Golpista prova do próprio veneno e ainda coloca créditos em celular: ‘Mais malandra que você’

WhatsApp
Vítima fingiu acreditar no golpista durante conversa no WhatsApp (FOTO ILUSTRATIVA: Banco de imagens/Webster2703/Pixabay)

As tentativas de golpes pelo WhatsApp estão se tornando cada vez mais corriqueiras, e muitos são os relatos de pessoas que perderam grandes quantias nesses esquemas. Entretanto, a fotógrafa Erica Soledade decidiu reverter o golpe: ela fingiu acreditar na pessoa que se passava pelo filho, e o suspeito acabou colocando créditos no celular dela. O caso ocorreu na última segunda-feira (12), em Salvador, na Bahia, cidade onde a fotógrafa mora.

Segundo Erica Soledade conta ao BHAZ, essa foi a terceira vez que tentaram lhe aplicar um golpe pelo WhatsApp se passando pelo filho dela. Ela diz que na primeira vez ficou assustada, pois o golpista começou a falar dados pessoais dela para intimidá-la.

“Isso me deixou muito vulnerável, e nesse momento eu percebi que qualquer pessoa é capaz de ceder. A minha sorte é que eu estava com meu marido, e ele ficou dizendo ‘tenha calma, não aconteceu nada com nosso filho'”, relembra a fotógrafa, que tem 49 anos.

Golpe reverso

Na segunda tentativa, Erica diz que respondeu de imediato aos golpistas que já sabia que tratava-se de um golpe. A terceira vez aconteceu na semana passada, com mais um criminoso se passando pelo filho da fotógrafa, Lucas Soledade, e usando a mesma foto de perfil dos golpes anteriores.

“Por coincidência, o meu filho estava em casa no momento em que me mandaram a mensagem de sempre, falando ‘Mãe, mudei de número, anote aí o novo contato’. Quando ele falou isso, meu filho comentou sobre uma pegadinha que ele viu na internet, de que você pedindo crédito para botar no celular, o cara cai”.

Nisso, ela e Lucas decidiram “aplicar um golpe” em quem se passava pelo filho dela. De acordo com Erica, a pessoa pedia a quantia de R$ 2.350,00, e alegava estar precisando fazer um pagamento, mas não conseguir acessar a própria conta bancária.

‘Começamos alimentar para ele acreditar’

“A gente começou a alimentar para ele acreditar que eu estava caindo no golpe, aí para dar mais garantia de que estava caindo eu falei que já tinha feito um depósito no dia anterior para ele”, conta a fotógrafa. Conforme os prints da conversa enviados por Erica, o golpista prometeu que no final da tarde devolveria todo o dinheiro.

Parte da conversa entre Erica e o golpista (Erica Soledade/Arquivo Pessoal)

Depois disso, Soledade inventou que estava num consultório médico, e que logo ficaria sem internet, portanto, não conseguiria fazer o depósito para ele. O golpista começou a demonstrar urgência, e então Erica pediu para que ele colocasse créditos no celular dela.

Golpista faz a recarga

A pessoa que se passava por seu filho disse que não tinha como colocar os créditos, e com isso Erica Soledade disse: “Então só quando eu chegar em casa, às 17h”. Vendo que iria ficar sem o dinheiro do golpe, a pessoa decidiu colocar os créditos no celular da fotógrafa. Imediatamente, a mensagem avisando sobre a recarga chegou no celular de Erica.

Mensagem avisando da recarga celular (Erica Soledade/Arquivo Pessoal)

‘Consegui ser mais malandra que você’

“O último áudio [enviado para o golpista] foi tipo comemoração de gol de copa do mundo, eu gritava junto com meu filho, e aí eu falei assim para ele: ‘Olha, muito obrigada pelo crédito, mas até para ser malandro você tem que se especializar, porque é um malandro muito ruim, eu consegui ser mais malandra do que você'”, relata a fotógrafa, rindo da situação.

Conforme conta Erica, ela fez o boletim de ocorrência da tentativa de golpe, e a polícia orientou para que seu filho alterasse a foto de perfil, pois a mesma imagem era sempre usada pelos suspeitos. Segundo ela, a primeira tentativa ocorreu em maio.

“Eles sempre mandam para mim uma mensagem ‘mãe, aqui é Lucas, eu mudei o número, por favor anote este novo número’. Quando você lê, de imediato você vê que é um golpe, até porque ele usa expressões que não é de hábito de meu filho, e como a gente conhece o filho da gente, a gente sabe que não é ele”, acrescenta.

Edição: Roberth Costa
Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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