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Colunas

O Carnaval de BH cresceu, mas a segurança pública acompanhou o ritmo?

10/02/2026 às 12h55
Em Belo Horizonte a Cemig já inspecionou mais 288 km de linhas. (Caetano/Belotur/PBH)

Quantas pessoas você conhece que deixam de passar o Carnaval nas ruas por medo de furtos, importunação sexual e tantos outros tipos de violência? Sabemos que parte desse receio vem de uma visão marginalizada da maior festa popular do nosso país, mas os dados não mentem e precisam ser encarados de frente. No ano passado, durante a folia, mais de 1,5 mil furtos foram registrados apenas em Belo Horizonte. Em todo o estado, o sistema de segurança (unindo PMMG, PCMG e Polícia Penal) contabilizou 3,4 mil prisões ou conduções nesse período. Esses números mostram que a vulnerabilidade do folião ainda é um gargalo que afasta muita gente da festa.

Isso significa que o Carnaval é ruim? Pelo contrário! Significa que a segurança pública precisa de mais inteligência logística e presença preventiva acolhedora. O Carnaval de Belo Horizonte tornou-se um dos maiores ativos da nossa cidade: é fomento ao comércio local, que possui expectativa de crescimento de 15% durante a folia, segundo previsão da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), desde o ambulante até a rede hoteleira, gerando um retorno financeiro que irriga a economia o ano inteiro. Para este ano, a previsão é de que 6 milhões de pessoas ocupem nossas ruas, e para fazer isso acontecer, os investimentos atingem R$ 28 milhões.

Para chegarmos até aqui, foi preciso muita luta. É necessário lembrar que o ressurgimento do nosso Carnaval ocorreu como um grito de resistência após a gestão do ex-prefeito de BH Márcio Lacerda (2009-2017), que proibiu eventos na Praça da Estação. A resposta foi o movimento Praia da Estação, um ato de desobediência civil que politizou o uso do espaço público. Dessa resistência nasceram blocos icônicos como o Pula Catraca, unindo a vontade de festejar à pauta do direito à cidade.

Entre 2017 e 2020, o crescimento foi rápido. BH deixou de ser um destino de “quem queria fugir da folia” para um dos três maiores Carnavais do Brasil. A cidade a cada ano aprendeu a lidar com milhões de turistas e viu os blocos ainda incipientes se consagrarem como mega-blocos, como o Então, Brilha! e o Baianas Ozadas. O Carnaval de BH não nasceu de um planejamento estatal, mas de uma retomada cidadã, entretanto, essa ascensão meteórica trouxe consigo as dores do crescimento, impondo à cidade o desafio de equilibrar a logística do gigante.

Como preservar a essência espontânea e democrática dos blocos de rua em uma festa que hoje acolhe milhões de pessoas? O gigantismo da folia exige uma reestruturação profunda da segurança pública, demandando protocolos muito mais rígidos e eficazes para a proteção de grupos vulneráveis contra o assédio, além de uma engenharia urbana complexa para gerir a limpeza de toneladas de resíduos em nossa geografia de ladeiras. O desafio atual é garantir que o Carnaval não morra pelo seu próprio sucesso, mantendo a organização sem perder o espírito de liberdade que o fez renascer.

Enquanto vereador e cidadão que faz questão de aproveitar a folia em família, entendo que a tranquilidade de levar os filhos para a rua é o verdadeiro termômetro do sucesso da nossa organização; por isso, é urgente investir em uma estrutura que combine equipamentos de qualidade, inteligência logística e uma sincronia real entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar.

Essa consolidação exige uma população bem instruída por campanhas educativas e uma organização prévia que antecipe gargalos, transformando o policiamento em uma rede de ações preventivas e acolhedoras. Precisamos tratar a segurança como um investimento estratégico: somente com o uso de tecnologia e o fim do isolamento institucional entre as forças de segurança poderemos garantir que a ocupação do espaço público seja plena, democrática e, acima de tudo, segura para cada folião que escolhe Belo Horizonte como o seu destino.

Abaixo, deixo orientações da Guarda Civil Municipal para uma folia segura:

  • Discrição: Evite ficar com o aparelho na mão em grandes aglomerações. Use o celular apenas em locais seguros.
  • Onde guardar: Prefira bolsos frontais, pochetes ou doleiras mantidas à frente do corpo.
  • Acessórios amigos: Use cordinhas de pulso ou pescoço para evitar “puxões” na hora das fotos.
  • Atenção redobrada: Fique de olho em filas e pontos de grande fluxo de pessoas.
  • Deu ruim? Em caso de perda ou furto, procure imediatamente uma viatura da GCM ou Polícia Militar e registre o boletim de ocorrência.
  • Apoio nos blocos: Mais de 100 dirigentes de blocos foram treinados para acolher vítimas e acionar a segurança.
  • Protocolo Quebre o Silêncio: Bares e restaurantes (especialmente na Rua Sapucaí) estão preparados para ser pontos de apoio.
  • Evite andar sozinho e utilize apenas transportes oficiais.
  • Nunca aceite bebidas de desconhecidos.
  • Avistou um guarda? Pode pedir ajuda! O efetivo está capacitado para um atendimento humanizado.
  • Viajou? Não “dê na cara”: Evite deixar luzes externas acesas o dia todo (isso sinaliza casa vazia). Use temporizadores se possível.
  • Rede de vizinhos: Peça para alguém de confiança recolher correspondências e jornais do portão.
  • Segurança Digital: Segure a ansiedade! Evite postar fotos da viagem em tempo real; deixe para postar quando voltar.
  • Check-list de saída:
  • Tranque janelas e acessos ao telhado.
  • Não deixe escadas ou ferramentas dando sopa no quintal.
  • Tire os eletrônicos da tomada para evitar curtos-circuitos.

Wagner Ferreira

Wagner Ferreira é vereador em Belo Horizonte desde 2023, atuando como 1º Secretário da Câmara Municipal, presidente da Comissão de Administração Pública e Segurança Pública e relator da Comissão Especial de Estudo de Águas Pluviais e Prevenção de Riscos. Além de sua atuação parlamentar, é diretor de Formação Política do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG), membro titular do Conselho Municipal de Igualdade Racial e do Conselho Municipal de Habitação de BH.

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