No dia 25 de outubro, às 19h, o Grande Teatro Sesc Palladium recebe o espetáculo “Entre o Céu e a Terra – Somos Todos Diferentes”. A montagem reúne 100 participantes, entre bailarinos e músicos com deficiência — incluindo pessoas cegas, surdas e autistas (nível 1) — além de artistas sem deficiência.
O evento é fruto do trabalho de Wilmara Marliére e do violonista Wéberty Marliére, que desenvolvem o projeto desde 1997. O objetivo central é demonstrar que as limitações físicas ou cognitivas não impedem o desenvolvimento de capacidades artísticas.
A estrutura do show
A apresentação é dividida em dois atos. O primeiro momento é dedicado a sete números musicais, enquanto o segundo ato apresenta sete coreografias de dança.
O repertório dos ensaios conta com canções conhecidas, como “Anunciação”, de Alceu Valença. Os preparativos para a data começaram em fevereiro deste ano.
O elenco é composto por diversas faixas etárias. As aulas de balé envolvem jovens de 7 a 17 anos, enquanto as turmas de violão abrangem alunos desde os 8 até os 80 anos de idade.
Superação e a Síndrome de Arnold-Chiari
A idealizadora do projeto, Wilmara Marliére, convive com a síndrome de Arnold-Chiari, uma malformação congênita do sistema nervoso central que causa alterações neurológicas. A bailarina relata já ter passado por 55 internações hospitalares.
Para Wilmara, a dança funciona como uma ferramenta de superação. Ela pretende interpretar a obra “A Morte do Cisne” subindo novamente às pontas dos pés durante o show.
“Todas as vezes que entro no palco, sinto que Deus me carrega no colo. Quando subo ao palco e danço, é como se recebesse um certificado de vida”, afirma a artista.
Método de ensino e inclusão
O projeto utiliza um método de balé pioneiro para pessoas com deficiência, executado por Meiry de Paula (professora titular) e Maria Clara Marliére (professora auxiliar). A pedagogia é adaptada para estimular a autonomia e a confiança de cada aluno.
Na parte musical, Wéberty Marliére desenvolveu uma metodologia específica de violão para atender as particularidades de 54 alunos, incluindo pessoas com deficiência visual e auditiva.
Sobre o impacto social da iniciativa, Wilmara pontua: “Precisamos combater o preconceito, mudar a sociedade e o coração das pessoas. A arte tem um grande poder de transformação”.
A iniciativa conta com o apoio do Colégio Arnaldo, que cede o espaço para as aulas há quase três décadas, e patrocínio das empresas Supermix e Hexagon via Lei Rouanet.
Os ingressos são solidários, distribuídos em troca da doação de dois litros de leite. Mais informações estão disponíveis no WhatsApp: (31) 99000-3852.










