Covid: Por falta de leitos, paciente de Minas é transferido para São Paulo

São Sebastião do Paraíso MG
Paciente estava em cidade do Sul de Minas (Reprodução/Prefeitura de São Sebastião do Paraíso)

Um paciente com Covid-19 em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, precisou ser transferido para Franca, no interior de São Paulo, por falta de vagas de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Conforme balanço da prefeitura, a cidade está com ocupação máxima dos leitos. O deslocamento aconteceu na última quarta-feira (2), mesmo dia em que o Executivo municipal anunciou que, caso necessário, poderiam ocorrer transferências para Franca e para Ribeirão Preto, no interior paulista.

Em entrevista ao BHAZ, o secretário municipal de Saúde, Ralf Diniz não soube informar o motivo do deslocamento do paciente, apesar de ter confirmado a transferência. “Não sabemos o motivo da transferência, pode ser por leito, pode ser por uma decisão da família mesmo. Eu acho que não é questão de leito”, disse, nesta terça-feira (8).

O secretário ainda apontou que o paciente era da rede particular e estava no hospital Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso, que de acordo com o chefe da pasta, não é vinculado à prefeitura. Em comunicado divulgado no site, no entanto, a administração municipal confirma a ocupação máxima de leitos e anuncia a necessidade de transferir pacientes para São Paulo.

“O hospital da Santa Casa atingiu nesta quarta-feira, 110% da capacidade de atendimento nos 20 leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19, sem contar os leitos destinados aos planos de saúde que também estão lotados”, diz trecho do comunicado. “Pessoas internadas terão que ser transferidas para outras cidades, como Franca e Ribeirão Preto, se houver vagas nestes locais”.

‘Colapso de atendimento’

A nota divulgada pela prefeitura traz ainda um alerta do gestor do município, Marcelo Morais (PSC). “Entramos em um colapso de atendimento, com pessoas esperando vagas para serem internadas e um aumento considerável de número de casos positivos, principalmente público jovem”, disse Morais, ao anunciar novas medidas para a cidade. (veja na íntegra abaixo).

Procurado pelo BHAZ, o hospital também confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o paciente foi transferido pela indisponibilidade de leitos de alta complexidade. O diretor clínico da Santa Casa, o médico Luciano Constantini, alertou, no comunicado da prefeitura, que a situação ainda pode se agravar: “Até agora ninguém faleceu no hospital por falta de recursos, mas do jeito que a situação está, isto pode acontecer aqui também”.

Situação crítica

O diretor informou ainda que o hospital passou do limite de leitos. “A situação estava estável, mas agora passamos do limite da nossa capacidade máxima, infelizmente não temos mais vagas e são múltiplos fatores para você ter um leito de UTI, não é simplesmente uma maca”, ressaltou o médico.

No dia da transferência do paciente, a Santa Casa tinha atingido 110% da capacidade de atendimento nos 20 leitos de UTI destinados a pacientes com Covid. Os leitos destinados aos planos de saúde também estavam lotados. O chefe da Saúde, por sua vez, disse à reportagem que a pasta esperava “não ter que realizar transferências”.

Covid-19

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem (7), a cidade está com 100% de ocupação de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde). O munícipio de cerca de 70 mil habitantes tem mais de 14 mil casos notificados, sendo 120 novas notificações no último dia, além de 84 novos casos confirmados, em um total de 4.791. Mais 277 casos estão em monitoramento.

Um novo decreto da prefeitura, com mais restrições, passou a valer na última sexta-feira (4) e vai até o dia 11 de junho (veja as medidas aqui). “As pessoas precisam ter mais consciência e seguir os protocolos sanitários como uso de máscaras e álcool em gel, evitar festas e aglomerações. Sentiu algum sintoma, procure atendimento para que a situação não se torne mais grave”, pediu Luciano Constantini.

Boletim mais recente da prefeitura (Reprodução/@ssparaiso/Facebook)

O que diz a SES-MG?

Questionada se a transferência é uma orientação do governo estadual, a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) informou que “não são realizadas pelo Sistema Estadual de Regulação Assistencial transferências de usuários na urgência e emergência para outros estados”. A pasta não informou se houve registro do deslocamento em São Sebastião do Paraíso.

Sobre uma possível ampliação de leitos no município, a pasta disse que a ampliação depende de alguns elementos, como recursos humanos. “É importante ressaltar que a ampliação de leitos depende de algumas variáveis, de acordo com as características de cada uma das instituições que integram o Plano de Contingência, como por exemplo, existência de recursos humanos, necessidade de equipamentos e adequação de estrutura física”, explicou, em nota (leia na íntegra abaixo).

Nota da SES-MG na íntegra

“A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclarece que não são realizadas pelo Sistema Estadual de Regulação Assistencial transferências de usuários na urgência e emergência para outros estados, como mencionado.

Desde fevereiro de 2020, o Governo de Minas ampliou em mais de 130% o número de leitos de UTI em todo o estado, passando de 2.072 para mais de 4.800. Já os leitos de enfermaria tiveram crescimento de mais de 80%. Em fevereiro do ano passado eram 11.625 unidades; atualmente são mais de 21 mil.

É importante ressaltar que a ampliação de leitos depende de algumas variáveis, de acordo com as características de cada uma das instituições que integram o Plano de Contingência, como por exemplo, existência de recursos humanos, necessidade de equipamentos e adequação de estrutura física.

Seguem links com as recentes ações do Governo de Minas na região Sul (aqui e aqui)”.

Comunicado da prefeitura

O hospital da Santa Casa atingiu nesta quarta-feira, 110% da capacidade de atendimento nos 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes com Covid-19, sem contar os leitos destinados aos planos de saúde que também estão lotados. Pessoas internadas terão que ser transferidas para outras cidades, como Franca e Ribeirão Preto, se houver vagas nestes locais. “Entramos em um colapso de atendimento, com pessoas esperando vagas para serem internadas e um aumento considerável de número de casos positivos, principalmente público jovem”, disse o prefeito.
“A situação estava estável, mas agora passamos do limite da nossa capacidade máxima, infelizmente não temos mais vagas e são múltiplos fatores para você ter um leito de UTI, não é simplesmente uma maca”, ressaltou o diretor clínico da Santa Casa, médico Luciano Constantini. “Até agora ninguém faleceu no hospital por falta de recursos, mas do jeito que a situação está, isto pode acontecer aqui também”, alertou. “As pessoas precisam ter mais consciência e seguir os protocolos sanitários como uso de máscaras e álcool em gel, evitar festas e aglomerações. Sentiu algum sintoma, procure atendimento para que a situação não se torne mais grave”, pediu.
O provedor da Santa Casa, Fernando Alvarenga, informou que a cidade compõem uma macrorregião e todas as decisões relacionadas à saúde passam por este sistema, o que inviabiliza a abertura de novos leitos de UTI pois, se o município tivesse mais vagas, elas estariam ocupadas porque o hospital tem que atender toda a região, seguindo à risca os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Participaram da reunião membros do Comitê Municipal Extraordinário para Enfrentamento da Covid, servidores da Secretaria Municipal de Saúde, vereadores, Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços (Acissp), secretários e representantes da imprensa.

Edição: Giovanna Fávero

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