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Cineclube Mocambo homenageia Léa Garcia em sua 3ª edição no Cine Humberto Mauro

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(Divulgação)

A terceira edição do Cineclube Mocambo vai homenagear a atriz Léa Garcia, com uma programação gratuita entre os dias 9 e 12 de maio, no Cine Humberto Mauro, em BH. O público poderá assistir à filmografia da atriz e obras relacionadas ao cinema negro.

O objetivo desta edição é evidenciar os campos de força criados pela presença de Léa Garcia e refletir sobre os aspectos da criação negra no cinema brasileiro e internacional. A atriz é reconhecida como uma das artistas fundamentais para se pensar a presença das atrizes negras no cinema, teatro e TV.

Mais do que uma homenagem, o evento pretende examinar a filmografia de Léa, tendo os personagens que ela interpretou como força central para a escolha dos demais filmes. Festa, música, religiosidade, intergeracionalidade e colonização são os temas definidos.

Filmografia da atriz

“Quando ouvimos a palavra ‘filmografia’, é usual fazer uma associação com as obras realizadas por um diretor ou diretora; visto que nessa função está centrada, em tese, uma ideia de autoria”, disse Gabriel Araújo.

“Em sua terceira edição, o Cineclube Mocambo propõe revirar essa proposição, realizando um esforço curatorial para investigar a agência de uma atriz brasileira nas imagens que registraram e construíram uma ideia de negritude”.

Os filmes a serem exibidos fazem parte de um conjunto de obras antigas e contemporâneas. O objetivo da curadoria é encontrar no passado do cinema brasileiro e afrodiaspórico chaves para se pensar as imagens que estão sendo produzidas hoje.

Com exibição de 23 obras, o projeto propõe a seguinte reflexão: o que muda quando centralizamos o trabalho de uma atriz como uma chave de leitura para se pensar os filmes? Os ingressos ficarão disponíveis na bilheteria do Cine Humberto Mauro.

Programação completa

Quinta-feira, 9/5:

19h: Sessão 1 – Arquivos estrangeiros | Moune Ô e Orfeu Negro.

A sessão de abertura do Cineclube Mocambo, Arquivos Estrangeiros, aposta na discussão de Maxime Jean-Baptiste, que revisita as imagens que produziram de seu pai, e na força de Serafina, personagem interpretada por Léa Garcia em Orfeu Negro, para a busca da beleza frente à contradição.

Após a sessão, haverá debate com o curador, pesquisador e diretor Ewerton Belico e com a atriz, professora e curadora crítica de teatro Soraya Martins.

Sexta-feira, 10/5

19h: Sessão 2 – “O dia passa voando” | Dádiva e Atabaque Nzinga

Se em Dádiva somos apresentados a uma carta de amor de uma filha à sua família, e de sua família à criança, em Atabaque Nzinga navegamos pela intergeracionalidade que tanto conecta as personagens de Léa Garcia e Taís Araújo quanto exemplifica as transformações da música preta no país.

Sessão comentada pela crítica de cinema Yasmine Evaristo.

21h: Sessão 3 – Esse canto é minha vida | Canto para Liberdade – A Festa do Ticumbi, Abá, Nelson Cavaquinho, Namiliki e Essa Festa é Minha Vida

Grande parte da filmografia de Léa Garcia foi atravessada pela musicalidade que, em festas comunitárias ou rituais, se faz presente em diversas cenas do cinema negro. Nesta sessão, propomos uma costura de manifestações populares negras múltiplas.

Sessão comentada pelo filósofo e historiados Markim Cardoso.

Sábado, dia 11/5

16h: Sessão 3 – “E todos tomamos café” | Nkemakonam, Garotos Ingleses, Allegro Ma Non Troppo, Talaatay Nder e Coffea Arábiga

Sangue e café. Investigar o cinema negro é também olhar para as histórias de violência que permeiam a experiência dos povos afrodiaspóricos no mundo. Neste exercício de programação, abandonamos a usual recusa de encarar esse imaginário.

Sessão comentada pelo curador Diego Silva Souza.

18h: Sessão 4 – Arcano XI: A Força | Serpent Rain e As Divas Negras do Cinema Brasileiro

Assim como num jogo de cartas, posicionamos dois filmes de matérias e pontos de partidas radicalmente distintos para abrir leituras poéticas acerca do trabalho e realização de atrizes negras no cinema brasileiro. 

Sessão comentada pelo artista, mestre e doutorando em Educação Denilson Tourinho.

20h: Sessão 6 – Esse lugar hoje vai tremer | Bronx Summer Fun, Terremoto Santo, Kadodi, Gato/Capoeira e Brave

Na sessão, reunimos cinco curtas que dão destaque às espetacularidades negras, um encontro afrodiaspórico que une a beleza do cotidiano às expressões do vodu haitiano, do neopentecostalismo, da capoeira e às impurezas das pretitudes sônicas.

Sessão comentada pela curadora Lorenna Rocha.

Domingo, dia 12/5

19h: Sessão 7 – “I’ll be back!” | I’ll be back! e A Deusa Negra

Ao aproximar o curta de Hope Strickland ao longa de Ola Balogun, reverberamos a predição que se repete ao fim de A Deusa Negra com o rosto de Léa Garcia, numa circularidade afrodiaspórica que não tem começo, nem fim.

Sessão comentada por Pedrina de Lourdes Santos, capitã da Guarda de Massambique de Nossa Senhora das Mercês de Oliveira, em Minas Gerais.

Anota aí:

Cineclube Mocambo homenageia Léa Garcia: A Deusa Negra
Data: 9 a 12 de maio
Local: Cine Humberto Mauro | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro
Ingressos gratuitos na bilheteria

Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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