas é perceptível”, diz.
Para ele, mais do que mudar completamente o cardápio, o importante é que os bares tenham alternativas para atender esse público.
“Não vejo necessidade de fazer grandes alterações no cardápio, porque a mudança no consumo não é tão representativa. Mas é importante ter opções. Em datas mais específicas, como a Sexta-feira da Paixão ou a Páscoa, aí sim a adesão costuma ser maior”, explica.
Nesses dias, o Faísca chega a fazer adaptações pontuais, incluindo pratos como moqueca e outros petiscos com peixe ou carne branca que não fazem parte do cardápio fixo.
Entre tradição religiosa, hábitos culturais e novas tendências de consumo, como o crescimento das bebidas sem álcool, a Quaresma continua influenciando, ainda que de formas diferentes, o movimento dos bares da capital mineira. Para muitos estabelecimentos, mais do que uma queda generalizada no consumo, o período representa uma mudança no perfil do pedido feito na mesa.
Alguns trocam a carne vermelha pelo peixe. Outros deixam a cerveja tradicional de lado e optam por versões sem álcool. E há também quem mantenha a rotina exatamente como sempre foi.
E você, muda alguma coisa no seu consumo durante a Quaresma ou, quando chega no bar, continua pedindo exatamente o que tem vontade?











