O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), reafirmou nesta quarta-feira (29) que mantém o compromisso de apoiar Marcelo Aro (PP) para uma candidatura ao Senado em 2026 e disse esperar que o aliado cumpra o acordo político firmado há quatro anos. A declaração, dada com exclusividade ao BHAZ, ocorre no momento em que crescem as especulações de que Aro pode disputar o Governo de Minas. A entrevista é parte da série de sabatinas com os pré-candidatos.
Ao comentar o assunto, Simões afirmou que não recebeu de Marcelo Aro qualquer comunicado sobre uma eventual mudança de planos e disse que soube da possibilidade apenas pela imprensa.
“Vô, Zequinha, meu avô aqui era lá do Triângulo Mineiro, tinha uma expressão boa, ele falava: ‘Palavra não faz curva’. A gente empenha a palavra e cumpre a palavra que a gente empenhou. Marcelo tem a minha palavra de que ele é o meu candidato ao Senado. Eu não recebi dele nenhum comunicado em sentido diferente”, disse
O governador relatou que esteve com Aro na terça-feira (28), durante o velório do ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, e afirmou que o aliado não mencionou qualquer intenção de disputar o Palácio Tiradentes.
“Estive com ele ontem no velório do prefeito Odelmo Leão, lá em Uberlândia. Ele passou rapidamente por lá, mas não me disse absolutamente nada sobre ser candidato. Tenho visto isso apenas na imprensa. Ele, inclusive, tem ainda o maior aliado dele, que é Castelar, como meu secretário de Governo. É pessoa com quem eu despacho todos os dias e nenhum dos dois me disse até agora que ele seja candidato ao Governo do Estado.”
Simões reforçou que pretende manter o acordo firmado com PP, União Brasil e o próprio Marcelo Aro.
“Da minha parte, eu vou cumprir a minha palavra que empenhei com o PP, com o União e com o próprio Marcelo de que ele seria o candidato ao Senado. Foi isso que eles pediram há quatro anos, quando vieram para o governo, e foi isso que nós construímos ao longo de quatro anos.”
‘Compromisso com a própria palavra’
Questionado se consideraria uma eventual candidatura de Marcelo Aro ao governo como uma traição, Simões evitou usar esse termo em relação a si, mas disse que a decisão representaria o descumprimento de um compromisso assumido.
“Traição? Talvez com o governador Romeu Zema, que levou ele para o governo, mas a mim não. Acho que é uma questão de compromisso com a própria palavra. Eu não me sinto traído se ele resolver não cumprir com a palavra dele. Aí é uma questão dele com os motivos dele para não cumprir com a sua própria palavra.”
O governador afirmou que não muda compromissos por conveniência e disse esperar a mesma postura de seus aliados.
“Você não vai ter notícia minha de assumir um compromisso e mudar de ideia por conveniência. Espero que ele também não faça isso. Não é uma boa forma de construir política, até porque em política a gente tem pouca coisa para tratar com o outro político além da nossa palavra.”
Romeu Zema
Ao ser perguntado se o ex-governador Romeu Zema deveria intermediar uma conversa entre os aliados, Simões avaliou que isso não é necessário e disse que o tema deve ser resolvido localmente.
“Talvez não seja necessário. A relação de Marcelo comigo e com o Zema tem a mesma idade. Não acho que a gente precisa tirar o ex-governador Romeu Zema da pré-campanha nacional dele. Deixa ele tomar conta dos temas que ele está tratando lá.”
Apesar disso, afirmou que o assunto também diz respeito ao ex-governador, já que o compromisso político foi firmado ainda durante sua gestão.
“Tenho certeza que o governador está acompanhando isso porque, afinal de contas, como eu disse, esse compromisso é com ele lá atrás. Então é o legado dele que está sendo colocado em risco.”










