Dona de antiga ‘Lojinha Solidária BH’ pede ajuda para seguir com doações

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Vanessa está precisando dispensar alguns pedidos de ajuda por falta de doação (Vanessa Cevidanes/Arquivo Pessoal)

A pandemia persiste, assim como a fome, mas as doações diminuíram. É o que conta a autônoma Vanessa Cevidanes, idealizadora do projeto “Lojinha Solidária BH”, que hoje não conta mais com o espaço físico, mas continua distribuindo alimentos e itens de necessidades básicas para várias famílias em Belo Horizonte e região metropolitana.

A iniciativa surgiu no dia 23 de março do ano passado, logo no início da pandemia. Durante 6 meses, ela e o marido deixavam uma prateleira na frente da própria casa com doações de alimentos, roupas, calçados e materiais de higiene para as pessoas necessitadas. A loja foi furtada em julho, e há 8 meses a autônoma resolveu mudar o modelo de solidariedade.

“Com o projeto, eu conheci pessoas carentes, necessitadas mesmo, mas são famílias de longe [da loja], então estamos distribuindo para elas”, explica Vanessa. Ela conta com a ajuda de um grupo no WhatsApp, chamado de “Turminha do Bem”, que participam Cléber, Gérson, Adriana, doadores ativos para as quatro famílias que a iniciativa atende no momento.

“A gente vai conhecendo as pessoas que realmente precisam. Hoje nós ajudamos muitas mulheres, com filhos, sem marido, e sem emprego, impossibilitadas de trabalhar pela pandemia”, conta Vanessa. “Por isso, os principais itens que nós pedimos são leite, fralda, iogurte, kit alimentação, porque geralmente o que nós encontramos é a mãe preocupada com filho”.

Histórias cruzadas

Uma dessas mães é a moradora do bairro Novo Progresso, em Contagem, na Grande BH. “Nós conhecemos uma moça de 27 anos, que era casada e tinha três filhos pequenos. A mãe dela adoeceu e morreu. Ela passou a tomar conta dos irmãos, porque a mãe tinha oito filhos, todos pequenos ainda”, relata Vanessa.

“Depois que ela começou a tomar conta dessas crianças, o marido a abandonou. Elas são uma gracinha, tem uma menina especial de 7 anos”, conta.

Em Betim, também na região metropolitana, uma história parecida. “Uma outra mulher, de Citrolândia, me conheceu pelas redes sociais. Ela tem dois filhos, mora com mãe doente, que já é idade, junto com o sobrinho. Ela também sem marido e não consegue emprego pela pandemia”.

Os relatos se repetem, mas com pessoas diferentes. “Uma menina que dava na mamadeira para criança de água com açúcar, no inicio da pandemia (relembre aqui), me procurou recentemente. O marido abandonou, ela está morando com a mãe, e pedindo pão na padaria. Ela até pediu desculpas quando veio falar comigo, disse que não queria me incomodar, mas que a situação estava realmente muito difícil”.

“As doações caíram demais e a fome aumentou mais ainda”, analisa. Nesta segunda-feira (31), até mesmo um homem do estado de Alagoas procurou pelo auxílio da belo-horizontina. “Eu vou correndo atrás, hoje mesmo tem um cara de Alagoas pedindo ajuda”, conta Vanessa, que ainda garantiu que vai encontrar uma forma de ajudá-lo.

Do Belvedere a Neves

Assim como a necessidade, a solidariedade também vem de todos os lados da cidade. Além dos doadores permanentes, a autônoma conta com a ajuda de pessoas do Belvedere, na região Centro-Sul da capital, a Ribeirão das Neves, na região metropolitana. “Um homem de Neves, junto com a sua esposa, sempre traz alimentos para mim para doação”, conta Vanessa.

“São geralmente pessoas simples que doam, muita gente simples que compartilha com os irmãos. Agora a necessidade está maior, e está complicado mesmo”, lamenta. A própria Vanessa está há mais de um ano sem trabalhar. Ela, o marido e o filho trabalhavam com confecção de moda fitness, e vendiam as peças na Feira do Mineirinho. Com a pandemia, a feira ficou proibida de funcionar a maior parte do ano.

Mesmo com a reabertura da feira, o retorno ainda não compensa financeiramente para a família. “Com os novos protocolos, estaríamos pagando para trabalhar. Cheguei a pensar em trabalhar como doméstica ou faxineira, mas meus filhos me ajudam muito. Está tranquilo, graças a Deus não está faltando nada, temos tudo aqui, sempre alguém nos ajudando. Eu penso são nas outras pessoas, elas que precisam de doação”.

Como ajudar?

A “lojinha solidária” continua, mas em um novo modelo. “As pessoas procuram nas redes sociais, ou me encaminham alguém. De vez em quando bate alguém na porta. Quando eu não tenho, eu peço para esperar uma semana e eu tento arrecadar”.

“O alimento é o mais necessário agora. Mais comida, leite, iogurte, fralda, biscoito, coisas para crianças. Roupas não estou mexendo muito porque às vezes não dá nem tempo, mas com o frio, estamos aceitando doação de agasalho e cobertor”, esclarece.

Quem precisar de ajuda ou puder ajudar, pode ligar ou mandar WhatsApp para o número (31) 99905-5841.

Edição: Vitor Fernandes

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