O Cine Theatro Brasil recebe, entre os dias 16 e 18 de outubro, a peça ‘A Última Sessão de Freud’. Com direção de Elias Andreato, o espetáculo coloca frente a frente dois dos intelectuais mais influentes do século XX em um embate filosófico sobre a existência de Deus e a natureza humana.
A montagem do autor Mark St. Germain já soma mais de 420 apresentações e 180 mil espectadores desde 2022.
O embate entre a razão e a fé
A trama constrói um encontro imaginário entre Sigmund Freud, interpretado por Odilon Wagner, e o escritor e crítico literário C. S. Lewis, vivido por Marcello Airoldi. O texto baseia-se no livro ‘Deus em Questão’, do professor de psiquiatria da Harvard Medical School, Dr. Armand M. Nicholi Jr.
No palco, o pai da psicanálise, crítico ferrenho da religião, tenta compreender como Lewis — um ex-ateu e professor de Oxford — tornou-se um cristão convicto. A discussão, marcada por sarcasmo e ironia, expande-se para temas como sexo, morte e o sentido da vida.
Sobre a importância do diálogo na peça, Odilon Wagner afirma: “Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto de que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”.
Contexto histórico e encenação
A ação ocorre no gabinete de Freud na Inglaterra, em 1939, período em que o psicanalista estava exilado após fugir da perseguição nazista na Áustria. O cenário, assinado por Fábio Namatame, reproduz fielmente o consultório do personagem.
A escolha do momento histórico é estratégica. Segundo o autor Mark St. Germain, situar o encontro no dia em que a Inglaterra entrou na Segunda Guerra Mundial coloca os personagens no limite, sob a ameaça iminente de bombardeios em Londres.
O diretor Elias Andreato priorizou a força da palavra e do texto sobre a linguagem cênica. Ele destaca que a obra mostra ser possível conviver com diferenças de forma “inteligente, crítica e, sobretudo, humana”, especialmente em contextos de polarização social.
Experiência dos protagonistas
Para Odilon Wagner, que soma 56 anos de carreira, interpretar Freud é uma das experiências mais fascinantes de sua trajetória profissional, confirmando a atualidade do pensamento freudiano.
Já Marcello Airoldi ressalta a recepção do público diante de um conteúdo denso. “Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens”, pontua o ator.
Informações gerais
- Sexta-feira (16) e Sábado (17): Cine Theatro Brasil — às 20h
- Domingo (18): Cine Theatro Brasil — às 17h










